quinta-feira, 2 de julho de 2026

Corvo de Krauser


Após a destruição da Diligência Dracocérbera e um breve período de recuperação, o grupo finalmente conseguiu alguns momentos para reorganizar equipamentos, tratar ferimentos e recuperar parte do poder mágico consumido nas batalhas anteriores. O descanso foi curto, porque todos sabiam que ainda havia um último alvo nos céus de Yuvallin.

Sir Finley assumiu novamente o comando do Mariposa e conduziu o navio através das correntes de vento e das nuvens escuras que cobriam a região. Depois de algum tempo de perseguição silenciosa, ele finalmente localizou o último navio purista.

O Corvo de Krauser.

Diferente dos anteriores, ele não parecia apenas uma fortaleza voadora — parecia uma plataforma de guerra construída para esmagar cidades inteiras. Sua estrutura cilíndrica era envolta por dezenas de canhões distribuídos em todas as direções, além de dois hyper canhões que dominavam sua silhueta como presas gigantescas apontadas para o horizonte.

Kobta, Sir Finley e Beleg passaram alguns instantes estudando a embarcação e rapidamente definiram os objetivos necessários para derrubá-la: romper o invólucro mágico do balão, silenciar as baterias de canhões, destruir tubos e conexões que alimentavam os sistemas internos, profanar o templo de Aharadak escondido em seu interior e derrotar o Capitão Krauser.

Enquanto os outros planejavam, Gyodai permaneceu imóvel. Havia algo ali. Uma sensação familiar.

Seu olhar atravessou as estruturas metálicas do navio como se enxergasse além do aço e encontrou o que procurava.

Um templo dedicado a Aharadak.

Por um instante ele sentiu como se o próprio deus o observasse. Como se estivesse sendo chamado.

Kobta foi o primeiro a agir. Fez sua firula inspiradora para reforçar os próprios reflexos, bebeu uma poção de orientação, girou suas pistolas e disparou. A bala acertou diretamente um dos canhões do Corvo de Krauser e a explosão arrancou placas metálicas que caíram pelos céus.

Sir Finley tentou acompanhar o ataque usando sua pistola, mas o disparo passou raspando.

Beleg então deu um passo à frente. Ele ergueu seu arco de aço-rubi e puxou lentamente a corda. Nas suas costas, a tatuagem começou a brilhar.

A figura completa de Valkaria apareceu em luz dourada sobre sua pele — não apenas o rosto, mas o corpo inteiro da deusa dos aventureiros, imponente, como se guiasse seu braço.

Beleg murmurou:

— Valkaria… mostra onde devo abrir caminho. Concentração em Combate.

As flechas partiram numa sequência precisa e atingiram o canhão já danificado. O impacto quase o destruiu completamente.

A resposta veio imediatamente. O Corvo de Krauser abriu fogo. Sir Finley desviou com habilidade.

Beleg girou no ar e evitou os disparos.

Gyodai conjurou Campo de Força e absorveu quase toda a explosão, embora um fragmento ainda conseguisse atravessar sua defesa e abrir um corte superficial em seu rosto.

Kobta recebeu um impacto muito mais perigoso e precisou improvisar um Escudo da Fé através dos seus truques para sobreviver.

Sem perder ritmo, Kobta respondeu com novos disparos e destruiu outro canhão. Beleg acompanhou o ataque com novas flechas de aço-rubi.

Então o Corvo de Krauser executou uma manobra defensiva.

Toda sua estrutura girou lentamente, revelando uma segunda linha inteira de canhões preparados para disparar.

Kobta sorriu. Mirou. Atirou. Um dos hyper canhões explodiu.

Nesse momento, Gyodai abriu um portal dimensional e levou todos diretamente para dentro da embarcação.

Assim que surgiram, Sir Finley analisou rapidamente um dos mecanismos internos, encontrou um ponto vulnerável e atacou com o Chicote da Cobra Crescente. O golpe abriu rachaduras profundas na estrutura e permitiu que Beleg complementasse o dano com uma sequência de flechas.

Mesmo assim, os canhões restantes continuavam disparando. Lá fora, o Mariposa recebeu impactos violentos e começou a sofrer danos severos.

Kobta recarregou e continuou desativando baterias.

Gyodai conjurou Velocidade, abriu suas asas de barata e avançou como um projétil vivo. Seus múltiplos membros golpearam os mecanismos sem parar até destruir dois canhões praticamente sozinho.

Sir Finley avançou pelo convés usando seu chicote de aço-rubi da cobra crescente para romper mais estruturas.

Beleg ativou sua capa de Arsenal, ganhou altitude e destruiu outro canhão.

Foi então que Gyodai parou. Seus olhos se fixaram numa porta. Ele começou a caminhar. Nenhum dos outros conseguiu impedi-lo.

Entrou. Do outro lado havia Tormenta. Um templo pulsando como carne viva. Paredes que respiravam. Ar contaminado. E alguém esperando.

Exarca. O Arauto atacou imediatamente. O combate começou sem palavras. Exarca ergueu a mão e lançou Marca da Obediência.

Gyodai desprezou a realidade. Nada aconteceu. Exarca avançou com adaga, mordida e garras.

Gyodai respondeu conjurando Campo de Força e absorvendo os impactos. Kobta alcançou a entrada e tentou falar com ele.

Sem olhar para trás, Gyodai respondeu:

— Não entra. Isso aqui é comigo.

Então conjurou Punho de Mitral. Seu braço de ogro se revestiu de metal prateado. Ele atacou. Golpes rápidos. Sequências brutais.

Exarca foi atingido várias vezes, mas resistiu. Gyodai percebeu. Sorriu. Ao lado dos seus urubus mortos-vivos, encarou a criatura com entusiasmo.

Aquilo era um desafio digno. Lá fora, o combate continuava. Sir Finley e Beleg destruíram os últimos canhões. Foi quando a cabine principal se abriu.

O Capitão do Corvo de Krauser apareceu.

Um homem alto, cabelos longos, bigode branco e uma cicatriz atravessando o rosto. Vestia uma armadura tecnológica equipada com dois enormes canhões acoplados.

Ele apontou para Kobta. Mas Kobta foi mais rápido. Disparou. A bala de aço-rubi acertou em cheio e lançou Krauser para trás.

O capitão ativou propulsores e respondeu imediatamente. Um disparo foi interceptado por uma múmia sacrificada. O outro Kobta evitou rolando e usando Escudo Arcano.

Enquanto isso, dentro do templo, Exarca lançou Anular a Luz. Gyodai ignorou. A mordida falhou. Mas uma garra e a adaga encontraram espaço.

Campo de Força absorveu parte. Veneno entrou. Gyodai resistiu. Ainda assim sentiu seus músculos desacelerando. Exarca sorriu.

Gyodai sorriu de volta. Do lado de fora, Krauser preparava seus canhões. Do lado de dentro, Exarca mostrava as presas. 

Os dois confrontos épicos tinham apenas começado.