terça-feira, 19 de maio de 2026

Raios e hélices



A grande âncora rasgou os céus escuros como um arpão lançado por um titã morto. Correntes estremeceram no ar até se prenderem ao chão onde os heróis estavam. Então ele surgiu entre as nuvens de fumaça e pólvora: o Navio Mariposa.

Seu casco negro era iluminado apenas pela luz fosforescente de fantasmas animados voando pelo convés. Zumbis carregavam lanternas de chama verdeada enquanto goblins corriam entre cordas e canhões. Anões de armaduras sombrias ajustavam mecanismos de guerra, e no centro do navio erguia-se um pequeno templo de Tenebra, onde velas negras queimavam sem produzir calor.

Sir Finley estreitou os olhos anfíbios e deslizou a língua para fora num movimento rápido.

— “Que as sombras revelem o que a luz tenta esconder.”

Usando seus truques de ladino, ele simulou uma Visão Mística. Seus olhos ganharam um brilho azulado e passaram a enxergar rastros arcanos invisíveis no céu. Entre as correntes de vento e nuvens carregadas, ele finalmente encontrou o vulto distorcido dos navios puristas espectrais.

A perseguição começou imediatamente.

Sir Finley assumiu o leme do Mariposa enquanto Beleg permanecia no alto do mastro principal, observando o horizonte com olhar de falcão. O arqueiro apertou o arco contra o peito e respirou fundo.

— “Benhê… guia minha mira mais uma vez.”

A tatuagem do rosto de seu antigo companheiro brilhou em suas costas quando ele ativou sua Concentração em Combate. Seus olhos se aguçaram como os de uma águia predadora.

Foi então que o primeiro disparo veio.

Um relâmpago colossal atravessou as nuvens e explodiu contra o ar próximo ao navio. Sir Finley girou o leme violentamente e o Mariposa inclinou quase noventa graus no céu, desviando por muito pouco da descarga elétrica.

Kobta e Gyodai observavam atentamente o rastro invisível deixado pelo inimigo. O navio purista parecia surgir e desaparecer entre distorções mágicas.

Subitamente o Mariposa balançou com violência.

Glomer e Sir Finley foram jogados contra o convés. Outro disparo elétrico atingiu o casco e rachaduras começaram a surgir na madeira negra. Energia azul percorreu todo o navio.

Gyodai ergueu um dos braços monstruosos e rugiu:

— “A carne aberrante rejeita sua destruição!”

Um Campo de Força translúcido surgiu ao redor do lefou e absorveu parte da descarga.

Glomer estava gravemente ferido. Ossos rachados apareciam sob sua pele ressecada de osteon enquanto ele tentava desesperadamente enrolar bandagens em si mesmo. Com uma engenhoca improvisada, simulou um Campo de Força para evitar ser destruído naquele bombardeio.

Outro relâmpago veio logo em seguida.

O impacto fez o convés explodir em farpas e fogo azul.

Então Capitã Lislah ergueu sua mão envolta em sombras.

— “Tenebra, marque aqueles que ousam se esconder da noite.”

Uma runa negra surgiu ao longe, revelando finalmente o contorno espectral do navio purista.

O Hidra Helicóide.

Um monstruoso navio voador purista equipado com uma gigantesca hélice de mitral girando sob o casco. Raios multicoloridos escapavam de suas engrenagens enquanto canhões elétricos carregavam nova munição arcana.

Gyodai então abriu parte de sua carne aberrante. Um muco viscoso, fedorento e quente escorreu de seu corpo. A substância grotesca foi aplicada sobre os ferimentos de Glomer e Sir Finley, fechando parcialmente suas feridas.

Sem hesitar, Gyodai estalou os dedos.

— “O espaço se curva diante da evolução do Devorador.”

O Salto Dimensional rasgou o ar.

Gyodai, Kobta e Glomer apareceram instantaneamente sobre o convés do Hidra Helicóide.

No mesmo instante, Beleg puxou a corda do arco até o limite.

— “Benhê… que minha flecha encontre o coração da máquina.”

A tatuagem brilhou novamente.

A flecha de aço-rubi atravessou o céu como um meteoro vermelho e atingiu diretamente a hélice de mitral. O impacto arrancou placas metálicas e fez as engrenagens gritarem num som agudo e desesperador.

Os puristas responderam imediatamente.

Dois canhões dispararam relâmpagos diretamente contra Beleg e Sir Finley. O tabrachi saltou para o alto usando suas patas elásticas de sapo, ficando suspenso no ar enquanto a eletricidade passava abaixo dele.

Então o verdadeiro terror começou.

Centenas de braços mecânicos surgiram das laterais do Helicóide. Hélices afiadas giravam em velocidade absurda enquanto eram disparadas como enxames assassinos.

Gyodai, Glomer e Kobta mal tiveram tempo de reagir.

Os servos mortos-vivos se sacrificaram.

O urubu cadáver de Gyodai avançou primeiro e foi triturado instantaneamente pelas lâminas. As múmias de Kobta e Glomer se jogaram na frente dos golpes seguintes. Corpos ressequidos foram dilacerados, braços arrancados e torsos reduzidos a tiras ensanguentadas antes que as hélices finalmente perdessem força.

As lâminas começaram então a emitir uma luz multicolorida hipnótica.

Sir Finley arregalou os olhos.

Glomer parou completamente.

Ambos ficaram fascinados pela rotação impossível das hélices brilhantes.

Enquanto isso, Kobta desapareceu.

O pequeno amontoado de kobolds ativou seus truques ventanistas e tornou-se invisível. Movendo-se furtivamente entre engrenagens e tubulações, começou a arquitetar uma sabotagem nas máquinas do Helicóide.

Agora o caos dominava completamente os céus.

Gyodai precisava decidir se libertaria sua Legião Aberrante para massacrar os puristas ou se ajudaria Glomer a sair do transe hipnótico.

No Mariposa, Sir Finley permanecia hipnotizado pelas luzes das hélices enquanto Beleg apertava o arco com o coração pesado, lembrando-se da distância que o separava de Benhê.

E acima de todos eles, os céus da guerra rugiam como se Arton inteira estivesse prestes a desabar.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Yuvallin sitiada



Um pouco mais cedo, Gyodai Meduzan Okelamp reapareceu após um longo hiato em um templo dedicado a Aharadak. O local estava tomado por convertidos do Devorador, muitos deles lefou marcados pela Tormenta, criaturas que jamais encontraram pertencimento em lugar algum de Arton. Diante daquela multidão silenciosa, Gyodai ergueu sua voz grave enquanto o braço grotesco de orc mutante pulsava em carne rubra e veias negras.

— “Nós não somos lefeu. Também não somos humanóides. Não temos um lar para chamar de nosso. Aqueles que não nos entendem nos chamam de monstros… mas não somos servos de Megalokk. Somos filhos de Aharadak, o Devorador. E ele está mudando. Está aprendendo com Arton. Está deixando de ser apenas um horror sem rosto.”

Os recém-convertidos observavam em absoluto silêncio.

— “Nós não precisamos agir como feras irracionais. Não precisamos ser aquilo que esperam de nós. Vamos conquistar um lugar neste mundo. Um lugar nosso.”

Gyodai então ergueu o gigantesco braço mutante.

— “Vejam. Nem precisamos ser agressivos. Eu apenas levanto este braço… e multidões caem.”

Talvez fosse o peso da presença de Aharadak. Talvez fosse o cheiro de alguém que claramente não tomava banho há uma semana. Ninguém ousou comentar. Quando Gyodai terminou de falar, um silêncio absoluto dominou o templo. Muitos juraram que naquele instante o próprio Aharadak havia enviado um sinal divino.

***

Beleg teve uma aparição com equipamentos de defesa mais robustos. Uma armadura polida doada pelo Aric e um escudo pequeno de adamante.

Atravessarmos o front de guerra próximo de Yuvallin, vimos um cenário infernal. Fumaça negra cobria muralhas destruídas. Soldados nos reconheceram e imediatamente nos conduziram pelos subterrâneos da cidade.

Lá encontramos Capitã Lislah Céu Negro, clériga de Tenebra e comandante da resistência local. A mulher tinha olhos cansados de quem já vira muitas noites de guerra.

Ela explicou que Yuvallin sofria ataques constantes. Durante a noite, o massacre era muito pior.

Seu navio voador, o Mariposa, usava tecnologia semelhante ao Vento Vasto da Capitã Alurra. Porém, o verdadeiro terror eram os três Navios Espectros Invisíveis criados pelos puristas. Máquinas furtivas impossíveis de detectar, nem mesmo por magia. Eles simplesmente surgiam do nada, despejavam destruição e desapareciam outra vez.

Não havia como invadir Yuvallin diretamente.

Precisávamos agir como guerrilheiros.

Kobta imediatamente se ofereceu para bolar estratégias contra os navios invisíveis. Os cinco kobolds escondidos sob a manta discutiam rapidamente entre si enquanto carregavam pistolas, bacamartes e engenhocas improvisadas.

Partimos rumo às zonas devastadas próximas de Yuvallin. O clima era quente, seco e sufocante. O chão batido estava rachado pelos impactos dos bombardeios e o ar cheirava a pólvora, sangue e fumaça.

Lislah enviou alguns batedores à frente. De repente, uma explosão brutal tomou o caminho. Os soldados simplesmente desapareceram em pedaços de carne, armadura e ossos espalhados pelo terreno.

Então os inimigos surgiram.

Um enorme bando gnoll acompanhado por uma Matrona monstruosa avançou contra nós.

Gyodai abriu suas asas de barata da Tormenta e levantou voo ao lado de Kobta. Disparos vieram imediatamente na direção deles.

— “A carne falha… mas a Tormenta permanece.”

Gyodai conjurou Campo de Força e os projéteis explodiram contra a barreira invisível. Kobta desviava dos tiros com movimentos absurdos, usando sua evasão para escapar como uma sombra viva.

Então Gyodai ergueu as mãos e o ar começou a se distorcer.

— “Que o caos cegue seus caminhos.”

Uma Névoa Sólida tomou o campo de batalha. Os gnolls ficaram lentos, cegos e desorientados dentro da fumaça espessa.

Kobta sacou suas pistolas de tambor de adamante e disparou múltiplas vezes contra a Matrona. Os tiros causaram impactos violentos que empurravam a criatura para trás, mas sua resistência monstruosa absorvia boa parte do dano. Mesmo assim, as balas rasgaram sua pele e fizeram sangue escorrer pelo corpo musculoso.

Ao longe, Sir Finley avançava preparando seu canhão enquanto Beleg assumia posição elevada com o arco em mãos. A tatuagem nas costas do arqueiro começou a brilhar com o rosto de Benhê.

Beleg respirou fundo e seus olhos encontraram o alvo.

— “Benhê… guia minha mira mais uma vez.”

A Concentração em Combate tomou seu corpo. A primeira flecha cruzou o campo de batalha como um trovão e atravessou o ombro de um gnoll, arrancando carne e espalhando sangue pelo chão quente. Outra flecha veio logo em seguida, perfurando um segundo inimigo no abdômen e deixando vísceras balançando para fora.

A Matrona tomou uma poção e latiu ordens furiosas para o bando atacar Kobta.

Os gnolls avançaram pela névoa tentando alvejar os kobolds, mas a fumaça atrapalhava completamente os disparos. Quando um tiro finalmente parecia inevitável, Kobta ativou um Escudo Arcano improvisado e o impacto ricocheteou violentamente para o lado.

Gyodai desapareceu no meio da névoa.

Um instante depois surgiu atrás da Matrona.

— “Aharadak devora os fortes.”

Sob efeito de Velocidade, Gyodai agarrou a criatura e começou a golpeá-la com múltiplos membros deformados. Punhos, garras e cotovelos atingiam ao mesmo tempo. Ossos estalavam. A mandíbula da gnoll rachou enquanto dentes voavam ensanguentados pelo campo de batalha.

Ela apenas rosnava enquanto sangue escorria pelos cantos da boca.

Kobta aproveitou a abertura e disparou novamente. As cinco criaturas escondidas sob a manta descarregaram uma sequência absurda de tiros. O impacto das balas era tão brutal que a Matrona foi empurrada repetidas vezes para trás, afundando no chão batido enquanto o peito e os ombros eram perfurados.

Sir Finley então abriu uma fumaça onírica diante do bando gnoll.

Os inimigos pararam.

Confusos.

Hipnotizados.

A fumaça os envolvia enquanto seus olhos perdiam o foco.

A Matrona tentou reagir e latiu furiosamente contra Gyodai, tentando atrapalhar seus movimentos.

Gyodai respondeu da mesma forma.

Um soco monstruoso atingiu a mandíbula da criatura e arrancou vários dentes de uma vez. Fragmentos de osso e sangue explodiram no ar enquanto a cabeça da gnoll girava violentamente para o lado.

Kobta terminou o serviço.

Os múltiplos tiros perfuraram a Matrona tantas vezes que seu corpo parecia uma peneira ensanguentada. Sangue jorrava dos buracos enquanto ela finalmente desabava no chão, inconsciente e completamente destruída.

O restante do bando ainda permanecia fascinado.

Então Beleg puxou novamente a corda do arco. A tatuagem de Benhê voltou a brilhar intensamente em suas costas.

“Benhê nunca errava. Eu também não.”

A flecha partiu como uma sentença de morte. O disparo atravessou um gnoll no peito, explodindo parte de suas costas em carne dilacerada. Ao verem a líder caída e aquele massacre absoluto, os restantes finalmente perderam a coragem.

Renderam-se.

Após o combate, um dos Kobtas retirou um cálice consagrado de Arsenal. Ele despejou essência de mana no recipiente e ativou suas engenhocas alquímicas. O cálice brilhou intensamente e uma onda de vigor percorreu os aliados, restaurando parte de suas energias mágicas enquanto a guerra por Yuvallin apenas começava.



terça-feira, 5 de maio de 2026

A QUEDA DE AARON SAUER 🔥




Aaron Sauer não recuou em nenhum momento. Assim que sacou o florete, avançou direto sobre Zanzertein Karameikos com precisão mortal, mirando um golpe que encerraria o combate ali mesmo. O elfo reagiu no instante exato; uma barreira invisível surgiu entre lâmina e carne.

— “A realidade dobra antes que a lâmina toque.”

O impacto reverberou no Campo de Força, e no mesmo movimento Zanzertein desapareceu do alcance imediato.

— “Onde estou não é onde fui… e onde fui já não importa.”

O Salto Dimensional o reposicionou, mas Aaron não perdeu tempo. Girou, atravessou as imagens ilusórias de Aric como se fossem vidro e reapareceu diante do mago com um segundo ataque ainda mais preciso. O golpe vinha perfeito, calculado para atravessar defesas e matar.

A lâmina encontrou carne.

Mas não a que ele esperava.

A múmia de Zanzertein se lançou na frente no último instante. O impacto rasgou seu corpo ressecado, ossos estilhaçaram e fragmentos foram lançados ao ar, mas o golpe fatal foi absorvido. O mago permaneceu vivo.

Aaron recuou apenas o suficiente para aceitar uma poção entregue por um aliado. Seus músculos tensionaram, sua postura mudou; havia algo novo ali, algum reforço que o tornava ainda mais perigoso.

Enquanto isso, o restante do campo de batalha se resolvia com brutalidade.

Larson ainda permanecia preso à fascinação de Jalin, completamente vulnerável. Bolgg não desperdiçou a oportunidade. Avançou e cravou sua espada executora diretamente no peito do capitão, atravessando carne, ossos e saindo pelas costas. O sangue jorrou quente, cobrindo a lâmina e o braço do bárbaro. O corpo tombou sem reação. Bolgg puxou a espada de volta e, sem qualquer cerimônia, passou a língua pelo aço ensanguentado.

Ao redor, piratas tentavam conter Brawar, conseguindo apenas danificar sua picareta enquanto eram esmagados em resposta. Os canhões do navio voltaram a rugir; projéteis cortaram o ar em direção ao grupo. Jalin se esquivou com agilidade, enquanto Bolgg simplesmente recebeu o impacto sem recuar, sua resistência absorvendo a maior parte da força.

Jalin respondeu com um disparo certeiro, atingindo Capitã Alurra ainda atordoada, mantendo-a fora de combate por mais tempo.

Foi então que Aric avançou.

Não havia hesitação, não havia estratégia refinada naquele momento — apenas execução. Sua espada de adamante descreveu cortes rápidos e brutais, atingindo Aaron repetidas vezes. O purista ainda tentou resistir, usando sua experiência para reduzir o impacto dos golpes, desviando o que podia, suportando o restante. Mas Aric não parou. Cada ataque abria mais carne, mais sangue, mais falhas na defesa.

Até que o corpo de Aaron falhou.

A respiração cessou.

E ele caiu.

Sem cerimônia, sem últimas palavras, apenas morto no convés que começava a ruir.

Zanzertein não perdeu tempo. Assim que a morte se confirmou, ergueu a mão e rasgou o espaço mais uma vez.

— “Distâncias são ilusões quando a vontade é absoluta.”

O Salto Dimensional levou ele, Aric e o corpo de Aaron para longe no instante seguinte. Logo após o desaparecimento, o navio explodiu em uma onda de fogo e destroços, consumindo o que restava da tripulação. Brawar continuou lutando entre as chamas até ser destruído junto dos inimigos.

Mas o combate ainda não havia terminado.

Anastácia ergueu a mão e invocou sua magia com precisão fria.

— “Dos ossos esquecidos… levanta-te para o terror.”

O Crânio Voador de Vladslavi avançou e se chocou contra Larson, espalhando energia sombria que corroeu sua coragem e o lançou ao pânico. Ainda assim, ele conseguiu reagir e disparar contra Bolgg. O tiro abriu carne, mas não foi suficiente para deter o bárbaro.

Bolgg avançou.

Sem pressa.

Sem dúvida.

E Larson percebeu tarde demais que aquele seria seu fim.

O retorno a Vectora foi marcado por silêncio e propósito. O corpo de Aaron Sauer não seria enterrado.

Seria utilizado.

Zanzertein iniciou o ritual diante dos aliados.

— “A morte não é o fim… é obediência sem escolha.”

O cadáver se contorceu, reagindo à magia, até se erguer novamente, agora sem vontade própria. A antiga mente brilhante dos puristas havia se tornado apenas mais uma ferramenta.

Enquanto isso, Dermug trabalhava sobre o Parvatar, entoando cânticos antigos que ecoavam com o poder dos elementos. Zanzertein auxiliou, canalizando energia arcana diretamente no artefato. Aos poucos, o poder retornou. Fogo, terra, ar e água voltaram a responder.

O Parvatar estava completo novamente.

Pronto para o que viria.

As despedidas foram rápidas. Raisenzan observou em silêncio, como se já soubesse o desfecho daquele caminho.

E então, partiram.

Não os mesmos heróis, mas ainda assim, heróis.

Quando alcançaram Yuvallin, não encontraram a cidade que haviam deixado para trás. O que viram foi um território ocupado. Exércitos puristas marchavam pelas ruas, máquinas de guerra avançavam e bandeiras inimigas dominavam o horizonte.

A guerra não era mais uma ameaça distante.

Ela já havia começado.

E desta vez, não havia retorno.


Texto por Roberto Oliveira.

Revisão por Leandro Carvalho.

Imagens geradas por IA. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O Confronto nos céus

 



As correntes de vento das Uivantes rugiam ao redor do grupo enquanto eles voavam de volta para Vectora. A grande nuvem de tempestade à frente parecia distorcer o próprio espaço. À medida que se aproximavam, todos sentiram a gravidade vacilar, como se o mundo estivesse sendo puxado por forças invisíveis.

Foi então que o gigantesco navio voador surgiu no horizonte.

O Vento Vasto.

O navio da capitã Alurra flutuava entre as nuvens como uma fortaleza armada, seus canhões já apontados para os heróis.

Mas não era apenas o navio que emanava poder.

Duas presenças divinas observavam o campo de batalha.

A majestade imponente de Valkaria e a aura implacável de Arsenal pairavam sobre o confronto. Ambos eram deuses da guerra, mas naquele momento suas influências se entrelaçavam como duas lâminas cruzadas observando o destino dos mortais.

Bolgg cerrou os dentes.

Ele podia sentir.

Uma aura benéfica emanava de Arsenal… fortalecendo os puristas que os aguardavam.

Do convés do navio, uma voz ecoou pelo vento.

Aaron Sauer.

O líder purista ergueu a mão e gritou:

— Entreguem o artefato Parvatar… ou serão destruídos!

A resposta veio em forma de pólvora.

Os canhões do Vento Vasto dispararam.

As explosões ecoaram pelo céu. Aric e Jalin mergulharam no ar com movimentos impossíveis, usando sua evasão aprimorada para escapar dos projéteis. Zanzertein e Anastácia ergueram campos de energia simultaneamente campos de energia.

“Que o vazio entre os planos seja minha muralha.”

Os Campos de Força absorveram o impacto das explosões.

Bolgg não se moveu.

O bárbaro simplesmente ergueu o corpo colossal e recebeu um dos projéteis contra o peito. A explosão o empurrou para trás, mas ele permaneceu voando, como uma montanha que se recusava a cair.

Aric então girou no ar com elegância.

Sua firula inspiradora elevou o moral do grupo enquanto ele rapidamente bebia uma sequência de poções — carisma, velocidade — e então murmurou:

“Reflexos multiplicados, confundam meus inimigos.”

Várias cópias ilusórias surgiram ao redor dele com Imagem Espelhada. Em seguida ele focou o olhar e concluiu:

“Cada golpe encontrará seu destino.”

Era Concentração de Combate.

Tudo isso em um único surto heroico.

Jalin não ficou atrás.

O bardo-sátiro ergueu sua capa ao vento, bebeu uma poção de velocidade e anunciou:

— Senhoras, senhores e piratas… o espetáculo vai começar!

Sua Introdução Calorosa ecoou como música de guerra enquanto sua inspiração se espalhava pelos aliados.

Zanzertein levou dois dedos aos lábios e executou um assobio agudo.

“Desperte, máquina de guerra da ordem.”

O Assobio Perigoso abriu um rasgo no ar e dele surgiu Brawar, um poderoso construto de adamante empunhando uma picareta colossal. A criatura avançou imediatamente contra Larson, esmagando o ar com seus golpes.

Com um gesto simples, Zanzertein completou:

“Que os céus se tornem nosso campo de batalha.”

A magia Voo envolveu seus aliados — e também Brawar.

Enquanto isso, Anastácia mergulhou nas sombras.

“Que a morte marche ao meu lado.”

Seu Manto das Sombras a envolveu enquanto ela conjurava Invocar Mortos-Vivos. Fúrias espectrais de Tauron emergiram do vazio, avançando para a batalha com gritos de guerra etéreos.

Um disparo ecoou do convés do Vento Vasto.

Uma bala veio direto para Aric.

Mas o bucaneiro já havia percebido. Ele desviou no último segundo e o projétil atravessou apenas duas de suas imagens ilusórias.

Logo depois, piratas começaram a voar até os heróis, armas erguidas.

Bolgg foi cercado.

Golpes de sabre atingiram sua armadura, amassando placas metálicas.

Zanzertein ignorou completamente os ataques.

“Minha vontade é uma fortaleza.”

Outro Campo de Força absorveu os impactos.

Então a própria capitã Alurra entrou no combate.

Seu disparo encontrou Jalin.

Mas Zanzertein reagiu instantaneamente.

“Que a queda seja suave como pluma.”

A magia Queda Suave diminuiu o impacto do tiro.

Bolgg respondeu com pura brutalidade.

Em fúria, ele ergueu sua espada executora e golpeou os piratas com força monstruosa. Ossos estalaram, corpos foram partidos e sangue começou a espalhar-se pelo ar das Uivantes.

Os canhões do Vento Vasto dispararam novamente.

Explosões rasgaram o céu.

Aric avançou em meio ao caos.

Com Engarde, ele mergulhou entre os piratas e desferiu uma sequência de ataques devastadores. Sua espada executora rasgou carne, quebrou ossos e abriu gargantas.

Então ativou Remise.

Girou novamente.

Outro arco de aço atravessou os inimigos.

Quando Bolgg e Aric terminaram, os piratas que os cercavam já estavam mutilados e caindo das nuvens em pedaços.

Larson tentou atacar Brawar, mas o construto desviou. O purista então gritou palavras de guerra, fortalecendo seus aliados.

Zanzertein ergueu o Olho de Sszzas.

“Se a sombra é poder… eu também a dominarei.”

Ele emulou o Manto das Sombras de Anastácia e logo em seguida invocou outra magia.

“Que a fortuna sorria aos justos.”

A Benção de Wynna fortaleceu todos os aliados.

Brawar continuava duelando violentamente com Larson.

Anastácia ordenou que seus mortos-vivos avançassem contra Alurra e então lançou outra magia.

“Que a névoa oculte nossos movimentos.”

Uma densa Névoa envolveu o campo de batalha, dificultando tiros vindos do navio.

Mesmo assim, um atirador distante conseguiu mirar em Jalin.

O sátiro invocou uma serpente aliada.

A cobra saltou na frente da bala e foi despedaçada pelo impacto.

Outra bala atingiu Jalin no corpo.

Mesmo ferido, ele continuou tocando e inspirando seus aliados.

Alurra então disparou novamente, desta vez contra Bolgg.

Zanzertein ergueu seu cajado.

“Que o futuro revele o golpe antes que ele aconteça.”

A magia Premonição se manifestou como serpentes espectrais que envolveram o campo de batalha. Uma delas deslizou até Alurra e desviou levemente a trajetória de sua bala.

O tiro apenas arranhou Bolgg.

O bárbaro respondeu.

Com um único golpe brutal de sua espada executora, ele atingiu a capitã.

A lâmina atravessou a pele lisa e sedutora de Alurra.

Sangue jorrou pelo ar.

O golpe foi tão violento que decepou completamente um de seus seios, que caiu girando no vento enquanto a capitã gritava de dor.

Jalin não perdeu a oportunidade.

Ele disparou sua pistola.

A bala atingiu Alurra e a deixou atordoada.

Em seguida o bardo começou uma melodia hipnótica.

Larson parou no meio da luta.

Fascinado pela música.

Zanzertein então invocou mais um poder.

“Serpente sagrada, proteja aqueles que lutam ao meu lado.”

Uma criatura espiritual surgiu — o Guardião Divino de Sszzas — e envolveu Jalin com energia restauradora.

Sem perder tempo, Zanzertein abriu um rasgo dimensional.

“Que o espaço se dobre diante de mim.”

Com Salto Dimensional, ele apareceu diretamente no convés do Vento Vasto.

Ali estava Aaron Sauer.

Aric também avançou contra ele.

Com sua espada executora de adamante, o bucaneiro desferiu golpes devastadores contra o líder purista. Usando novamente seu Surto Heroico, ele girou em outro arco de ataques que abriu ferimentos profundos no corpo de Sauer, seu intestino delgado e grosso já saltavam para fora, rins e pancreas recebiam a luz de Azgher pela primeira vez. Os intestinos cortados, vazaram parte da comida digerida e um forte cheiro fétido se exalava pelo ar.

Antes que o inimigo pudesse reagir, Aric sussurrou novamente:

“Multipliquem-se, reflexos ilusórios.”

Suas Imagens Espelhadas retornaram, prontas para confundir qualquer contra-ataque.

O verdadeiro duelo pelo destino de Parvatar estava apenas começando.

E os deuses ainda observavam. ⚔️🔥


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Urso Rubro

 



O gigantesco urso rubro avançou pelo templo de gelo com passos pesados que faziam o chão tremer. A corrupção da Tormenta pulsava sob sua pelagem avermelhada como veias vivas de energia caótica. Seus olhos brilhavam com uma fúria alienígena enquanto ele erguia a cabeça e soltava um rosnado profundo que ecoou por toda a caverna.

O rugido carregava magia.

“Que o véu da feitiçaria se desfaça!”

O urso lançou Dissipar Magia diretamente contra Zanzertein. Contudo, a energia arcana colidiu contra a barreira luminosa do Globo de Invulnerabilidade e se desfez em fragmentos de luz antes de alcançar o mago.

Jalin aproveitou o momento. Girou dramaticamente sua capa esvoaçante e transformou o movimento em parte de sua performance.

“Até a fúria pode parar para ouvir!”

Sua magia de Fascinar envolveu um dos ursos brancos, que ficou imóvel, hipnotizado pelo espetáculo do sátiro.

Enquanto isso, Aric avançou com determinação. Antes de atacar, bebeu uma poção de Mente Divina, fortalecendo sua presença e confiança. Em seguida investiu contra o urso rubro com sua espada executora de adamante.

O primeiro golpe abriu o peito da criatura com violência, rasgando pele e músculos espessos. Sem perder o ritmo, Aric ativou sua técnica de Remise e desferiu um segundo golpe quase instantâneo. A lâmina atravessou ainda mais profundamente o tórax da criatura, e as vísceras do urso começaram a saltar para fora do corpo, escorregando pela pelagem ensanguentada.

Um dos ursos brancos tentou lançar uma magia de cura para recuperar suas forças, mas Zanzertein ergueu a mão e interrompeu o feitiço com uma contramágica precisa. O urso recuou, conseguindo se curar apenas quando já estava mais distante da batalha.

Zanzertein então levou os dedos aos lábios e executou o Assobio Perigoso.

Do nada surgiu um colossal autômato de guerra: um Colosso Purista. A máquina avançou imediatamente contra o urso rubro, desferindo golpes devastadores com sua espada titânica. Suas balistas montadas nos ombros dispararam projéteis pesados, e um dos tiros veio perigosamente na direção de Jalin. O bardo reagiu erguendo um Campo de Força, bloqueando o impacto. Em seguida o colosso ativou seu lança-chamas, cuspindo fogo sobre os ursos à sua frente.

Zanzertein aproveitou a abertura e apontou o Olho de Sszzas para o campo de batalha.

“Que a lâmina invisível encontre seus alvos.”

Talho Invisível de Edauros cortou o ar como uma rajada espectral, ferindo os inimigos, embora sem derrubar nenhum deles.

Anastácia ergueu as mãos e sussurrou com voz fria:

“Que as sombras da morte respondam ao meu chamado.”

Com Conjurar Mortos-Vivos, várias Sombras emergiram da escuridão e avançaram contra um dos ursos brancos.

Bolgg entrou na luta logo depois. Empunhando sua espada executora colossal, ele desferiu um golpe devastador contra um dos ursos brancos. A lâmina abriu um rasgo brutal no corpo da criatura. Sangue jorrou violentamente, cobrindo sua pelagem clara até que ela se tornasse quase indistinguível da cor do urso rubro.

Zanzertein e Anastácia perceberam então que o urso rubro tentava conjurar Velocidade. Ambos reagiram rapidamente e dissiparam o feitiço antes que se completasse. A criatura, porém, insistiu e lançou outra versão da magia. Desta vez conseguiu concluí-la.

Num movimento acelerado, o monstro avançou sobre Bolgg e cravou os dentes em seu braço. A mordida foi brutal, mas o bárbaro reagiu com um bloqueio poderoso, resistindo à maior parte do impacto. Logo depois o urso atacou novamente com uma garra e acertou o ombro de Bolgg com força suficiente para atravessar suas defesas e abrir um ferimento profundo.

Jalin respondeu rapidamente. Sacou sua pistola de adamante e disparou contra o urso branco já gravemente ferido. O tiro atingiu a nuca da criatura. A bala atravessou completamente o crânio e saiu pelo outro lado, espalhando miolos e fragmentos de osso pelo chão gelado do templo.

O último urso branco conseguiu se libertar da fascinação de Jalin.

Aric não lhe deu tempo para reagir. Ele sussurrou novamente:

“Que minha lâmina encontre sempre o golpe perfeito.”

Com Concentração de Combate, investiu contra a criatura e a atingiu com uma sequência de golpes ferozes. A espada abriu o abdômen do urso, e suas entranhas começaram a escorrer pelo chão do templo: intestinos grossos e finos, órgãos internos e massas de carne ainda pulsante expostas à luz azulada da caverna. Para reforçar sua defesa, Aric conjurou Imagem Espelhada, criando múltiplas duplicatas ilusórias ao seu redor.

Zanzertein ergueu as mãos e pronunciou uma oração poderosa.

“Ó grande Wynna, permita que sua graça fortaleça aqueles que lutam pela ordem do mundo.”

A magia de Oração envolveu seus aliados com bênçãos enquanto enfraquecia seus inimigos.

Anastácia então conjurou Manto das Sombras e deslizou pela escuridão até alcançar a sombra do urso rubro. De lá lançou Anular a Luz, tentando enfraquecer as energias mágicas da criatura. Em seguida tentou dissipar novamente a Velocidade do monstro, mas dessa vez a magia resistiu.

Bolgg atacou com toda sua força, mas o golpe ricocheteou contra a pelagem endurecida pela corrupção da Tormenta. O bárbaro então ativou seu Vigor Primal, e um suor quente escorreu por seu corpo enquanto seu ferimento no ombro se fechava lentamente.

O urso tentou morder Bolgg novamente, mas se atrapalhou em seu próprio avanço e errou completamente o ataque.

Jalin então ergueu a voz com uma presença ameaçadora.

“Até monstros aprendem o significado do medo!”

Sua Presença Aterradora fez o urso rubro recuar momentaneamente em pavor. Ele ainda disparou sua pistola contra a criatura, mas o monstro conseguiu se esquivar do tiro.

Aric aproveitou para finalizar o último urso branco. Com um golpe devastador, atravessou completamente o peito da criatura com sua espada executora. O urso caiu morto, e Aric então começou a caminhar lentamente em direção ao verdadeiro inimigo.

Zanzertein apontou o Olho de Sszzas e conjurou uma nova magia.

“Que a força inevitável do arcano o detenha.”

Uma gigantesca Mão Poderosa de Talude surgiu no ar e agarrou o urso rubro, prendendo-o no lugar. Usando sua habilidade Trama Célere, o mago lançou também Benção, fortalecendo ainda mais os ataques de seus aliados.

Anastácia tentou envolver a criatura em Escuridão para cegá-la, mas a influência da Tormenta a tornava resistente àquele tipo de magia.

Bolgg então avançou novamente com fúria total. Seus golpes tornaram-se uma tempestade de aço. A espada colossal rasgou o peito do urso, abriu cortes profundos no rosto, nas pernas e nos braços da criatura. Sangue escuro jorrou pelo chão enquanto o monstro enfraquecia diante da força brutal do bárbaro.

Foi então que algo inesperado aconteceu.

Uma luz suave começou a emanar do núcleo do templo.

A energia sagrada de Beluhga envolveu o urso rubro.

A corrupção da Tormenta começou a recuar.

A criatura caiu de joelhos, respirando com dificuldade, enquanto a pelagem lentamente retornava ao branco natural.

Quando finalmente ergueu a cabeça, sua voz já não carregava mais a fúria da Tormenta.

Ele acusou os heróis de terem vindo profanar o templo, mas rapidamente percebeu suas verdadeiras intenções. Falou então sobre Goradak, o antigo paladino de Beluhga, que havia partido em penitência após a morte da deusa.

O urso revelou sua verdadeira identidade: o druida Balrog.

Depois que Goradak partiu, ele assumiu a missão de proteger aquele santuário.

Balrog então se aproximou da cúpula de gelo que guardava o corpo élfico de Beluhga. A aura da deusa emanava poder puro, restaurando completamente o vigor mágico do grupo.

Em seguida ele pegou uma pedra azulada próxima à cúpula, quebrou-a e aproximou o fragmento do artefato Parvatar, restaurando completamente seu poder.

Foi então que o Olho de Sszzas falou diretamente com Zanzertein.

A voz da serpente ecoou dentro de sua mente.

Era hora de enfrentar o verdadeiro inimigo.

A influência de Aharadak em Arton estava crescendo demais.

Se o mundo quisesse sobreviver, a área de Tormenta teria que ser destruída.

A próxima batalha seria muito maior que aquela.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Templo de Gelo



Aric moveu-se com uma velocidade quase impossível de acompanhar. Aproveitando o momento em que o gigantesco Verme do Gelo emergia sob a camada congelada do lago, o bucaneiro deslizou sobre o gelo e cravou sua espada executora com um golpe preciso e devastador. A lâmina atravessou a crosta gelada e penetrou profundamente na criatura. Sob o gelo espesso havia uma carne esponjosa e grotesca, e quando a espada rasgou aquela massa orgânica, grandes quantidades de sangue escuro e coagulado jorraram pelas fissuras do gelo, até mesmo partes ainda inteiras como a tromba do Mamute recém engolido foi possível ver no interior do verme. O verme contorceu-se violentamente por alguns segundos antes de sucumbir, suas convulsões ecoando pela superfície congelada até finalmente cessarem.

Com o combate encerrado, Zanzertein ergueu as mãos e murmurou com voz grave: “Que o vínculo arcano restaure aquilo que a batalha consumiu. Pela graça de Wynna, que a magia lhes conceda uma segunda chance” A Súplica Mística espalhou energia revitalizante pelas criaturas abatidas e também fortaleceu o poder arcano e divino do Sábio.

O guia, Kirima, então os conduziu mais profundamente pelas montanhas até o local que buscavam: o grande templo de Beluhga. A entrada era marcada por uma imponente porta de cristal translúcido que refletia a luz em múltiplos tons azulados. A caverna inteira parecia esculpida em gelo eterno. Nas paredes, pedras azuladas refletiam cada feixe de luz como espelhos naturais, criando um ambiente quase sagrado.

Enquanto avançavam pelo interior da caverna, um tremor profundo percorreu o chão. O som lembrava o movimento subterrâneo de inúmeras criaturas gigantescas. Era como se vinte vermes do gelo estivessem se movendo ao mesmo tempo sob aquela montanha. O tremor aumentou rapidamente até provocar um grande desmoronamento.

Zanzertein reagiu no mesmo instante, estendendo os braços e pronunciando as palavras de poder: “Que o espaço se dobre diante da minha vontade.” Com Salto Dimensional, ele teleportou vários aliados para uma posição segura. Apenas Jalin permaneceu para trás, pois carregava o artefato Parvatar. O portador de Parvatar jamais poderia ser alvo de teleporte, pois o artefato reagiria violentamente e poderia explodir.

Aric então assumiu a iniciativa. Com um sorriso confiante, ele imitou o gesto de Zanzertein e lançou a magia por meio de sua paródia mágica. “Se o mestre salta pelo espaço, eu salto melhor!” A imitação funcionou perfeitamente, e o bucaneiro teleportou o grupo restante para longe do perigo imediato.

Durante a confusão da fuga, Anastácia saltou nos braços de Bolgg para que ele pudesse carregá-la através da área instável, enquanto Jalin abriu sua capa esvoaçante e a utilizou como impulso para avançar entre as pedras que desmoronavam.

Bolgg e Anastácia, porém, acabaram se atrapalhando em meio ao terreno irregular, e enormes rochedos começaram a despencar sobre eles. Zanzertein reagiu novamente, lançando Queda Suave enquanto declarava: “Que a gravidade perca sua crueldade.” Os pedregulhos desaceleraram drasticamente. Em seguida ele utilizou o Olho de Sszzas para conjurar Libertação, proclamando: “Que nenhuma prisão detenha meus aliados.” A magia envolveu o grupo e garantiu liberdade total de movimento.

Aric aproveitou o efeito imediatamente. Saltando entre os escombros com agilidade sobrenatural, ele esquivou-se facilmente dos pedregulhos em queda. No meio de um salto especialmente alto, ainda realizou uma de suas piruetas extravagantes e, do alto, conseguiu avistar um caminho seguro através do caos.

Anastácia reagiu conjurando Velocidade, dizendo: “Que o tempo se dobre diante da vontade da morte.” Em um borrão de movimento, correu na direção indicada por Aric.

Bolgg ainda se debatia entre as rochas caídas, tentando abrir caminho à força, enquanto Jalin, beneficiado pela magia de Libertação, atravessava os obstáculos com relativa facilidade e alcançava rapidamente a área segura.

Zanzertein aproximou-se de Bolgg para ajudá-lo. No exato momento em que deixava o local onde estava, o gelo abaixo começou a se agitar violentamente. Vários vermes do gelo colidiram e se chocaram entre si sob a superfície congelada, como monstros disputando território nas profundezas. Sem perder tempo, Zanzertein lançou novamente Salto Dimensional e transportou a si mesmo e Bolgg diretamente para a área segura onde os demais aguardavam.

Após atravessarem aquele caos, finalmente chegaram ao interior do templo. No centro da caverna repousava o corpo de Beluhga em sua forma élfica, preservado no gelo eterno como se dormisse em um sono sagrado.

Mas eles não estavam sozinhos.

Três gigantescos ursos da neve guardavam o local. Dois eram completamente brancos, com pelagem espessa como nevascas vivas. O terceiro, porém, era diferente. Sua pelagem tinha um tom avermelhado e pulsava com a corrupção da Tormenta.

O urso vermelho abriu a boca e soltou um rosnado que parecia carregar magia em si. Sua pele brilhou com energia congelante enquanto ele conjurava Raio Polar com um rugido carregado de poder. O feixe azul atingiu Anastácia diretamente, congelando-a instantaneamente dentro de um enorme esquife de gelo sólido.

Aric reagiu imediatamente. Ele se preparou para o combate murmurando: “Que minha lâmina encontre sempre o golpe perfeito.” Com isso ativou Concentração de Combate, depois bebeu uma poção de Imagem Espelhada e outra de Orientação, fazendo várias duplicatas ilusórias surgirem ao seu redor.

Um dos ursos brancos avançou contra ele e atacou violentamente, mas apenas conseguiu dissipar algumas das imagens ilusórias. Em seguida o urso tentou conjurar Imobilizar, mas Zanzertein ergueu a mão rapidamente e declarou: “Magia sem vontade não existe.” Sua contramágica anulou o feitiço antes que ele pudesse afetar Aric.

Jalin então ergueu sua pistola de adamante e disparou contra um dos ursos. A bala atravessou parte da carne da criatura e estilhaçou dentro de seu corpo, arrancando um rugido de dor. O urso respondeu conjurando outro Raio Polar em direção ao sátiro, mas graças à Premonição que Zanzertein havia lançado anteriormente, Jalin conseguiu resistir ao congelamento.

Percebendo o perigo crescente, Zanzertein ergueu o Olho de Sszzas e proclamou com autoridade: “Que apenas a magia digna atravesse esta barreira.” Um poderoso Globo de Invulnerabilidade surgiu ao redor do grupo, bloqueando diversas magias inimigas. Ao mesmo tempo ele manteve sua concentração preparada para qualquer contramágica necessária, pronto para impedir tentativas de dissipar a barreira ou novos raios polares.

Dentro do esquife de gelo, Anastácia reagiu com frieza sobrenatural. Sua voz ecoou sombria enquanto conjurava Manto das Sombras: “A morte não pode ser aprisionada.” Seu corpo tornou-se translúcido e ela deslizou através do gelo, emergindo da sombra de Aric. Assim que se libertou, ergueu ambas as mãos e lançou Velocidade em Massa, dizendo: “Que o tempo sirva àqueles que caminham entre os vivos e os mortos.”

Bolgg então tomou uma poção de Potência Divina. Seu corpo cresceu rapidamente até atingir proporções colossais. Com um rugido de guerra, avançou e desferiu um golpe devastador com sua espada executora contra um dos ursos. A lâmina rasgou profundamente o braço direito da criatura, abrindo um ferimento brutal que faria até mesmo suas conjurações se tornarem mais difíceis dali em diante.

O combate no templo de gelo estava apenas começando.





Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

sábado, 4 de abril de 2026

Ecos da Conspiração




Após a batalha sangrenta nos esgotos e a destruição do avatar de Aharadak, os heróis convocaram Honório para investigar os cultistas capturados e prender qualquer envolvido na trama. Os interrogatórios rapidamente revelaram algo ainda mais perturbador: aqueles cultistas não agiam sozinhos. Eles eram financiados e apoiados pelos puristas.

Desejando descobrir mais, Zanzertein utilizou o Olho de Sszzas para lançar a magia Lendas e Histórias sobre os restos mortais do líder cultista. Ao erguer o artefato arcano, ele murmurou com voz firme: “Que o passado revele aquilo que a carne tentou esconder.” Fragmentos de memórias começaram a surgir em sua mente como ecos distantes. Entre visões fragmentadas apareceu o nome da Capitã Alurra, cuja influência parecia guiar o cultista. Outro nome também atravessou as mentes do grupo de maneira vaga e inquietante, como um sussurro distante: Aaron Sauer, um aparentemente inofensivo vendedor de itens na cidade voadora de Vectora.

Após essas descobertas, a comandante Cassidy agradeceu aos heróis por salvarem a cidade daquela ameaça oculta. Em sinal de gratidão, ofereceu um guia experiente que poderia conduzi-los pelas traiçoeiras Montanhas Uivantes.

Antes de partir, Aric sugeriu um plano para despistar possíveis perseguidores. Zanzertein concordou e conjurou Disfarce Ilusório, dizendo calmamente: “Que os olhos vejam aquilo que desejam acreditar.” Sob a magia, todo o grupo assumiu a aparência de cidadãos comuns que apenas viajavam pela região. Em seguida, o mago reforçou a proteção do grupo. Apontando para Jalin, conjurou Dificultar Detecção enquanto dizia: “Que os segredos caminhem além do alcance dos olhos.” Depois espalhou outras proteções sobre todos, lançando Resistência a Energia com a frase “Que os elementos não encontrem abrigo em nossa carne” e Suporte Ambiental, garantindo que o frio brutal das montanhas não os destruísse antes mesmo de encontrarem seus inimigos.

A subida pelas Montanhas Uivantes rapidamente se mostrou um desafio mortal. O vento cortava como lâminas e cada passo exigia esforço extremo. O guia alertou que mais acima existia uma região dominada por mamutes e que qualquer queda naquele terreno significaria morte certa. Para ajudar na escalada, Aric conjurou Primor Atlético sobre todos os aliados, dizendo: “Que o corpo supere seus próprios limites.”

Mesmo assim, a montanha mostrou sua fúria. Uma enorme rocha se desprendeu da encosta e começou a despencar na direção do grupo. Zanzertein reagiu imediatamente, lançando Queda Suave enquanto declarava: “Que a queda perca sua fúria.” O pedregulho desacelerou o suficiente para não esmagá-los, mas a confusão da queda acabou separando o grupo e fazendo com que Zanzertein e Anastácia escorregassem pela encosta. Jalin conseguiu agarrar Anastácia antes que ela despencasse no abismo, enquanto Zanzertein conjurava rapidamente Campo de Força, dizendo: “Que nenhuma força atravesse minha vontade.”

O guia, percebendo a gravidade da situação, caiu de joelhos e fez uma prece à deusa das montanhas, Beluhga. Por um breve momento, o vento cessou e a própria montanha pareceu observar o grupo. Seja por intervenção divina ou pura sorte, o caminho tornou-se novamente possível de escalar, e os aventureiros conseguiram alcançar o topo.

Lá encontraram um lago congelado cercado por enormes mamutes que defendiam o território com agressividade. Sentindo um presságio de perigo, Zanzertein decidiu buscar orientação sobrenatural e lançou Contato Extraplanar, murmurando: “Que as vozes da guerra respondam ao meu chamado.” Mais uma vez ele buscava conselhos da Senhora dos Exércitos, Lamashtu. Em seguida reforçou sua própria segurança com Premonição, dizendo: “Que o destino me avise antes que a morte me alcance.”

Enquanto isso, Jalin começou a cantar uma melodia inspiradora que ecoou pelo vale congelado. Aric ativou seu Surto Heróico, reforçando seu próprio corpo com Primor Atlético e protegendo-se com Campo de Força, afirmando com determinação: “Que nenhuma presa ou lâmina atravesse minha vontade.” Bolgg avançou para a linha de frente, pronto para enfrentar qualquer criatura que se aproximasse, enquanto Anastácia ergueu as mãos e conjurou Conjurar Mortos-Vivos, sussurrando: “Levantem-se, servos da fome eterna.” Seis carniçais emergiram do gelo rachado ao redor do lago.

Não demorou para que um dos mamutes investisse contra Aric. O bucaneiro conseguiu se esquivar no último instante, e a criatura acabou avançando diretamente contra Bolgg. O bárbaro respondeu com um golpe brutal de sua espada executora, rasgando a pele espessa do animal e abrindo um corte profundo em seu flanco. O mamute cambaleou e, ao tentar recuperar o equilíbrio, acabou ferindo a própria pata.

Zanzertein então lançou Benção sobre o grupo, declarando: “Que a fortuna acompanhe nossas lâminas.” Aproveitando a abertura, Jalin disparou sua pistola de adamante. O tiro ecoou pelas montanhas como um trovão, atravessando o ombro do mamute e espalhando sangue sobre o gelo. Aric avançou logo em seguida e finalizou a criatura com um golpe poderoso de sua espada executora que abriu o crânio do animal e o derrubou com estrondo.

Tentando acelerar o combate, Zanzertein utilizou o Olho de Sszzas para conjurar Velocidade sobre Bolgg, proclamando: “Que o tempo se curve diante da minha vontade.” Porém algo na magia saiu levemente errado. Graças à Premonição ele conseguiu evitar um desastre maior, mas a distorção arcana acabou envolvendo também um dos mamutes próximos. Agora tanto Bolgg quanto aquela criatura se moviam com velocidade sobrenatural.

O mamute veloz avançou contra Aric, mas o bucaneiro esquivou-se novamente e respondeu com uma sequência devastadora de golpes. Utilizando outro Surto Heróico, Aric desferiu ataques rápidos e brutais que finalmente derrubaram o animal.

Outro mamute então avançou de maneira quase brutalmente indiferente, pisoteando o corpo de um companheiro morto para alcançar os heróis. Aric conseguiu evitar o ataque, mas os carniçais de Anastácia foram esmagados sob o peso colossal da criatura. Bolgg, ainda acelerado pela magia, aproveitou a oportunidade e desferiu um golpe preparado que abriu um profundo corte no flanco do animal.

Mesmo ferido, o mamute conseguiu reagir e enrolou sua tromba ao redor de Anastácia, tentando esmagá-la. Zanzertein reagiu imediatamente lançando Libertação e declarando: “Que nenhuma corrente segure minha aliada.” A tromba perdeu força e Anastácia conseguiu escapar.

Exausta, ela tocou a tatuagem que carregava o rosto de Zanzertein e ativou sua Súplica Mística de Zanzertein Karameikos, recuperando parte de seu vigor arcano.

Jalin então voltou a cantar, direcionando sua música para um dos mamutes. A criatura ficou fascinada e começou a caminhar lentamente pelo lago congelado. O gelo rachou sob o peso colossal do animal e finalmente se partiu, fazendo o mamute cair nas águas escuras abaixo.

Porém algo se moveu sob a superfície.

Uma enorme criatura serpenteou nas profundezas do lago e emergiu com violência. Era um gigantesco Verme do Gelo. Sua boca circular abriu-se como um abismo e, antes que o mamute pudesse escapar, a criatura arrancou grandes pedaços de carne do animal ainda vivo.

A água do lago se tingiu de vermelho.

E naquele momento os heróis perceberam que os mamutes talvez não fossem o maior perigo daquela montanha.





Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho 

Imagens geradas por IA como Copilot, Bing, Dall-e.