sexta-feira, 17 de julho de 2026

Fuga e Fogo



Os Kobta oculto sob a manta caíram no Distrito do Carvão, uma vasta região de fazendas, pastagens e depósitos de lenha que alimentavam os fornos de Yuvallin. O plano inicial era atravessar as estufas, mas, ao perceberem a intensa movimentação de patrulhas, decidiram contornar toda a área para permanecerem invisíveis.

Mesmo escondidos pelo truque ventanista que simulava invisibilidade, um constructo de vigilância interrompeu sua ronda. Seus olhos metálicos percorreram lentamente os campos, procurando qualquer anomalia. Kobta buscou rapidamente algum animal do pasto para provocar uma distração, mas encontrou apenas currais vazios e cercas destruídas pela guerra. Sem outra alternativa, conduziu silenciosamente seus quatro irmãos entre montes de carvão e carroças abandonadas. Cada passo era calculado com precisão absoluta. O constructo passou a poucos metros deles, mas os kobolds permaneceram completamente despercebidos, desaparecendo nas sombras do distrito sem deixar qualquer vestígio.

Enquanto isso, Gyodai e Sir Finley caíram em outra região da cidade. O lugar um dia fora um belo jardim público, mas agora restavam apenas árvores carbonizadas, estátuas quebradas e canteiros consumidos pelas chamas. Atrás deles, um incêndio gigantesco devorava tudo, tornando impossível qualquer retirada. Restava apenas seguir em frente.

Sir Finley aproveitou aqueles breves instantes para preparar sua arma. Espalhou cuidadosamente sua peçonha concentrada sobre o chicote, deixando cada elo impregnado com um veneno mortal.

Logo adiante, um touro completamente envolto em fogo atravessou o jardim em disparada. A criatura sequer olhou para eles, fugindo desesperadamente das próprias labaredas que consumiam a região. No entanto, seu aparecimento foi apenas o prenúncio do verdadeiro perigo.

Das tubulações rompidas do sistema de aquecimento começaram a emergir enormes elementais de fogo. Durante décadas, aquelas criaturas haviam alimentado os fornos subterrâneos de Yuvallin. Agora, com todo o mecanismo destruído pelos combates, vagavam livres e enfurecidas.

O primeiro deles assumia a forma de um gigantesco boi flamejante.

Berbaram abaixou a cabeça e investiu violentamente contra Sir Finley. A marrada incendiária explodiu ao atingir o solo, levantando uma onda de fogo. O tabrachi executou um rolamento defensivo para absorver parte do impacto e, antes que as chamas o envolvessem, saltou para o lado com sua extraordinária evasão, escapando praticamente ileso.

Gyodai abriu um largo sorriso.

As marcas da Tormenta espalharam-se por seu corpo, seus punhos adquiriram o característico tom rubro e seus inúmeros membros começaram a se mover em perfeita sincronia.

— A Tormenta não conhece limites. Que o impossível seja apenas mais uma ilusão!

Sob o efeito de Velocidade em Massa, Concentração em Combate e Desprezar Realidade, o lefou desapareceu diante dos olhos dos elementais e surgiu sobre Berbaram. Uma sequência devastadora de golpes caiu sobre o corpo ígneo da criatura, espalhando brasas e lava líquida pelo jardim destruído.

Sir Finley estudou cuidadosamente os movimentos do elemental.

Com a serenidade de um verdadeiro assassino, analisou seus pontos vulneráveis e concentrou sua mente.

— Valkaria, conduza minhas mãos. Onde houver um caminho para a vitória, meu golpe o encontrará.

A tatuagem em suas costas irradiou a imagem completa de Valkaria enquanto sua concentração atingia o máximo.

Seu chicote serpenteou pelo ar e atingiu Berbaram em cheio.

O impacto fez jorrar sangue de lava sobre o tabrachi, mas, com uma rápida cambalhota, ele evitou ser atingido. O veneno especial começou imediatamente a percorrer a essência elemental da criatura, corroendo seu núcleo de energia.

Sem perder tempo, Sir Finley espalhou parte daquela toxina sobre a manopla de Gyodai.

Berbaram rugiu.

Uma torrente de fogo saiu de sua boca, varrendo o campo de batalha. Sir Finley escapou novamente graças à sua evasão, enquanto Gyodai suportou parte das chamas. Aproveitando o impulso do sopro, o elemental avançou e acertou violentamente a lateral da cabeça do tabrachi. O golpe atingiu seu ouvido, deixando-o temporariamente surdo.

Gyodai respondeu imediatamente.

Seus múltiplos braços desferiram uma chuva de socos sobre o Berbaram responsável pelo ataque. Os impactos rasgaram o corpo flamejante da criatura até que ela finalmente se dissipou em cinzas incandescentes.

Outro Berbaram avançou em seguida.

Gyodai ergueu uma barreira mágica.

— A realidade não me alcança. Campo de Força!

A investida explodiu contra a barreira invisível sem conseguir atravessá-la.

Sir Finley aproveitou a abertura. Seu chicote da Cobra Crescente envolveu o elemental enquanto o veneno penetrava novamente em sua essência ardente.

Com a velocidade ampliada pela magia, Gyodai tornou-se praticamente impossível de acompanhar. Seus punhos envenenados atingiram Berbaram dezenas de vezes em poucos segundos. A criatura enfraquecia a cada impacto.

Ainda assim, o elemental lançou outra explosão de fogo.

Gyodai ergueu novamente sua proteção mágica.

— Que a Tormenta esmague as leis do mundo! Campo de Força!

A barreira absorveu toda a explosão.

Sir Finley atravessou as chamas com um salto acrobático, escapando mais uma vez graças à sua evasão.

Berbaram tentou sua última marrada desesperada.

Outra vez encontrou apenas a barreira invisível criada pelo lefou.

Logo depois, Gyodai e Sir Finley avançaram juntos.

Os socos monstruosos do filho da Tormenta e o chicote venenoso do tabrachi atingiram o elemental simultaneamente. O núcleo de fogo da criatura se rompeu, espalhando uma chuva de brasas pelo antigo jardim.

O silêncio voltou ao campo de batalha.

Muito distante dali, Beleg enfrentava um adversário completamente diferente.

Das sombras surgiu um demônio conhecido como Nove Dedos, uma criatura famosa por negociar destinos e corromper guerreiros.

Com um sorriso debochado, ele ergueu sua pistola.

— Ainda há tempo de abandonar esse arco. A pólvora é o futuro.

Beleg respondeu apenas esticando lentamente a corda de seu arco.

O duelo começou.

Três disparos ecoaram quase ao mesmo tempo.

As balas atingiram o arqueiro com violência, mas Beleg endureceu todo o corpo utilizando sua resistência sobre-humana. Mesmo ferido, permaneceu firme.

Então respirou profundamente.

A tatuagem em suas costas brilhou intensamente, revelando a imagem completa de Valkaria, deusa dos aventureiros, irradiando luz dourada.

Beleg declarou:

— Valkaria, que minha flecha atravesse o medo e abra o caminho da liberdade!

Sua concentração tornou-se absoluta.

A primeira flecha atravessou o peito do demônio, marcando-o como sua presa.

Usando a técnica Emboscar, disparou uma segunda flecha antes que o inimigo pudesse reagir.

A terceira veio logo em seguida, rasgando novamente a carne demoníaca e obrigando Nove Dedos a recuar.

Mas havia uma armadilha.

As balas que haviam atingido Beleg explodiram repentinamente em seu corpo.

No mesmo instante, Nove Dedos realizou outro disparo, destinado a matá-lo.

Antes que o projétil o alcançasse, porém, a múmia mestra lançou-se diante do arqueiro.

O disparo atravessou o morto-vivo, poupando Beleg de um golpe fatal.

Sem perder tempo, o arqueiro escalou rapidamente uma construção usando sua agilidade. Lá do alto encontrou uma porta entreaberta que conduzia a um abrigo improvisado.

Diversos moradores de Yuvallin permaneciam escondidos ali, tentando sobreviver ao domínio purista.

Beleg ingeriu uma poção de Campo de Força, reforçando suas defesas.

Percebendo que Nove Dedos continuava em seu encalço, abandonou imediatamente aquele esconderijo, atravessou outra passagem estreita e desapareceu entre as construções.

O demônio vasculhou a região por vários minutos.

Sem conseguir encontrá-lo, desistiu da perseguição e foi embora.

Pouco depois, os caminhos finalmente voltaram a se cruzar.

Gyodai e Sir Finley chegaram diante de um gigantesco portão de ferro que parecia proteger uma das áreas centrais de Yuvallin.

Instantes depois, Beleg surgiu pelo lado oposto.

Kobta também emergiu silenciosamente das sombras do Distrito do Carvão.

No entanto, eles não estavam sozinhos.

À frente do grande portão aguardava uma verdadeira manada de Berbarams, espalhando calor sufocante por toda a praça. Entre eles, Nove Dedos reapareceu girando lentamente sua pistola enquanto sorria para Beleg.

O silêncio que se instalou durou apenas alguns segundos.

Todos perceberam a mesma coisa.

Aquele portão era importante demais para estar protegido apenas por aqueles inimigos.

Se a lógica dos puristas permanecesse a mesma, havia grandes chances de que um adversário muito mais poderoso estivesse esperando do outro lado.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Al Mirante



Antes de qualquer retirada, Kobta avistou o almirante voando a quase trinta metros de distância. Os cinco kobolds respiraram em uníssono enquanto seus olhos acompanhavam a trajetória do inimigo. Então, o ventanista marcou seu alvo.

O primeiro disparo encontrou exatamente o ponto vulnerável da armadura. O projétil de adamante atravessou a proteção metálica, arrancando um urro de dor que ecoou pelos céus. Enquanto o oficial tentava recuperar o equilíbrio, Kobta percebeu o broche preso ao peito de sua armadura.

Não era um simples capitão.

Era um almirante purista.

Sem desperdiçar um único instante, Kobta disparou novamente. A segunda bala o lançou para trás como se tivesse sido atingido por um aríete invisível. Antes mesmo que pudesse reagir, vieram o terceiro e o quarto tiros. Cada impacto empurrava o almirante cada vez mais para longe, até que o último projétil atravessou seu corpo e encerrou definitivamente sua vida. O cadáver despencou do céu enquanto a armadura fumegava, derrotada pela precisão quase sobrenatural do pistoleiro kobold.

Enquanto isso, isolado na Área de Tormenta, Gyodai continuava seu duelo contra Exarca.

O lefou encarou a criatura e, mesmo cercado pela influência de Aharadak, abriu um sorriso estranho antes de falar:

— Exarca... na minha última noite de sono eu tive um sonho. Vi um druida transformado em um louva-a-deus metálico, atacando com enormes pinças em forma de navalha. Não faço ideia do que isso significa... mas D.A.I.L.E.O.N., me ajude!

Logo após a estranha invocação, seus inúmeros membros aberrantes envolveram Exarca. Os braços extras prenderam a criatura com força suficiente para esmagar aço, enquanto seus punhos deformados desferiam uma sequência brutal de golpes. Exarca resistia como poucas criaturas conseguiam, suportando cada impacto graças à sua natureza lefeu.

A resposta veio imediatamente.

A criatura golpeou com sua adaga envenenada, mas Gyodai ergueu a mão envolta em energia e bradou:

— Que a própria realidade se curve diante da Tormenta! Campo de Força!

A lâmina ricocheteou na barreira mágica.

Exarca então tentou rasgar o lefou com suas garras, mas perdeu o equilíbrio durante o movimento. O erro foi suficiente para comprometer toda a sequência de ataques, desperdiçando a oportunidade de inverter o combate.

Do lado de fora do templo, Sir Finley continuava sabotando o gigantesco encouraçado voador. Observando cuidadosamente a estrutura interna do Corvo de Krauser, encontrou outra tubulação responsável por alimentar os mecanismos do navio.

Seu chicote de aço-rubi serpenteou pelo ar.

— Vamos ver se vocês gostam de um pouco de disciplina...

O Chicote Doutrinador da Cobra Crescente estalou violentamente, abrindo uma longa rachadura na tubulação.

Beleg percebeu imediatamente a abertura criada pelo companheiro. Ergueu seu arco de aço-rubi enquanto a tatuagem em suas costas irradiava luz dourada. A imagem completa de Valkaria, deusa dos aventureiros, manifestou-se como se observasse o arqueiro.

Beleg respirou fundo e declarou:

— Valkaria, guia minha mira. Que minha flecha abra o caminho daqueles que jamais deixam de avançar!

Sua concentração tornou-se absoluta.

A flecha atravessou exatamente a rachadura criada por Sir Finley e destruiu completamente a tubulação, fazendo energia mágica escapar em violentas explosões.

Kobta não desperdiçou a oportunidade. Assim que encontrou outra conexão estrutural, descarregou suas pistolas de adamante contra ela. As engrenagens explodiram, pedaços de metal voaram em todas as direções e outra parte vital do encouraçado foi destruída.

Dentro do templo de Aharadak, Gyodai aproveitou o desequilíbrio do adversário.

Mantendo Exarca firmemente agarrado com seus membros aberrantes, o lefou desferiu uma sequência devastadora de socos. Ossos se partiram, quitina rachou e, por fim, a criatura tombou sem vida.

Quando o manto negro escorregou de seu corpo, sua verdadeira forma foi revelada.

Exarca era um Reishid, uma criatura de aspecto insetoide, dotada de grandes asas membranosas e deformações típicas da Tormenta. Ainda assim, aos olhos de Gyodai, não era nem de longe tão monstruoso quanto ele próprio.

O lefou recolheu os espólios com calma.

Uma adaga da Tormenta.

Uma bolsa corrompida pelas energias lefeu.

Dentro dela, encontrou uma valiosa tornozeleira encantada.

Além disso, Exarca utilizava uma armadura completa reforçada, perfeitamente ajustada ao seu corpo, cuidadosamente polida e cravejada de gemas.

Todos aqueles equipamentos seriam levados para venda após o término da campanha militar.

Com o Corvo de Krauser agora reduzido a uma distração, Capitã Lislah apresentou a etapa seguinte da operação.

Não era possível utilizar teleporte para atravessar as barreiras mágicas que protegiam Yuvallin.

A única alternativa seria uma infiltração.

Enquanto o Corvo de Krauser atraísse a atenção das forças puristas, o Mariposa faria uma aproximação silenciosa. Dali, o grupo saltaria diretamente sobre a Fundição Central, a fonte de calor que mantinha toda a cidade funcionando.

Segundo a rede de inteligência de Lislah, um único homem coordenava toda a resistência purista dentro da cidade.

Seu nome era Príncipe Conrad Kor Kovith.

Um adversário cuja reputação bastava para preocupar até os veteranos mais experientes.

Sem hesitação, Beleg, Gyodai, Kobta e Sir Finley saltaram do convés do Mariposa.

Durante a queda, Kobta executou um de seus famosos truques de ventanista. Os cinco kobolds ocultos sob a manta desapareceram da vista de todos, criando a perfeita ilusão de invisibilidade enquanto desciam silenciosamente sobre a cidade.

Kobta pousou numa região conhecida como Jardim Estufa, onde enormes estruturas de vidro protegiam plantações cultivadas sob intenso calor artificial. O ambiente era abafado, tomado pelo vapor e pelo cheiro de terra úmida.

Fora das estufas caminhava um gigantesco constructo armado com diversos canhões, responsável por proteger toda aquela área estratégica.

Enquanto Kobta avaliava a situação, percebeu algo inquietante.

Não existia apenas um.

Outros constructos patrulhavam a região, realizando varreduras constantes entre as plantações.

Mesmo ocultos por sua invisibilidade ilusória, um dos autômatos interrompeu a patrulha.

Seus olhos artificiais brilharam em vermelho.

A cabeça metálica girou lentamente na direção exata onde Kobta se encontrava.

Os cinco kobolds trocaram olhares sob a manta.

Pela primeira vez naquela missão, alguém... ou alguma coisa... havia conseguido enxergá-los.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Corvo de Krauser


Após a destruição da Diligência Dracocérbera e um breve período de recuperação, o grupo finalmente conseguiu alguns momentos para reorganizar equipamentos, tratar ferimentos e recuperar parte do poder mágico consumido nas batalhas anteriores. O descanso foi curto, porque todos sabiam que ainda havia um último alvo nos céus de Yuvallin.

Sir Finley assumiu novamente o comando do Mariposa e conduziu o navio através das correntes de vento e das nuvens escuras que cobriam a região. Depois de algum tempo de perseguição silenciosa, ele finalmente localizou o último navio purista.

O Corvo de Krauser.

Diferente dos anteriores, ele não parecia apenas uma fortaleza voadora — parecia uma plataforma de guerra construída para esmagar cidades inteiras. Sua estrutura cilíndrica era envolta por dezenas de canhões distribuídos em todas as direções, além de dois hyper canhões que dominavam sua silhueta como presas gigantescas apontadas para o horizonte.

Kobta, Sir Finley e Beleg passaram alguns instantes estudando a embarcação e rapidamente definiram os objetivos necessários para derrubá-la: romper o invólucro mágico do balão, silenciar as baterias de canhões, destruir tubos e conexões que alimentavam os sistemas internos, profanar o templo de Aharadak escondido em seu interior e derrotar o Capitão Krauser.

Enquanto os outros planejavam, Gyodai permaneceu imóvel. Havia algo ali. Uma sensação familiar.

Seu olhar atravessou as estruturas metálicas do navio como se enxergasse além do aço e encontrou o que procurava.

Um templo dedicado a Aharadak.

Por um instante ele sentiu como se o próprio deus o observasse. Como se estivesse sendo chamado.

Kobta foi o primeiro a agir. Fez sua firula inspiradora para reforçar os próprios reflexos, bebeu uma poção de orientação, girou suas pistolas e disparou. A bala acertou diretamente um dos canhões do Corvo de Krauser e a explosão arrancou placas metálicas que caíram pelos céus.

Sir Finley tentou acompanhar o ataque usando sua pistola, mas o disparo passou raspando.

Beleg então deu um passo à frente. Ele ergueu seu arco de aço-rubi e puxou lentamente a corda. Nas suas costas, a tatuagem começou a brilhar.

A figura completa de Valkaria apareceu em luz dourada sobre sua pele — não apenas o rosto, mas o corpo inteiro da deusa dos aventureiros, imponente, como se guiasse seu braço.

Beleg murmurou:

— Valkaria… mostra onde devo abrir caminho. Concentração em Combate.

As flechas partiram numa sequência precisa e atingiram o canhão já danificado. O impacto quase o destruiu completamente.

A resposta veio imediatamente. O Corvo de Krauser abriu fogo. Sir Finley desviou com habilidade.

Beleg girou no ar e evitou os disparos.

Gyodai conjurou Campo de Força e absorveu quase toda a explosão, embora um fragmento ainda conseguisse atravessar sua defesa e abrir um corte superficial em seu rosto.

Kobta recebeu um impacto muito mais perigoso e precisou improvisar um Escudo da Fé através dos seus truques para sobreviver.

Sem perder ritmo, Kobta respondeu com novos disparos e destruiu outro canhão. Beleg acompanhou o ataque com novas flechas de aço-rubi.

Então o Corvo de Krauser executou uma manobra defensiva.

Toda sua estrutura girou lentamente, revelando uma segunda linha inteira de canhões preparados para disparar.

Kobta sorriu. Mirou. Atirou. Um dos hyper canhões explodiu.

Nesse momento, Gyodai abriu um portal dimensional e levou todos diretamente para dentro da embarcação.

Assim que surgiram, Sir Finley analisou rapidamente um dos mecanismos internos, encontrou um ponto vulnerável e atacou com o Chicote da Cobra Crescente. O golpe abriu rachaduras profundas na estrutura e permitiu que Beleg complementasse o dano com uma sequência de flechas.

Mesmo assim, os canhões restantes continuavam disparando. Lá fora, o Mariposa recebeu impactos violentos e começou a sofrer danos severos.

Kobta recarregou e continuou desativando baterias.

Gyodai conjurou Velocidade, abriu suas asas de barata e avançou como um projétil vivo. Seus múltiplos membros golpearam os mecanismos sem parar até destruir dois canhões praticamente sozinho.

Sir Finley avançou pelo convés usando seu chicote de aço-rubi da cobra crescente para romper mais estruturas.

Beleg ativou sua capa de Arsenal, ganhou altitude e destruiu outro canhão.

Foi então que Gyodai parou. Seus olhos se fixaram numa porta. Ele começou a caminhar. Nenhum dos outros conseguiu impedi-lo.

Entrou. Do outro lado havia Tormenta. Um templo pulsando como carne viva. Paredes que respiravam. Ar contaminado. E alguém esperando.

Exarca. O Arauto atacou imediatamente. O combate começou sem palavras. Exarca ergueu a mão e lançou Marca da Obediência.

Gyodai desprezou a realidade. Nada aconteceu. Exarca avançou com adaga, mordida e garras.

Gyodai respondeu conjurando Campo de Força e absorvendo os impactos. Kobta alcançou a entrada e tentou falar com ele.

Sem olhar para trás, Gyodai respondeu:

— Não entra. Isso aqui é comigo.

Então conjurou Punho de Mitral. Seu braço de ogro se revestiu de metal prateado. Ele atacou. Golpes rápidos. Sequências brutais.

Exarca foi atingido várias vezes, mas resistiu. Gyodai percebeu. Sorriu. Ao lado dos seus urubus mortos-vivos, encarou a criatura com entusiasmo.

Aquilo era um desafio digno. Lá fora, o combate continuava. Sir Finley e Beleg destruíram os últimos canhões. Foi quando a cabine principal se abriu.

O Capitão do Corvo de Krauser apareceu.

Um homem alto, cabelos longos, bigode branco e uma cicatriz atravessando o rosto. Vestia uma armadura tecnológica equipada com dois enormes canhões acoplados.

Ele apontou para Kobta. Mas Kobta foi mais rápido. Disparou. A bala de aço-rubi acertou em cheio e lançou Krauser para trás.

O capitão ativou propulsores e respondeu imediatamente. Um disparo foi interceptado por uma múmia sacrificada. O outro Kobta evitou rolando e usando Escudo Arcano.

Enquanto isso, dentro do templo, Exarca lançou Anular a Luz. Gyodai ignorou. A mordida falhou. Mas uma garra e a adaga encontraram espaço.

Campo de Força absorveu parte. Veneno entrou. Gyodai resistiu. Ainda assim sentiu seus músculos desacelerando. Exarca sorriu.

Gyodai sorriu de volta. Do lado de fora, Krauser preparava seus canhões. Do lado de dentro, Exarca mostrava as presas. 

Os dois confrontos épicos tinham apenas começado.