Enquanto o restante do grupo enfrentava seus próprios desafios pelas ruas devastadas de Yuvallin, Gyodai assumiu a dianteira diante da enorme manada de Berbarams que bloqueava o acesso ao grande portão.
Sem hesitar, o lefou despertou todo o poder da Tormenta que corria por suas veias. Seus punhos foram revestidos pela Empunhadura Rubra, o Visco Rubro escorreu por seus múltiplos membros, sua mente passou a ignorar as limitações da realidade e, por fim, ele ergueu a voz.
— Que a Tormenta rompa os limites da carne! Velocidade em Massa!
Uma onda de energia acelerou seu companheiro anfíbio.
Logo em seguida, seus olhos fixaram-se na manada.
— Nenhum golpe será desperdiçado. Concentração em Combate!
Transformado em um borrão rubro, Gyodai mergulhou entre os elementais e desferiu uma sequência quase impossível de acompanhar. Seus inúmeros braços golpeavam sem cessar, atingindo pescoços, costelas e cabeças flamejantes. No entanto, para sua surpresa, as criaturas suportaram o ataque muito melhor do que imaginava. Apesar da violência dos golpes, a manada permanecia praticamente inteira.
Pela primeira vez naquele confronto, Gyodai percebeu o vigor extraordinário dos Berbarams.
Atrás dele, Sir Finley permaneceu calmo.
Enquanto o lefou mantinha os monstros ocupados, o tabrachi retirou frascos, ervas e venenos de sua bolsa alquímica. Cada substância era aplicada cuidadosamente sobre o Chicote Doutrinador da Cobra Crescente, preparando uma combinação letal para o momento em que os elementais finalmente se aproximassem.
A resposta da manada veio imediatamente.
Os Berbarams abaixaram suas enormes cabeças incandescentes e investiram juntos, transformando o solo numa avalanche de fogo e impacto.
Gyodai apenas sorriu.
Seu corpo tornou-se intocável.
As criaturas atravessaram sua posição enquanto ele simplesmente desprezava a realidade, fazendo a gigantesca investida fracassar completamente.
Muito distante dali, outro combate acontecia sobre os telhados de Yuvallin.
Assim que Nove Dedos surgiu entre as construções, Kobta reagiu sem pensar duas vezes. A pistola de adamante rugiu, mas, para o completo espanto dos cinco kobolds, a bala desacelerou poucos centímetros antes do demônio, perdeu completamente sua força e caiu no chão.
Por alguns instantes, todos permaneceram de boca aberta.
Aquilo simplesmente não fazia sentido.
Nove Dedos abriu um sorriso debochado.
Sacou sua pistola e respondeu imediatamente.
O primeiro disparo voou em direção a Beleg, mas a armadura polida do arqueiro refletiu intensamente a luz ao mesmo tempo em que sua Capa de Arsenal liberava um poderoso Escudo Arcano, desviando completamente o projétil.
O segundo tiro encontrou seu alvo.
Entretanto, antes que a bala pudesse atravessar Beleg, Kobta estendeu a mão.
Seu truque ventanista ergueu um Escudo da Fé, reduzindo drasticamente o impacto, enquanto o próprio arqueiro endurecia seu corpo utilizando seu lendário Durão.
Mesmo ferido, permaneceu firme.
Kobta então respirou fundo.
Executou sua tradicional Firula Inspiradora, ingeriu uma poção de velocidade e utilizou seus conhecimentos para analisar o inimigo.
Após poucos segundos de observação, finalmente compreendeu o motivo daquilo.
— Ele é imune a armas de fogo... também é imune a venenos... e ainda reduz quase todo o dano recebido...
Os cinco kobolds se entreolharam.
Então Kobta virou-se para Beleg.
— Me empresta um arco.
Sem dizer uma palavra, Beleg entregou sua arma reserva ao companheiro.
Em seguida, bebeu sua própria poção de velocidade.
Marcou Nove Dedos como sua presa.
A tatuagem em suas costas irradiou uma intensa luz dourada. A imagem completa de Valkaria, deusa dos aventureiros, surgiu como uma manifestação divina.
Beleg respirou profundamente.
— Valkaria, guia minha mira. Que cada flecha seja um passo rumo à liberdade!
A concentração tornou-se absoluta.
A primeira flecha atravessou o peito do demônio.
Utilizando Emboscar, Beleg disparou novamente antes mesmo que o inimigo pudesse reagir. O segundo disparo foi ainda mais devastador.
Nove Dedos soltou um grito de dor.
A terceira flecha rasgou novamente seu peito.
O demônio recuou cambaleando enquanto lançava uma sequência de impropérios contra o arqueiro.
Nesse instante, novos inimigos surgiram.
Constructos defensivos da cidade abriram fogo.
Um dos enormes canhões disparou contra Kobta.
Os cinco kobolds rolaram pelo chão quase como uma única criatura, reduzindo o impacto a um simples arranhão.
Outro constructo apontou seu canhão para Beleg.
O disparo atingiu violentamente seu flanco, acertando a região do rim. O arqueiro sentiu o sangue escorrer sob a armadura, mas permaneceu de pé.
Quando o segundo tiro veio em sua direção, a Capa de Arsenal respondeu mais uma vez, criando um poderoso Escudo Arcano que bloqueou completamente o impacto.
Enquanto isso, no jardim incendiado, Gyodai concentrou novamente suas energias.
— Que o aço responda ao chamado da Tormenta! Punho de Mitral!
Seu braço transformou-se no metal prateado de fio perfeito.
Logo depois, a tatuagem de Pitágoras brilhou intensamente.
— A própria natureza será minha arma! Armamento da Natureza!
Por um breve instante, porém, o lefou perdeu o ritmo do combate. Seus inúmeros membros se desencontraram e ele acabou ficando momentaneamente desprevenido.
Sir Finley aproveitou para agir.
Analisou cuidadosamente os Berbarams e encontrou seus pontos vulneráveis.
Seu chicote serpenteou pelo ar.
A Peçonha Anciã penetrou profundamente na essência flamejante da manada.
Outra chicotada atingiu novas criaturas, espalhando o veneno entre elas.
Os Berbarams responderam com outra investida devastadora.
A explosão da colisão seria suficiente para atingir tanto Gyodai quanto Sir Finley.
Mas, antes que isso acontecesse, um vulto mergulhou diante deles.
A múmia-urubu que acompanhava Gyodai lançou-se contra a manada, sacrificando completamente seu corpo para absorver a violência do impacto.
Graças ao fiel servo morto-vivo, seu mestre permaneceu ileso.
Nos telhados, as balas explosivas disparadas anteriormente finalmente detonaram no corpo de Beleg.
Mesmo suportando a dor, o arqueiro continuou firme.
Nove Dedos tentou aproveitar a oportunidade.
Abaixou-se para mirar novamente.
Mas o brilho refletido pela armadura de Beleg ofuscou sua visão, fazendo o disparo errar completamente.
Kobta largou o arco por um instante.
Sacou novamente suas pistolas.
Um disparo lançou um dos constructos para longe.
Outro tiro atingiu a máquina antes mesmo que ela pudesse se levantar, destruindo-a completamente.
Beleg voltou a disparar.
Inspirado pela luz de Valkaria, suas flechas atravessaram o corpo de Nove Dedos repetidas vezes.
Outro constructo revelou sua verdadeira natureza.
Tratava-se de uma gigantesca Bateria de Artilharia.
Antes mesmo que conseguisse carregar seu enorme canhão, Kobta foi mais rápido.
Seu disparo arrancou a máquina do chão e a lançou vários metros para trás.
No jardim, Gyodai continuava distribuindo golpes contra toda a manada de Berbarams.
Sir Finley então retirou um pequeno cilindro metálico.
Arremessou-o entre os elementais.
A granada explodiu silenciosamente.
Uma espessa Fumaça Onírica espalhou-se pela região.
Os Berbarams interromperam completamente seus movimentos, ficando fascinados pelas ilusões produzidas pela névoa.
Nove Dedos voltou a atirar.
Mais uma vez Kobta ergueu seu Escudo da Fé, reduzindo o impacto antes que Beleg utilizasse novamente seu Durão para suportar o restante do dano.
Em seguida, Kobta destruiu completamente a Bateria de Artilharia com mais dois disparos precisos.
Guardou então suas pistolas.
Apanhou novamente o arco emprestado por Beleg.
Respirou fundo.
Disparou.
A flecha encontrou o peito de Nove Dedos.
O demônio gritou de dor.
Beleg sorriu discretamente.
Sem lhe dar qualquer oportunidade de reação, disparou uma sequência devastadora de flechas. Os projéteis atravessaram coxas, quadris e glúteos do demônio, obrigando-o a cambalear sob a violência dos impactos.
Do outro lado da cidade, Gyodai retirou uma poção de orientação e bebeu seu conteúdo.
Logo depois abriu um pergaminho antigo.
— Que o sangue antigo desperte. Assobio Perigoso!
Das sombras surgiu um imponente vampiro.
Empunhando uma espada longa, a criatura avançou imediatamente contra a manada de Berbarams, alternando cortes precisos com ataques de suas garras.
Sir Finley acompanhou o ataque.
Seu chicote voltou a estalar enquanto pequenas esporas de cogumelos venenosos eram lançadas entre os elementais, tornando seus movimentos cada vez mais lentos.
Os Berbarams voltaram toda sua atenção para o vampiro invocado.
Conseguiram feri-lo levemente, mas sua postura imponente parecia intimidar até mesmo criaturas feitas de fogo.
Logo depois, lançaram uma gigantesca baforada flamejante contra Gyodai e Sir Finley.
Gyodai simplesmente ignorou o ataque.
Desprezar Realidade fez com que as chamas sequer o alcançassem.
Sir Finley atravessou a explosão com um elegante salto, escapando completamente graças à sua evasão.
Enquanto isso, Kobta finalmente encontrou a abertura perfeita.
Empunhando o arco, disparou uma sequência de flechas cada vez mais precisa.
A última delas atravessou o coração de Nove Dedos.
O demônio cambaleou.
Tentou erguer novamente sua pistola.
Mas seu corpo já não respondia.
Com um último grito de ódio, tombou definitivamente sobre os telhados de Yuvallin.
Gyodai tinha sua atenção para os Berbarams.
Concentrou novamente sua mente.
— Um golpe perfeito encerra qualquer batalha. Concentração em Combate!
Ele e o vampiro atacaram em perfeita sincronia, enquanto Sir Finley surgia pelas sombras para desferir um devastador golpe furtivo de chicote, seguido por mais uma granada alquímica.
A manada continuava sendo consumida lentamente por venenos, cortes e sucessivos impactos.
Quando tentaram reagir, voltaram-se contra o vampiro.
Entretanto, a imponência sobrenatural da criatura drenou completamente sua coragem.
Os Berbarams hesitaram.
E essa pequena hesitação talvez fosse exatamente o que os heróis precisavam para vencer aquele combate.
Texto por Roberto Oliveira.
Revisão por Leandro Carvalho.
Imagens geradas por IA.








