terça-feira, 17 de março de 2026

Esgotos

 


A investigação continuava a apertar o cerco ao redor do mistério que apodrecia sob Korm.


A Costureira e o Último Bilhete

Aric e Jalin encontraram Isolda Passosilente, uma costureira idosa de mãos gastas pelo trabalho e pelos anos. A casa era simples, mas arrumada com cuidado — como se cada objeto ali fosse uma tentativa de manter viva a memória do filho.

Seu filho, Jorik Passosilente, havia morrido duas semanas antes.

Ela contou que ele denunciara extorsões feitas por guardas corruptos. Desde então, problemas começaram a surgir.

Com voz trêmula, entregou duas coisas aos aventureiros.

Um bilhete escrito por Jorik.

E um medalhão estranho.

Segundo ela, aquele medalhão pertencia a alguém que entrara nos esgotos pouco antes da morte de seu filho.

— Há algo errado perto das entradas dos esgotos… — disse ela. — Jorik sabia.


O Mendigo que Observa

Enquanto isso, Zanzertein, Bolgg e Anastácia conversavam com os mendigos da cidade. Entre eles estava Zezin, conhecido como o mendigo letrado.

Zezin lembrava-se bem de Valdrik, o Corcunda.

Valdrik bebia cerveja nas redondezas e dormia perto do posto da guarda.

Um dia, comentou que tinha visto algo estranho: um dos guardas entrando nos esgotos durante a noite.

Antes de desaparecer, Valdrik falou de outra coisa inquietante.

Ele havia visto uma aranha de gelo nas galerias subterrâneas.

Depois disso, decidiu investigar.

Nunca mais foi visto.


O Medalhão dos Cultistas

Reunidos novamente, Zanzertein ergueu o Olho de Sszzas.

O artefato pulsou com poder antigo enquanto ele invocava a magia.

“Que o passado se curve à curiosidade do presente.”

A magia Lendas e Histórias revelou a verdade escondida no medalhão.

Ele era um distintivo de cultistas.

Mais do que isso, revelou um padrão recorrente nos esgotos: quatro símbolos marcavam caminhos e salas importantes.

Sol.

Nuvem.

Lua.

Montanha.

Um sistema de navegação… ou um código ritualístico.


O Plano de Infiltração

Aric teve a ideia.

Falsificar o medalhão.

Se conseguissem se passar por cultistas, poderiam penetrar nas profundezas dos esgotos sem levantar suspeitas.

Após descanso e preparação, o grupo estava pronto.

Zanzertein novamente empunhou o Olho de Sszzas.

“Que até o inerte se levante para proteger o destino.”

Dois postes da rua se ergueram do chão.

A magia Animar Objetos os transformou em guardiões combatentes que marchariam ao lado de Aric e Jalin.


A Descida aos Esgotos

A entrada dos esgotos estava trancada.

Mas o molho de chaves de Honório resolveu o problema.

O portão abriu.

O cheiro de umidade e decadência escapou das profundezas.

Pouco depois de entrarem, um homem surgiu das sombras.


— O que vocês estão xeretando aqui?

Aric simplesmente ergueu o medalhão.

— Estamos adiantados.


O homem empalideceu.

Pediu desculpas imediatamente.

E deixou que passassem.


Conselhos de Guerra

Mais adiante, Zanzertein invocou sabedoria extraplanar.

Ele abriu sua mente para além do mundo.

“Que os generais do infinito sussurrem estratégia.”

A magia Contato Extraplanar chamou a atenção de Lamashtu, Senhora dos Exércitos, que ofereceu conselhos sobre combate e posicionamento.


O Labirinto dos Símbolos

A primeira bifurcação apareceu.

Um caminho marcado com rio.

Outro com lua.

Seguiram pela lua.

Na sala seguinte, duas criaturas emergiram da escuridão.

Aranhas de gelo.


O Combate nas Galerias

Uma delas avançou sobre Aric.

O poste animado lançou-se entre os dois, recebendo o impacto brutal das patas congelantes.

O guardião de madeira caiu despedaçado.

A segunda aranha atacou Jalin. O sátiro se esquivou de parte dos golpes, rebatendo uma das patas com seus chifres para evitar ser agarrado.

O frio irradiado pelas criaturas era intenso.

A pele dos aventureiros começou a congelar superficialmente.

Aquilo não poderia durar muito.

Zanzertein reagiu imediatamente.

“Que os elementos reconheçam seus mestres.”

Resistência a Energia envolveu os heróis.

Logo em seguida, sua magia reforçou o ritmo do combate.

“Que o tempo acelere para os preparados.”

Velocidade.

E então:

“A mente firme jamais hesita.”

Concentração de Combate.


O Contra-Ataque

Jalin ergueu sua postura teatral.

“Que a bravura seja música!”

Sua apresentação impactante incendiou o espírito do grupo.

Ele sacou sua pistola de adamante com elegância e disparou uma rajada devastadora contra as aranhas.

Aric avançou logo em seguida.

Sua espada executora de adamante — maciça, lancinante e harmonizada — descreveu um arco mortal.

Um golpe devastador partiu a carapaça da aranha ferida.

Movendo-se com velocidade sobrenatural, Aric concluiu o ataque e destruiu completamente a criatura que tentava agarrar Jalin.


A Reconstrução do Guardião

Zanzertein apontou para o poste destruído.

“Nem tudo que cai permanece quebrado.”

A magia Transmutar Objetos restaurou o guardião combatente, devolvendo-lhe vigor e utilidade.


O Caminho do Ritual

Mais adiante, outra bifurcação:

Montanha ou Nuvem.

Escolheram Nuvem.

Outra bifurcação surgiu logo depois.

Sol ou Lua.

Mais uma vez, seguiram o caminho da Lua.

O corredor desembocou em um grande salão subterrâneo.

Ali estavam vários cultistas da Tormenta.

E mais aranhas de gelo guardando o local.

Os aventureiros haviam encontrado o coração do culto.

E a batalha estava prestes a começar.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagem gerada pelo Bing IA.

quarta-feira, 4 de março de 2026

A cidade revida



O grupo se divide.

A vila parece calma à luz do dia… mas sob a superfície, tudo apodrece.

Aric e Jalin procuram Honório, sargento da milícia local. A conversa exige insistência, jogo de palavras e paciência. Depois de muita argumentação, conseguem um encontro reservado.

Honório fecha a porta. O minotauro parece menor sem a armadura completa.

Ele confessa:

Magnus investigava algo nos esgotos.

Descobriu demais.

Pagou por isso.

Há ressentimento em sua voz — Magnus o chamou de covarde por não se envolver nas investigações. Talvez ele tenha sido.

Com mãos pesadas, entrega um molho de chaves.

— Pode ser útil.

Pede sigilo absoluto. Se essa conversa vazar, ele morre.

Antes da despedida, ergue o símbolo de Khalmyr e concede uma bênção formal.

Cassidy, que aguardava do lado de fora, aproxima-se discretamente de Jalin:

— Nos esgotos… há algo. Um culto. Aharadak.

O nome ecoa como uma ferida aberta.

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Enquanto isso, Anastácia, Bolgg e Zanzertein visitam o ferreiro.

Algumas moedas compram mais do que serviços — compram confiança.

O homem revela:

Magnus saiu mais cedo do trabalho.

Forjou um kit de ladinagem para um amigo.

Infiltrou-se nos esgotos.

Não voltou.

Ele também entrega a lista dos desaparecidos:

Jorik Passosilente, jovem denunciante de extorsão.

Greta Pedracantada, comerciante que viu guardas roubando joias.

Valdrik, o Corcunda, mendigo que testemunhou guardas entrando nos esgotos à noite.

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Padrões começam a se formar.

O Dia Seguinte — A Cidade Revida

Aric e Jalin seguem para investigar Isolda, mãe de Jorik.

No caminho, gnolls armados os interceptam.

Ao mesmo tempo, Anastácia, Bolgg e Zanzertein distribuem comida aos mendigos — um gesto simples… interrompido por humanos de olhar rubro.

Simbiontes.

A emboscada é coordenada.

Zanzertein reage primeiro.

Ergue a mão e invade mentes hostis.

“Que o delírio revele a verdade que escondem.”

Sussurros Insanos rasgam a sanidade dos humanos. Mas as criaturas carregam a Tormenta em suas veias — e o contra-ataque mental atinge o próprio mago. Sua mente arde, sangue escorre pelo nariz… ele se fere, mas mantém o foco, sustentado por sua disciplina arcana.

Aric inicia sua preparação marcial.

Canção inspiradora.

Firula energizada por Surto Heróico.

Prestidigitação convertida em campo de força.

Ele aguarda o momento exato.

Anastácia estende os braços.

“Das profundezas esquecidas, ergam-se.”

Tentáculos negros irrompem do chão, agarrando dois humanos simbiontes.

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Um gnoll dispara contra Jalin.

“Nem toda bala encontra destino!”

O campo de força absorve parte do impacto.

Outro gnoll ataca Aric — tiros cortam o ar, mas o guerreiro se esquiva com precisão quase artística.

Um terceiro gnoll dispara novamente contra Jalin. Desta vez, seu morto-vivo servo se lança na frente.

O projétil atravessa carne já condenada.

O aliado cai… definitivamente.

Jalin bebe uma poção de velocidade. Depois outra, curando seus ferimentos. Em seguida, ergue sua magia.

“Se a batalha é palco, que eu seja multidão!”

Imagem Espelhada.

Cinco cópias ilusórias o cercam.

Bolgg avança como tempestade encarnada e executa um humano simbionte com brutalidade decisiva.

Zanzertein aponta para o bárbaro.

“Que o impossível se torne maior.”

Bolgg cresce. Enorme. Veloz. Furioso.

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Aric finalmente se move.

Seu golpe em arco atravessa três gnolls ao mesmo tempo — sangue espalha-se como pincelada violenta.

Surto Heróico.

Outro arco devastador.

Os gnolls cambaleiam.

Anastácia estala os dedos.

“O ar apodrece. A carne recorda a morte.”

Miasma Mefítico.

Profanar acelerado.

Trevas corroem carne e alma.

Cercado, Mas Inquebrável

Os gnolls abandonam pistolas e sacam machadinhas. Cercam Aric.

As lâminas atingem… imagens ilusórias se despedaçam.

Um golpe quase perfura seu olho.

Outro morto-vivo se joga na frente.

Sacrifício.

Aric ativa seu escudo arcano e mantém a linha.

Jalin ergue a mão:

“Um pensamento pode cortar mais fundo que aço!”

Adaga Mental atinge um gnoll — atordoado.

Um disparo de pistola finaliza o impacto.

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Bolgg arranca o braço de um humano simbionte em golpe único.

Zanzertein conjura uma bola de fogo.

“Que as chamas purifiquem o que é aberrante!”

A explosão consome dois inimigos — mas eles se esquivam parcialmente.

Aric encerra o combate.

Golpe em arco.

Outro.

Outro.

Três gnolls tombam sob a lâmina de adamante.

Os simbiontes restantes balbuciam, atacam a si mesmos em confusão… até que Bolgg os corta ao meio.

Silêncio.

Apenas respiração pesada.

Anastácia e Zanzertein unem forças uma última vez, canalizando o Miasma Mefítico nas criaturas caídas — drenando o resquício de energia profana e fortalecendo seu próprio poder arcano.

A cidade agora sabe.

Algo nos esgotos não apenas cultua Aharadak.

Está recrutando.

Está armando.

Está reagindo.

E sábado à meia-noite se aproxima.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas pelo Bing.