segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Arquemis B



Zanzertein,

Existe algo particularmente desagradável no cheiro da Tormenta pela manhã. Sangue, enxofre, metal derretido e aquela fumaça que parece ter saído diretamente das entranhas de Aharadak. Foi esse o perfume que nos recebeu quando avistamos Arquemis B espalhando sua fumaça densa pelo horizonte, uma monstruosidade mecânica que ameaçava Yuvalin. Lislah Céu Negro nos aguardava, pronta para conduzir o ataque. Antes de avançarmos, brindamos com nossas poções de Contato Extraplanar. Afinal, se iríamos enfrentar uma máquina capaz de destruir uma cidade, era melhor garantir que os planos de emergência incluíssem conversar com alguma coisa de outro mundo.

E então vimos o colosso de perto.

Arquemis B era extraordinário, no pior sentido possível. Seu corpo esquelético de adamante sustentava quatro braços monstruosos, repletos de espadas titânicas, canhões arcanos e armas suficientes para equipar um exército inteiro. Cada movimento fazia o metal ranger, enquanto fumaça e energia mágica escapavam de sua estrutura. Não parecia uma máquina construída para vencer batalhas. Parecia uma máquina construída para fazer com que não sobrasse ninguém para contar como elas terminaram.

Eu não pretendia facilitar o trabalho dela.

Liberei o máximo que podia de meus poderes da Tormenta e conjurei Concentração em Combate em Massa e Libertação em Massa, reforçando nossos corpos e preparando a Cobra Nova para resistir às atrocidades que estavam por vir. A energia rubra percorreu minha carapaça, e meus membros se agitaram, ansiosos por quebrar alguma coisa. Preferencialmente, alguma coisa enorme e muito difícil de consertar.

Kobta foi o primeiro a transformar aquela ansiedade em violência. Com suas pistolas em punho, executou suas firulas inspiradoras e eliminou três Inquisidores que cercavam o colosso. Em seguida, disparou uma bala de adamante diretamente contra o peito de Arquemis B. O projétil atingiu o alvo, mas o gigante sequer pareceu se importar.

Foi um péssimo sinal.

Sir Finley, sempre preparado para tornar a vida dos outros mais desagradável, envenenou as flechas de Beleg e bebeu uma poção de heroísmo para afastar o medo. Depois, ativou seu anel de invisibilidade. Enquanto isso, Arquemis B começou a avançar, e o chão pareceu reclamar a cada passo de sua estrutura colossal.

Beleg disparou com o Tenor, enquanto Kobta abriu fogo com seus Tiros de Sentinela. As flechas e balas atingiram pontos vitais do construto, mas o adamante absorveu os impactos sem que o colosso recuasse um único passo. Era como tentar empurrar uma montanha usando pedras e argumentos.

A resposta veio de seus canhões.

Arquemis B disparou Setas Infalíveis de Talude contra Beleg, mas Kobta ergueu seu Escudo da Fé e reduziu o impacto do ataque. Outro canhão se voltou para Sir Finley e lançou uma Flecha Ácida. O tabrachi esquivou-se com sua Evasão, escapando por pouco da substância corrosiva. Um segundo canhão disparou uma Lança Ígnea de Aleph, e um terceiro preparou uma Flecha Ácida e por fim um Raio Polar, lançando contra nós uma gigantesca esfera de gelo.

Por um instante, pareceu que o campo de batalha inteiro seria engolido por fogo, ácido e gelo.

Sir Finley, porém, foi favorecido pela mão de Valkaria. A deusa parecia conduzir seus movimentos, e a sorte o acompanhou de maneira quase absurda. Beleg tentou escapar da esfera congelante, mas falhou. A magia Libertação que eu havia conjurado impediu que ficasse preso, enquanto sua habilidade Durão e minha Resistência à Energia reduziram parte dos efeitos devastadores do impacto. Ainda assim, a explosão gelada nos atingiu com força suficiente para nos lembrar que nossos preparativos não nos tornavam invulneráveis.

Apenas um pouco mais difíceis de matar.

Beleg encontrou uma oportunidade entre os ataques e marcou o último Inquisidor que ainda permanecia à vista. A primeira flecha do Tenor rasgou o ombro do inimigo. A segunda atravessou sua cabeça, perfurando o crânio e encerrando sua participação na batalha. Pelo menos aquele desgraçado não precisaria assistir ao que viria depois.

Avancei contra Arquemis B e golpeei com meu Punho de Mitral. O resultado foi decepcionante: o colosso reduziu quase todo o dano causado pela energia mágica do ataque. Mas, quando passei a usar meus membros extras e golpeá-lo com as mãos nuas, consegui finalmente ferir sua estrutura. Aparentemente, até uma máquina de adamante tinha problemas para lidar com a maneira particular como a Tormenta reorganizou meu corpo.

Kobta recarregou suas pistolas e voltou a disparar. Sua bala de essência energética foi completamente ignorada pelo colosso, mas o segundo projétil de adamante atingiu seu ombro e explodiu contra a estrutura metálica. Pela primeira vez, conseguimos arrancar uma reação mais evidente da máquina.

Lislah e seus arcanistas aproveitaram a oportunidade. Sob uma chuva de ataques, concentraram seus esforços em um dos canhões arcanos e conseguiram destruí-lo. Sir Finley renovou os venenos nas flechas de Beleg e no meu Punho de Mitral, tentando também roubar a mana do construto, mas a tentativa falhou. Arquemis B não parecia disposto a compartilhar absolutamente nada conosco, nem mesmo sua energia.

Então o colosso ergueu sua espada titânica contra Beleg.

O golpe desceu com força suficiente para esmagar qualquer aventureiro comum. Beleg suportou o impacto graças à sua habilidade Durão e à proteção de sua armadura de adamante, mas o choque foi brutal. Antes que pudéssemos reagir, Arquemis B voltou sua atenção para Kobta e desferiu dois ataques violentos. Um deles acertou em cheio, fazendo os pequenos kobolds sofrerem sob o impacto, mas o Escudo da Fé amorteceu parte da força.

A máquina continuou disparando.

Setas Infalíveis de Talude e Flechas Ácidas foram lançadas contra Kobta, seguidas por outra Lança Ígnea de Aleph. Ele escapou do fogo com sua Evasão, mas mal teve tempo de recuperar o equilíbrio antes que o canhão do Raio Polar voltasse a disparar. A esfera de gelo explodiu contra nós, envolvendo o campo de batalha em uma onda de frio e destruição.

Não havia descanso. Não havia espaço para respirar. Cada vez que acreditávamos ter encontrado uma abertura, outra arma do colosso entrava em ação.

Arquemis B avançou para nos esmagar.

Seu corpo gigantesco desabou sobre nós como uma muralha de metal em movimento. Beleg e eu fomos atingidos pela força devastadora do ataque. Senti o impacto atravessar minha carapaça e sacudir todos os meus ossos. Meu corpo foi comprimido contra o chão, e o sangue escorreu pela minha boca enquanto a dor se espalhava por meus membros. Por um instante, tudo o que consegui sentir foi o peso absurdo daquela máquina tentando transformar meu corpo em mais uma mancha no campo de batalha.

Beleg também sofreu com o impacto. Seu corpo foi castigado pela força do colosso, e seus ferimentos ameaçavam comprometer sua capacidade de continuar lutando. Ainda assim, nenhum de nós desistiu. Não depois de tudo o que havíamos enfrentado. Não com Yuvalin dependendo de nossa vitória.

Enquanto nos recuperávamos, Lislah e os arcanistas conseguiram desabilitar outro canhão, desta vez o que disparava as Lanças Ígneas de Aleph. A cada arma destruída, Arquemis B perdia parte de sua capacidade de nos aniquilar, mas ainda continuava de pé, ameaçador e terrivelmente resistente.

Foi quando Beleg percebeu a oportunidade.

O seteiro posicionou o Tenor e apontou para o núcleo principal do colosso. Não disparou imediatamente. Esperou por mim.

Eu compreendi o que ele precisava.

Retirei minha manopla mágica, preparando-me para desferir mais um ataque com o Punho de Mitral. Mesmo sabendo que o adamante reduziria o efeito mágico do golpe, avancei com toda a força que ainda me restava. Eu precisava manter a atenção da máquina, abrir uma brecha e dar a Beleg a oportunidade de atingir seu verdadeiro ponto fraco.

Golpeei.

Arquemis B suportou o impacto, e meu ataque mágico foi novamente reduzido. Mas aquele golpe não precisava destruí-lo. Precisava apenas criar o instante de que Beleg necessitava.

O Tenor cantou.

A flecha de Beleg cruzou o campo de batalha e atingiu o núcleo principal de Arquemis B. O disparo penetrou sua estrutura e provocou uma reação imediata. Os mecanismos do colosso começaram a falhar, a energia acumulada em seu interior escapou pelas fissuras e seus quatro braços estremeceram. Por um instante, a máquina colossal pareceu hesitar, como se não pudesse compreender que algo tão pequeno fosse capaz de ameaçar sua existência.

Então o núcleo explodiu.

Uma onda de energia devastadora irrompeu de dentro de Arquemis B, envolvendo o colosso em uma explosão gigantesca. O metal se rompeu, as armas foram arremessadas e fragmentos de adamante voaram em todas as direções. A luz da detonação engoliu o campo de batalha, e o estrondo foi tão violento que perdi completamente a noção do que acontecia ao meu redor.

Eu havia enfrentado monstros, venenos, demônios e horrores da Tormenta. Já tinha sentido meu corpo ser rasgado e reconstruído vezes demais para contar. Mas, enquanto aquela explosão nos envolvia, uma única pergunta atravessou minha mente:

Será que a Cobra Nova sobreviveria à própria vitória?

Zanzertein, ainda não sei responder.

A última coisa de que me lembro é a luz consumindo tudo ao nosso redor. Arquemis B estava destruído, mas o preço daquela vitória ainda precisava ser revelado.

E, se existe uma coisa que aprendi em minha vida, é que destruir uma máquina capaz de arrasar uma cidade costuma ser a parte fácil.

Sobreviver à explosão é outra história.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Carta aos que esperam


Zanzertein,


Depois de destruirmos o Golem de Pedra, finalmente recuperamos o Fragmento do Coração Negro. Porém, ao deixarmos a câmara, percebemos algo inquietante: a presença do cristal provocava uma reação no Lodo Negro. Seus veios avermelhados começaram a pulsar, como se reconhecessem o fragmento. Aquilo confirmava que havia uma ligação entre os dois, embora ainda não soubéssemos qual era sua verdadeira natureza.

Antes de abandonarmos as ruínas, encontramos outra descoberta: as Tabuletas Mutagênicas. Kobta demonstrou um interesse instintivo pelo objeto, mesmo sem compreender sua finalidade ou o que ele poderia representar para seu futuro. Parecia que aquelas tabuletas despertavam algo nele.

Com o objetivo principal concluído, retornamos a Vectora para entregar o fragmento a Sir Milton. Mal tivemos tempo de pensar em descanso, entretanto, uma mensagem urgente de nossa aliada Lislah Céu Negro chegou até nós. Não era um pedido de ajuda pessoal, mas um alerta: Yuvalin estava novamente em perigo, e precisávamos retornar imediatamente para auxiliar na defesa da cidade.

Lislah também nos entregou algo importante: o diário pessoal de Ezequias.

Reunimo-nos ao redor de uma mesa e começamos a investigar os manuscritos. Eu, naturalmente, resolvi dar uma olhada em algumas páginas aleatórias e acabei me arrependendo. Certas palavras continham um efeito lefeu que invadiu minha mente, deixando-me momentaneamente ainda mais enlouquecido. Kobta, Sir Finley e Beleg ficaram alarmados ao me ver naquele estado. Para evitar que o mesmo acontecesse com eles, decidiram começar a leitura desde o início, tentando se habituar gradualmente à influência perturbadora dos escritos.

Após analisarem o diário, conseguiram decifrar o que Ezequias havia previsto: um ataque contra Yuvalin, realizado por uma poderosa máquina de combate, semelhante ao Kishin, o monstruoso artefato mecânico que Arsenal utilizava para destruir cidades.

A notícia mudou completamente nossos planos. Havíamos acabado de sobreviver aos horrores de Tyrondir, mas não teríamos tempo para comemorar a vitória. Yuvalin precisava de nós outra vez, e uma máquina capaz de devastar cidades estava prestes a ameaçar tudo o que ainda tentávamos proteger.


**A Cobra Nova teria de voltar à guerra.**


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Golem de Pedra


Para Zanzertein,

Kobta finalmente encontrou a entrada da masmorra escondida entre as ruínas, e entramos. Não demorou para que os primeiros Andarilhos do Pântano viessem nos recepcionar. As criaturas exalavam uma aura corrosiva, mas eu já havia preparado a Cobra Nova com Resistência a Energia, reduzindo os efeitos daquele ácido.

Beleg foi o primeiro a reagir. O Tenor cantou em suas mãos e uma flecha atravessou um dos Andarilhos com violência. A criatura, porém, avançou contra ele e atingiu seu braço com força suficiente para deixá-lo gravemente ferido. Outro tentou me atacar, mas Kobta ergueu seu Escudo da Fé e absorveu parte do impacto. Quando um terceiro avançou sobre Sir Finley, Kobta respondeu com um Tiro de Sentinela, lançando o monstro contra uma parede, que se despedaçou com o impacto. Finley aproveitou a oportunidade para envenenar as armas de Kobta.

Enquanto explorávamos a masmorra, Kobta avistou uma enorme estátua adiante, posicionada de maneira ameaçadora. Ainda não sabíamos o que era aquilo.

Os Andarilhos continuavam surgindo, mas Beleg transformou o corredor em um campo de execução. Uma flecha do Tenor atravessou um deles e o destruiu completamente. Outra flecha, outra criatura morta. Eu entrei na luta com meus poderes da Tormenta: Desprezar Realidade, Empunhadura Rubra, Visco Rubro, Velocidade em Massa e Concentração em Combate. Reforcei meus golpes com Punho de Mitral e destruí mais um dos monstros já enfraquecido pelas flechas de Beleg.

Mais criaturas apareceram. Kobta as arremessava contra as paredes com seus tiros, enquanto Sir Finley lutava mesmo depois de receber um golpe que quase o derrubou. O ladino levantou-se e respondeu com seu chicote, usando seu ataque furtivo para enfraquecer um dos Andarilhos. Em seguida, espalhou Peçonha Irritante pelas flechas de Beleg.

Foi então que decidimos descobrir o que aquela estátua realmente era.

Kobta disparou contra ela, fazendo-a recuar alguns metros. Aproveitei o momento para envolver Sir Finley com minha secreção cicatrizante, cobrindo seus ferimentos com o muco amarelado que rapidamente fechou suas lesões. Depois, invoquei Armamento da Natureza, abri minhas asas de barata e voei diretamente contra a estátua.

Agarrei a criatura.

Ela tentou resistir, mas eu a prendi com meus múltiplos membros e comecei a golpeá-la. Seus ataques mágicos pouco adiantavam contra mim. Outros Andarilhos tentaram me alcançar, mas Kobta os repeliu com seus disparos, enquanto Beleg interceptava aqueles que avançavam contra Finley.

Kobta recarregou suas pistolas e preparou um disparo especial. Finley continuou golpeando e envenenando os Andarilhos, enquanto Beleg fazia o Tenor cantar novamente, destruindo mais um inimigo com suas flechas.

Então tirei minha manopla, saquei minha orbe cristalina e deixei a Transformação de Guerra tomar conta do meu corpo.

Foi nesse momento que descobrimos a verdade.

Aquela não era uma estátua.

Era um Golem de Pedra.

E ele era muito mais forte do que parecia.

O monstro me atingiu com violência. No primeiro golpe, usei Desprezar Realidade para negar o impacto. No segundo, porém, sua força foi suficiente para destruir completamente a proteção que minha Transformação de Guerra me concedia. Mesmo assim, continuei de pé.

Sir Finley preparou sua Essência de Sombra e a aplicou ao meu Punho de Mitral. Depois, lançou esporos de cogumelo sobre o golem, usando sua habilidade de veneno persistente para afetá-lo apesar de sua resistência. A criatura ficou mais lenta.

E então o corredor se encheu de Andarilhos.

Vieram dezenas deles.

Não importava.

Kobta transformou suas pistolas energéticas em uma tempestade de projéteis. Beleg disparava flechas do Tenor sem dar aos monstros sequer tempo para respirar. Sir Finley fazia seu chicote cantar, espalhando veneno a cada golpe. As criaturas caíam umas sobre as outras, enquanto sangue e pedaços de carne se espalhavam pelo chão da masmorra.

Eu, porém, tinha apenas um alvo.

O Golem.

Reuni tudo o que ainda possuía: minha magia, minha força e a fúria da Tormenta. Avancei contra ele e descarreguei uma sequência brutal de golpes. Meus múltiplos braços golpearam a pedra repetidamente, cada impacto abrindo novas rachaduras.

Primeiro, uma fissura atravessou seu peito.

Depois outra.

Então a estrutura inteira começou a tremer.

Continuei golpeando até que o corpo do Golem finalmente não suportou mais. A pedra se rompeu em uma explosão violenta, espalhando centenas de fragmentos pelo corredor.

Quando a poeira baixou, encontramos aquilo que havíamos atravessado toda aquela maldita masmorra para buscar.

A rocha negra, o Fragmento do Coração Negro, estava diante de nós.

Depois de venenos, monstros, escuridão, Andarilhos e um Golem de Pedra, finalmente havíamos encontrado o que procurávamos.

Missão cumprida.




Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Estátuas no caminho



Zanzertein,

Depois da batalha contra o Elemental do Veneno, Sir Finley aproveitou os restos das criaturas e dos cogumelos para extrair suas essências venenosas, guardando tudo para usar em futuros combates. Seguimos pelas ruínas até encontrar algo ainda mais estranho: uma substância negra, semelhante a um redemoinho, escorrendo de uma árvore e exalando um forte cheiro de enxofre.

Beleg disparou uma flecha contra aquilo, mas ela simplesmente atravessou a escuridão. Kobta tentou descobrir uma possível fraqueza, mas percebeu que aquilo não era uma criatura. Quando me aproximei, a substância tentou sugar minha própria energia vital, causando uma forte dor. Por sorte, um pássaro que sobrevoava o local acabou sendo atingido pela escuridão e se desintegrou instantaneamente. Não precisamos de mais explicações: desviamos do caminho.

O problema é que encontramos outras poças semelhantes quilômetros adiante. E depois mais algumas. Aquele pântano estava literalmente espalhado de manchas de escuridão capazes de matar qualquer coisa que se aproximasse.

Seguimos com cuidado, enquanto Kobta usava seu truque de invisibilidade para reconhecer o terreno. Beleg avistou uma estátua segurando uma lança e destruiu-a com suas flechas. Sir Finley, sempre pensando no próximo combate, aplicou Peçonha Concentrada nas minhas manoplas e nas balas de Kobta.

Pouco depois, figuras encapuzadas surgiram. Kobta abriu fogo contra uma delas, mas o inimigo rebateu o disparo com uma cimitarra, utilizando uma técnica que chamou de Barreira de Lâminas. Beleg respondeu imediatamente com um Tiro de Sentinela, acertando o encapuzado e empurrando-o para trás. Kobta atingiu outro com seus disparos, enquanto eu avancei usando meus poderes da Tormenta, Velocidade e Punho de Mitral. Curiosamente, o veneno aplicado por Finley parecia causar mais estrago do que meus próprios socos.

Beleg acertou outro encapuzado e o lançou diretamente no lodo negro. A criatura foi consumida instantaneamente pela escuridão. Finley então preparou seu chicote com mais veneno e, quando outro inimigo se aproximou, uma única chicotada o deixou bastante ferido. Kobta completou o serviço com seus disparos, empurrando-o para dentro da poça negra.

Avancei voando com Kobta para reconhecer o caminho e foi então que uma Górgona invisível surgiu diante de nós. Kobta reagiu primeiro e seus disparos a lançaram para longe. Quando finalmente conseguimos enxergá-la, sentimos seu poder de petrificação tentando nos dominar, mas resistimos.

Beleg, voando e carregando Sir Finley, finalmente entendeu a origem das inúmeras estátuas que encontrávamos pelo caminho.

Enquanto Beleg e Kobta mantinham a Górgona sob uma chuva de disparos, eu e Finley eliminamos o último encapuzado. Depois, concentramos nossos ataques na criatura. Flechas e balas a mantiveram afastada até que, finalmente, a Górgona tombou desfalecida.

O caminho estava novamente livre, mas aquele lugar continuava ficando cada vez mais estranho. Entre o lodo negro, as estátuas petrificadas e aquelas criaturas encapuzadas, começávamos a perceber que as Ruínas de Tyrondir escondiam algo muito mais perigoso do que apenas monstros.

Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Carta de Gyodai para Zanzertein

 


Zanzertein,

Viajamos na nuvem voadora até as Ruínas de Tyrondir, onde uma colossal cratera denuncia o local da queda da Flecha de Fogo. Seguimos por um pântano repleto de árvores secas, cogumelos venenosos e vinhas traiçoeiras, enquanto o cheiro de enxofre tomava o ar.

Avancei como batedor e, após escapar de algumas vinhas, lancei Velocidade em Massa, deixando toda a Cobra Nova mais rápida. Um colugmelo gigante ainda tentou me envenenar com seus esporos, mas resisti, apesar de ficar mais lento. Logo encontramos os repugnantes Andarilhos do Pântano. Kobta destruiu um deles com seus disparos e, usando minhas asas de barata, carreguei-o para reconhecer o terreno.

Sir Finley preparou sua Peçonha Irritante, certeza que arrancaria de Sir Milton um olhar emocionado ao perceber como seu antigo discípulo havia se tornado habilidoso. Então Beleg sacou pela primeira vez o lendário Tenor. A serpente na extremidade do arco emitiu um chiado ameaçador, e sua aura parecia digna de um artefato divino. Seus primeiros disparos destruíram completamente dois Andarilhos.

Mais adiante, novos cogumelos nos atingiram com esporos, deixando-nos novamente lentos. Esmaguei um Andarilho com meus punhos da Tormenta, enquanto Sir Finley disparou sua bazuca contra outro, deixando apenas as pernas. Kobta terminou o último com uma sequência de disparos energéticos que abriu enormes feridas em seu corpo.

Foi então que Kobta percebeu algo terrível: o sangue verde, ácido e venenoso dos mortos começou a se juntar, formando uma criatura. Um Elemental do Veneno, semelhante às criaturas encontradas em Venomia, surgiu diante de nós.

A criatura nos engolfou. Tentei desprezar a realidade, mas seu veneno era tão poderoso que começou a corroer minha carapaça. Kobta conseguiu reduzir os efeitos com seu truque de Escudo da Fé. Mesmo feridos, reagimos. Usei o Devorador Carmesim para golpear o elemental, enquanto Kobta disparava sem parar. Beleg voou com sua Capa de Arsenal e transformou o Tenor em uma chuva de flechas contra a criatura. Sir Finley analisou o inimigo com a lembrança de Sir Milton e realizou seu ataque assassino, aplicando veneno até mesmo em uma criatura feita daquela mesma substância.

O elemental ainda conseguiu nos atingir novamente, atravessando nossas defesas e causando ferimentos graves. Mas a Cobra Nova não recua diante de um pouco de veneno.

Reunimos nossas forças para o ataque final. Meus punhos esmagaram a criatura, Beleg disparou várias flechas do Tenor, Sir Finley aplicou sua peçonha e Kobta descarregou suas pistolas energéticas. Finalmente, o elemental perdeu sua forma e desabou no chão, transformando-se em uma enorme poça de veneno.

O caminho estava novamente livre.

E, pelo que já havíamos encontrado, eu tinha a impressão de que as Ruínas de Tyrondir ainda guardavam coisas muito piores.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O Chamado de Tenor e o Fragmento do Coração Negro


Voltamos para nossa base em Yuvallin carregando a exaustão de uma guerra que parecia não ter fim. Havíamos derrotado Kor Kovith, destruído navios puristas e rompido parte do cerco que sufocava a cidade, mas a vitória estava longe de ser completa. Ezequias não havia sido encontrado. Quanto mais investigávamos, mais forte se tornava a suspeita de que ele tivesse sido sequestrado pelos puristas.

Mesmo sem seu líder, os puristas não se renderam.

A morte de Kor Kovith havia sido um golpe brutal contra suas forças, mas não fora suficiente para quebrar sua determinação. A guerra continuava, e Yuvallin ainda permanecia cercada por inimigos, segredos e desaparecimentos.

Os Cobra Nova precisavam descansar.

Foi durante esse breve período de repouso que Beleg teve um sonho.

Ou talvez não tivesse sido apenas um sonho.

Beleg se viu em um lugar onde não existia Yuvallin, guerra ou o som dos canhões. Tudo estava silencioso. Então, diante dele, surgiu uma presença conhecida.

Era Zanzertein.

O velho mago falou com a tranquilidade de alguém que continuava pesquisando os mistérios do mundo mesmo enquanto seus companheiros lutavam pela própria sobrevivência.

— Vi tuas lutas, tua dor e tuas preces a Valkaria. Venho lhe mostrar algo que pode mudar teu destino.

Beleg permaneceu em silêncio.

Zanzertein continuou:

— Venho em sonho, pois há escolhas que a alma deve fazer sozinha e porque existem verdades que só podem ser ouvidas quando o corpo descansa e o espírito escuta. Há um arco. Mas ele não é um arco comum. É uma obra de mestres perdidos, forjado com adamante e guiado pela canção da cobra que nunca errou um golpe.

A imagem começou a se formar diante de Beleg.

Um arco.

Seu corpo era feito de adamante, trabalhado com uma precisão impossível. Em sua estrutura havia uma serpente esculpida, e sua boca parecia estar aberta, como se estivesse prestes a cantar.

— Ele é a precisão em sua forma mais pura. Não falha. Não vacila. É como um tenor que alcança a nota exata no momento exato. Por isso o chamam de TENOR. Porque acerta sem falsete.

A cobra do arco começou a emitir uma melodia estranha.

Não era uma música comum.

Era uma canção que parecia encontrar seu próprio caminho através do vazio.

— Ele não é fácil de obter, Beleg, e não é destinado a qualquer seteiro. Ele escolhe aqueles que compreendem que a verdadeira liberdade vem do domínio de si mesmo e da superação dos próprios limites. A cobra em sua boca canta, e de sua canção nascem flechas que encontram o alvo onde outros enxergam apenas sombras e falhas.

Então o tom de Zanzertein mudou.

— Mas cuidado. Sszzas observa aqueles que buscam poder e precisão. Sabedoria sem virtude é veneno para a alma. Tu és seguidor de Valkaria, a deusa da liberdade, dos aventureiros e daqueles que trilham o próprio caminho. Esse arco será teu aliado apenas se tua intenção for pura, teu coração permanecer firme e tua mente continuar livre.

O arco permaneceu suspenso diante de Beleg.

Então veio a pergunta.

— Aceitarás o chamado de Tenor?

Beleg não hesitou. Ergueu a cabeça e respondeu:

— Com minha fé, com minha liberdade, com minha pontaria e com meu nome... ACEITO!

A voz ecoou pelo sonho. E, por um instante, Beleg viu a imagem de Valkaria, majestosa e livre, como se observasse aquela escolha.

Quando acordou, sabia que seu caminho havia mudado. Nos próximos dias um arco chamado Tenor seria alcançado por Beleg.

E ele agora havia respondido ao chamado.

Enquanto Beleg recebia em sonho a promessa de uma nova arma, os demais membros dos Cobra Nova aproveitavam o descanso para se preparar para os perigos que certamente viriam.

Gyodai apresentou suas novas aquisições com a satisfação de quem havia acabado de descobrir novas formas de esmagar seus inimigos.

Um Cinto da Força do Gigante, capaz de ampliar ainda mais sua já monstruosa capacidade física, e um par de Manoplas Energéticas Maciças de Aço-Rubi.

Gyodai havia dado um nome às manoplas.

Devorador Carmesim.

O aço-rubi refletia uma energia ameaçadora, e era fácil imaginar aqueles punhos atravessando armaduras, paredes e costelas quando Gyodai resolvesse partir para cima de alguém.

Sir Finley também havia se preparado.

Seu novo chicote era uma obra impressionante: equilibrado, formidável e feito de aço-rubi, uma arma digna de um assassino capaz de transformar um simples golpe em uma sentença de morte. Além disso, adquiriu Botas Velozes, um Tomo da Inteligência e um Brinco da Inteligência, expandindo ainda mais sua capacidade de analisar seus inimigos e agir antes que eles percebessem o perigo.

Kobta, por sua vez, investiu em equipamentos que combinavam perfeitamente com sua maneira imprevisível de lutar.

Adquiriu Pulseiras da Delicadeza e um novo par de Pistolas de Tambor, equipadas com miras telescópicas, além de serem pungentes, maciças e energéticas.

Era difícil saber o que assustava mais: a precisão das armas ou o fato de que, por trás delas, existiam cinco kobolds escondidos sob uma manta, discutindo entre si quem havia acertado o melhor tiro.

Beleg se apresentou já portando o arco Tenor.

Mas o descanso não duraria.

Sir Finley recebeu uma visita. Diante dele estava Sir Milton, seu antigo tutor e amigo, o homem que, no passado, havia reconhecido o talento do tabrachi e ajudado a moldar parte do guerreiro que ele se tornara.

Sir Milton tinha um pedido. Precisávamos recuperar um objeto. O Fragmento do Coração Negro. Era um pequeno cristal escuro, do tamanho da palma de uma mão, encontrado no interior das antigas Ruínas de Tyrondir.

O nome Tyrondir não era desconhecido. Aquele havia sido o nome de um antigo Lorde da Tormenta, derrotado pelo lendário herói de Arton, Sir Orion Drake, juntamente com seu exército de deuses.

A existência daquele fragmento levantava perguntas perigosas. Seria apenas uma relíquia? Um pedaço de uma criatura derrotada? Ou algo muito pior?

Sir Finley aceitou o chamado. Enquanto isso, longe dali, em Vectora, Zanzertein continuava trabalhando.

Gyodai havia providenciado uma pia de ouro para o mago, e Zanzertein utilizou aquele objeto em um de seus rituais de pesquisa. Concentrando sua energia arcana, ele conjurou uma magia destinada a encontrar respostas nas histórias esquecidas do mundo.

— “Que as memórias do mundo revelem aquilo que os séculos tentaram esconder...”

A magia Lendas e Histórias percorreu os segredos do passado.

Visões surgiram. Ruínas. Pântanos. Pedras antigas. E, finalmente, uma imagem se tornou clara. O Fragmento do Coração Negro estava escondido em uma masmorra localizada em um pântano, nas antigas Ruínas de Tyrondir.

Mas havia algo ainda mais importante. Aquela região era o local onde havia caído um meteoro conhecido como Flecha de Fogo.

Zanzertein encontrou o local. E agora nós tínhamos um novo destino. Enquanto Yuvallin continuava sofrendo com a guerra e Ezequias permanecia desaparecido, um novo mistério nos chamava.

Um cristal negro. As ruínas de Tyrondir, onde havia caído um meteoro chamado Flecha de Fogo. E eu, Gyodai Meduzan Okelamp, já tinha uma sensação muito ruim sobre tudo isso.

O que, naturalmente, significava que provavelmente seria muito divertido.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Príncipe Conrad




Depois de um longo hiato, voltei a sentir aquela velha sensação de estar exatamente onde deveria estar: no meio de uma carnificina. A manada de Berbarans ainda rugia diante de nós, coberta de fogo e ódio, mas já estava enfraquecida. Meus múltiplos membros avançaram como uma tempestade de golpes, enquanto o vampiro que havia invocado descia sobre as criaturas com sua espada longa e suas garras. Cada corte arrancava jorros de sangue incandescente dos monstros, e o chão começava a se transformar em uma mistura de terra, sangue e chamas.

Os Berbarans responderam com seus poderosos sopros. Finley desapareceu em um rolamento e simplesmente deixou as chamas passarem por onde estava. Eu não tive a mesma sorte. Ergui um Campo de Força no último instante, mas o fogo atravessou parcialmente minha defesa e envolveu meu corpo aberrante. Continuei queimando enquanto avançava. Quando aquelas bestas se prepararam para investir novamente contra mim, simplesmente desprezei a realidade. O ataque veio, mas o mundo decidiu que aquela violência não precisava acontecer comigo.

Finley, por sua vez, fez o que sabe fazer melhor. Seu chicote cortou o ar e encontrou a carne dos Berbarans, levando consigo uma dose generosa de seu veneno. Em seguida, lançou uma granada no meio da manada. A explosão fez os monstros gritarem, e o fogo de seus próprios corpos se misturou às chamas provocadas pela explosão. No fim, não havia mais uma manada. Havia apenas cadáveres queimados espalhados pelo chão.

Abri minhas asas de barata, agarrei Finley e saímos voando daquele inferno antes que alguma outra criatura resolvesse nos transformar em churrasco.

Finalmente, o grupo Cobra Nova estava reunido novamente. Bebemos poções, utilizamos o muco para fechar ferimentos e recuperamos o fôlego antes de seguir até os portões da Fundição Central de Yuvallin. O problema era que soldados Puristas patrulhavam a região. Não estávamos interessados em descobrir quantos soldados seriam necessários para nos transformar em peneiras, então preferimos a discrição.

Salto Dimensional.

Num instante estávamos diante dos portões e, no seguinte, já havíamos passado pela guarnição sem que percebessem nossa presença. Continuamos avançando pela parte de dentro da Fundição, até que começamos a ouvir gargalhadas. O ar ficou cada vez mais quente. O calor aumentava a cada passo, até que percebemos que estávamos nos aproximando da área principal da Fundição Central.

Uma sirene começou a tocar. Pessoas corriam desesperadas pelas ruas, tentando escapar daquele lugar. Kobta rapidamente percebeu que o sistema de alerta também interferia na conjuração de magias e tratou de sabotá-lo. Como sempre, quatro kobolds enrolados em uma manta conseguem fazer coisas que deveriam exigir uma equipe inteira de engenheiros.

Com o alarme comprometido, conjurei novamente o Salto Dimensional e transportei o grupo diretamente para dentro da Fundição Central.

Foi então que o encontramos.

O príncipe Conrad Kor Kovith nos aguardava.

Um Osteon completamente deformado pelas próprias convicções, cercado por escravos que trabalhavam sob um calor quase insuportável. As chamas da fundição iluminavam seus ossos enquanto ele nos observava como se tivéssemos acabado de entrar voluntariamente em uma armadilha.

E então ele começou a falar:

- “Minha mente não consegue compreender porque pequenos passarinhos saltitantes entraram de tão bom grado nesta gaiola. Por que desceram do céu ao inferno? Teriam se apaixonado por mim, o Príncipe? Sou tão puro, o mais puro de todos! Purguei minha própria carne nas chamas. Agora cantem, passarinhos. Cantem pela débil Kor Kovith e pela esplenderosa Supremacia. Cantem seus gritos de dor! O Príncipe irá dançar a música de vocês.”

Foi quando percebi que aquele maluco não estava apenas protegendo a fundição. Ele acreditava que aquele lugar era seu palco.

As Correntes de Labaredas de Ódio surgiram e avançaram contra Beleg. O arqueiro tentou escapar, mas Kobta ergueu seu truque de Escudo da Fé e conseguiu impedir que as chamas o ferissem gravemente. Ainda assim, as correntes envolveram Beleg e o prenderam.

Os soldados da fundição começaram a surgir de todos os lados.

Kobta bebeu uma poção de velocidade e realizou sua tradicional firula inspiradora antes de sacar a pistola. O primeiro disparo contra Kor Kovith passou longe do alvo, mas o segundo encontrou um soldado e o impacto do tiro lançou Kobta contra uma parede. Então eu ergui meus braços, e provei que sou um verdadeiro discípulo e filho de Anastácia, conjurando um poderoso feitiço de quarto círculo: "A Tormenta nos mantenham livres - LIBERTAÇÃO!"

Beleg não perdeu tempo. Bebeu sua poção de velocidade e ativou sua Concentração em Combate. A tatuagem em suas costas brilhou, revelando o rosto e o corpo de Valkaria, a deusa dos aventureiros. O arqueiro desapareceu em meio ao caos, emboscou um dos soldados e disparou uma flecha que atravessou sua testa. O homem caiu morto antes mesmo de compreender de onde havia vindo o ataque.

Enquanto isso, Sir Finley avançava na direção dos escravos. Em meio à batalha, ele não havia esquecido o verdadeiro motivo pelo qual estávamos naquela fundição.

Libertá-los.

Kor Kovith, porém, decidiu concentrar sua atenção em Kobta.

O Osteon surgiu diante dos kobolds e disparou contra eles em uma velocidade impressionante. O impacto atingiu seus ossos e os lançou para longe. Antes que pudessem se recuperar, Kor Kovith apareceu novamente diante deles e desferiu um golpe de espada envolto em trevas e chamas. A lâmina atingiu os kobolds e espalhou faíscas pelo chão.

Kobta respondeu.

Dessa vez, o disparo acertou em cheio o tórax do príncipe. A bala penetrou entre as costelas ósseas e o coice da pistola lançou Kor Kovith contra o outro lado da fundição.

Foi nesse momento que a arma amaldiçoada de Kobta tentou sussurrar seu veneno. Queria que os kobolds voltassem suas armas contra mim.

Mas Kobta resistiu.

Os quatro permaneceram unidos e, em vez de obedecer à arma, apontaram novamente suas pistolas para Kor Kovith. Uma sequência de disparos atingiu o Osteon e o lançou contra a parede, quebrando parte de seus ossos.

Eu também entrei na batalha.

Ativei meus poderes da Tormenta e conjurei Velocidade. Minha tatuagem de Pitágoras brilhou enquanto o Armamento da Natureza reforçava meus membros. Aquele combate já havia deixado de ser uma batalha comum. Era uma disputa entre tudo aquilo que Kor Kovith acreditava representar e tudo aquilo que nós havíamos vindo destruir.

Beleg encontrou uma abertura.

Sua flecha atravessou Kor Kovith com precisão brutal, deixando o príncipe ainda mais debilitado. O Osteon cambaleou, seus ossos rachados e seu corpo tomado pelos impactos.

Então Kobta terminou o serviço.

As quatro pistolas foram apontadas simultaneamente.

Os disparos ecoaram pela Fundição Central.

Uma vez.

Duas.

Várias vezes.

As balas atravessaram o corpo de Kor Kovith, quebrando costelas, destruindo articulações e despedaçando aquilo que restava de sua carne. O príncipe tentou permanecer de pé, mas seus ossos já não obedeciam.

Kor Kovith parou.

Completamente.

O grande líder purista da Fundição Central finalmente estava morto e destruído. 

E nós permanecíamos de pé.

A gaiola havia recebido seus primeiros pássaros.

Agora era a vez de Yuvallin cantar.

Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA.