terça-feira, 18 de agosto de 2026

Príncipe Conrad




Depois de um longo hiato, voltei a sentir aquela velha sensação de estar exatamente onde deveria estar: no meio de uma carnificina. A manada de Berbarans ainda rugia diante de nós, coberta de fogo e ódio, mas já estava enfraquecida. Meus múltiplos membros avançaram como uma tempestade de golpes, enquanto o vampiro que havia invocado descia sobre as criaturas com sua espada longa e suas garras. Cada corte arrancava jorros de sangue incandescente dos monstros, e o chão começava a se transformar em uma mistura de terra, sangue e chamas.

Os Berbarans responderam com seus poderosos sopros. Finley desapareceu em um rolamento e simplesmente deixou as chamas passarem por onde estava. Eu não tive a mesma sorte. Ergui um Campo de Força no último instante, mas o fogo atravessou parcialmente minha defesa e envolveu meu corpo aberrante. Continuei queimando enquanto avançava. Quando aquelas bestas se prepararam para investir novamente contra mim, simplesmente desprezei a realidade. O ataque veio, mas o mundo decidiu que aquela violência não precisava acontecer comigo.

Finley, por sua vez, fez o que sabe fazer melhor. Seu chicote cortou o ar e encontrou a carne dos Berbarans, levando consigo uma dose generosa de seu veneno. Em seguida, lançou uma granada no meio da manada. A explosão fez os monstros gritarem, e o fogo de seus próprios corpos se misturou às chamas provocadas pela explosão. No fim, não havia mais uma manada. Havia apenas cadáveres queimados espalhados pelo chão.

Abri minhas asas de barata, agarrei Finley e saímos voando daquele inferno antes que alguma outra criatura resolvesse nos transformar em churrasco.

Finalmente, o grupo Cobra Nova estava reunido novamente. Bebemos poções, utilizamos o muco para fechar ferimentos e recuperamos o fôlego antes de seguir até os portões da Fundição Central de Yuvallin. O problema era que soldados Puristas patrulhavam a região. Não estávamos interessados em descobrir quantos soldados seriam necessários para nos transformar em peneiras, então preferimos a discrição.

Salto Dimensional.

Num instante estávamos diante dos portões e, no seguinte, já havíamos passado pela guarnição sem que percebessem nossa presença. Continuamos avançando pela parte de dentro da Fundição, até que começamos a ouvir gargalhadas. O ar ficou cada vez mais quente. O calor aumentava a cada passo, até que percebemos que estávamos nos aproximando da área principal da Fundição Central.

Uma sirene começou a tocar. Pessoas corriam desesperadas pelas ruas, tentando escapar daquele lugar. Kobta rapidamente percebeu que o sistema de alerta também interferia na conjuração de magias e tratou de sabotá-lo. Como sempre, quatro kobolds enrolados em uma manta conseguem fazer coisas que deveriam exigir uma equipe inteira de engenheiros.

Com o alarme comprometido, conjurei novamente o Salto Dimensional e transportei o grupo diretamente para dentro da Fundição Central.

Foi então que o encontramos.

O príncipe Conrad Kor Kovith nos aguardava.

Um Osteon completamente deformado pelas próprias convicções, cercado por escravos que trabalhavam sob um calor quase insuportável. As chamas da fundição iluminavam seus ossos enquanto ele nos observava como se tivéssemos acabado de entrar voluntariamente em uma armadilha.

E então ele começou a falar:

- “Minha mente não consegue compreender porque pequenos passarinhos saltitantes entraram de tão bom grado nesta gaiola. Por que desceram do céu ao inferno? Teriam se apaixonado por mim, o Príncipe? Sou tão puro, o mais puro de todos! Purguei minha própria carne nas chamas. Agora cantem, passarinhos. Cantem pela débil Kor Kovith e pela esplenderosa Supremacia. Cantem seus gritos de dor! O Príncipe irá dançar a música de vocês.”

Foi quando percebi que aquele maluco não estava apenas protegendo a fundição. Ele acreditava que aquele lugar era seu palco.

As Correntes de Labaredas de Ódio surgiram e avançaram contra Beleg. O arqueiro tentou escapar, mas Kobta ergueu seu truque de Escudo da Fé e conseguiu impedir que as chamas o ferissem gravemente. Ainda assim, as correntes envolveram Beleg e o prenderam.

Os soldados da fundição começaram a surgir de todos os lados.

Kobta bebeu uma poção de velocidade e realizou sua tradicional firula inspiradora antes de sacar a pistola. O primeiro disparo contra Kor Kovith passou longe do alvo, mas o segundo encontrou um soldado e o impacto do tiro lançou Kobta contra uma parede. Então eu ergui meus braços, e provei que sou um verdadeiro discípulo e filho de Anastácia, conjurando um poderoso feitiço de quarto círculo: "A Tormenta nos mantenham livres - LIBERTAÇÃO!"

Beleg não perdeu tempo. Bebeu sua poção de velocidade e ativou sua Concentração em Combate. A tatuagem em suas costas brilhou, revelando o rosto e o corpo de Valkaria, a deusa dos aventureiros. O arqueiro desapareceu em meio ao caos, emboscou um dos soldados e disparou uma flecha que atravessou sua testa. O homem caiu morto antes mesmo de compreender de onde havia vindo o ataque.

Enquanto isso, Sir Finley avançava na direção dos escravos. Em meio à batalha, ele não havia esquecido o verdadeiro motivo pelo qual estávamos naquela fundição.

Libertá-los.

Kor Kovith, porém, decidiu concentrar sua atenção em Kobta.

O Osteon surgiu diante dos kobolds e disparou contra eles em uma velocidade impressionante. O impacto atingiu seus ossos e os lançou para longe. Antes que pudessem se recuperar, Kor Kovith apareceu novamente diante deles e desferiu um golpe de espada envolto em trevas e chamas. A lâmina atingiu os kobolds e espalhou faíscas pelo chão.

Kobta respondeu.

Dessa vez, o disparo acertou em cheio o tórax do príncipe. A bala penetrou entre as costelas ósseas e o coice da pistola lançou Kor Kovith contra o outro lado da fundição.

Foi nesse momento que a arma amaldiçoada de Kobta tentou sussurrar seu veneno. Queria que os kobolds voltassem suas armas contra mim.

Mas Kobta resistiu.

Os quatro permaneceram unidos e, em vez de obedecer à arma, apontaram novamente suas pistolas para Kor Kovith. Uma sequência de disparos atingiu o Osteon e o lançou contra a parede, quebrando parte de seus ossos.

Eu também entrei na batalha.

Ativei meus poderes da Tormenta e conjurei Velocidade. Minha tatuagem de Pitágoras brilhou enquanto o Armamento da Natureza reforçava meus membros. Aquele combate já havia deixado de ser uma batalha comum. Era uma disputa entre tudo aquilo que Kor Kovith acreditava representar e tudo aquilo que nós havíamos vindo destruir.

Beleg encontrou uma abertura.

Sua flecha atravessou Kor Kovith com precisão brutal, deixando o príncipe ainda mais debilitado. O Osteon cambaleou, seus ossos rachados e seu corpo tomado pelos impactos.

Então Kobta terminou o serviço.

As quatro pistolas foram apontadas simultaneamente.

Os disparos ecoaram pela Fundição Central.

Uma vez.

Duas.

Várias vezes.

As balas atravessaram o corpo de Kor Kovith, quebrando costelas, destruindo articulações e despedaçando aquilo que restava de sua carne. O príncipe tentou permanecer de pé, mas seus ossos já não obedeciam.

Kor Kovith parou.

Completamente.

O grande líder purista da Fundição Central finalmente estava morto e destruído. 

E nós permanecíamos de pé.

A gaiola havia recebido seus primeiros pássaros.

Agora era a vez de Yuvallin cantar.

Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

2 comentários:

  1. Segue o time sendo desafiado por inimigos mais terríveis e mortais, e mesmo com dois a menos Glomer e Bolgg, continuam a se superar.

    Valkaria está orgulhosa.

    ResponderExcluir
  2. Kor Kovich estava morto no mesmo instante que entramos na Fundição Central.

    ResponderExcluir