Antes de qualquer retirada, Kobta avistou o almirante voando a quase trinta metros de distância. Os cinco kobolds respiraram em uníssono enquanto seus olhos acompanhavam a trajetória do inimigo. Então, o ventanista marcou seu alvo.
O primeiro disparo encontrou exatamente o ponto vulnerável da armadura. O projétil de adamante atravessou a proteção metálica, arrancando um urro de dor que ecoou pelos céus. Enquanto o oficial tentava recuperar o equilíbrio, Kobta percebeu o broche preso ao peito de sua armadura.
Não era um simples capitão.
Era um almirante purista.
Sem desperdiçar um único instante, Kobta disparou novamente. A segunda bala o lançou para trás como se tivesse sido atingido por um aríete invisível. Antes mesmo que pudesse reagir, vieram o terceiro e o quarto tiros. Cada impacto empurrava o almirante cada vez mais para longe, até que o último projétil atravessou seu corpo e encerrou definitivamente sua vida. O cadáver despencou do céu enquanto a armadura fumegava, derrotada pela precisão quase sobrenatural do pistoleiro kobold.
Enquanto isso, isolado na Área de Tormenta, Gyodai continuava seu duelo contra Exarca.
O lefou encarou a criatura e, mesmo cercado pela influência de Aharadak, abriu um sorriso estranho antes de falar:
— Exarca... na minha última noite de sono eu tive um sonho. Vi um druida transformado em um louva-a-deus metálico, atacando com enormes pinças em forma de navalha. Não faço ideia do que isso significa... mas D.A.I.L.E.O.N., me ajude!
Logo após a estranha invocação, seus inúmeros membros aberrantes envolveram Exarca. Os braços extras prenderam a criatura com força suficiente para esmagar aço, enquanto seus punhos deformados desferiam uma sequência brutal de golpes. Exarca resistia como poucas criaturas conseguiam, suportando cada impacto graças à sua natureza lefeu.
A resposta veio imediatamente.
A criatura golpeou com sua adaga envenenada, mas Gyodai ergueu a mão envolta em energia e bradou:
— Que a própria realidade se curve diante da Tormenta! Campo de Força!
A lâmina ricocheteou na barreira mágica.
Exarca então tentou rasgar o lefou com suas garras, mas perdeu o equilíbrio durante o movimento. O erro foi suficiente para comprometer toda a sequência de ataques, desperdiçando a oportunidade de inverter o combate.
Do lado de fora do templo, Sir Finley continuava sabotando o gigantesco encouraçado voador. Observando cuidadosamente a estrutura interna do Corvo de Krauser, encontrou outra tubulação responsável por alimentar os mecanismos do navio.
Seu chicote de aço-rubi serpenteou pelo ar.
— Vamos ver se vocês gostam de um pouco de disciplina...
O Chicote Doutrinador da Cobra Crescente estalou violentamente, abrindo uma longa rachadura na tubulação.
Beleg percebeu imediatamente a abertura criada pelo companheiro. Ergueu seu arco de aço-rubi enquanto a tatuagem em suas costas irradiava luz dourada. A imagem completa de Valkaria, deusa dos aventureiros, manifestou-se como se observasse o arqueiro.
Beleg respirou fundo e declarou:
— Valkaria, guia minha mira. Que minha flecha abra o caminho daqueles que jamais deixam de avançar!
Sua concentração tornou-se absoluta.
A flecha atravessou exatamente a rachadura criada por Sir Finley e destruiu completamente a tubulação, fazendo energia mágica escapar em violentas explosões.
Kobta não desperdiçou a oportunidade. Assim que encontrou outra conexão estrutural, descarregou suas pistolas de adamante contra ela. As engrenagens explodiram, pedaços de metal voaram em todas as direções e outra parte vital do encouraçado foi destruída.
Dentro do templo de Aharadak, Gyodai aproveitou o desequilíbrio do adversário.
Mantendo Exarca firmemente agarrado com seus membros aberrantes, o lefou desferiu uma sequência devastadora de socos. Ossos se partiram, quitina rachou e, por fim, a criatura tombou sem vida.
Quando o manto negro escorregou de seu corpo, sua verdadeira forma foi revelada.
Exarca era um Reishid, uma criatura de aspecto insetoide, dotada de grandes asas membranosas e deformações típicas da Tormenta. Ainda assim, aos olhos de Gyodai, não era nem de longe tão monstruoso quanto ele próprio.
O lefou recolheu os espólios com calma.
Uma adaga da Tormenta.
Uma bolsa corrompida pelas energias lefeu.
Dentro dela, encontrou uma valiosa tornozeleira encantada.
Além disso, Exarca utilizava uma armadura completa reforçada, perfeitamente ajustada ao seu corpo, cuidadosamente polida e cravejada de gemas.
Todos aqueles equipamentos seriam levados para venda após o término da campanha militar.
Com o Corvo de Krauser agora reduzido a uma distração, Capitã Lislah apresentou a etapa seguinte da operação.
Não era possível utilizar teleporte para atravessar as barreiras mágicas que protegiam Yuvallin.
A única alternativa seria uma infiltração.
Enquanto o Corvo de Krauser atraísse a atenção das forças puristas, o Mariposa faria uma aproximação silenciosa. Dali, o grupo saltaria diretamente sobre a Fundição Central, a fonte de calor que mantinha toda a cidade funcionando.
Segundo a rede de inteligência de Lislah, um único homem coordenava toda a resistência purista dentro da cidade.
Seu nome era Príncipe Conrad Kor Kovith.
Um adversário cuja reputação bastava para preocupar até os veteranos mais experientes.
Sem hesitação, Beleg, Gyodai, Kobta e Sir Finley saltaram do convés do Mariposa.
Durante a queda, Kobta executou um de seus famosos truques de ventanista. Os cinco kobolds ocultos sob a manta desapareceram da vista de todos, criando a perfeita ilusão de invisibilidade enquanto desciam silenciosamente sobre a cidade.
Kobta pousou numa região conhecida como Jardim Estufa, onde enormes estruturas de vidro protegiam plantações cultivadas sob intenso calor artificial. O ambiente era abafado, tomado pelo vapor e pelo cheiro de terra úmida.
Fora das estufas caminhava um gigantesco constructo armado com diversos canhões, responsável por proteger toda aquela área estratégica.
Enquanto Kobta avaliava a situação, percebeu algo inquietante.
Não existia apenas um.
Outros constructos patrulhavam a região, realizando varreduras constantes entre as plantações.
Mesmo ocultos por sua invisibilidade ilusória, um dos autômatos interrompeu a patrulha.
Seus olhos artificiais brilharam em vermelho.
A cabeça metálica girou lentamente na direção exata onde Kobta se encontrava.
Os cinco kobolds trocaram olhares sob a manta.
Pela primeira vez naquela missão, alguém... ou alguma coisa... havia conseguido enxergá-los.
Texto por Roberto Oliveira.
Revisão por Leandro Carvalho.
Imagens geradas por IA.








