Aaron Sauer não recuou em nenhum momento. Assim que sacou o florete, avançou direto sobre Zanzertein Karameikos com precisão mortal, mirando um golpe que encerraria o combate ali mesmo. O elfo reagiu no instante exato; uma barreira invisível surgiu entre lâmina e carne.
— “A realidade dobra antes que a lâmina toque.”
O impacto reverberou no Campo de Força, e no mesmo movimento Zanzertein desapareceu do alcance imediato.
— “Onde estou não é onde fui… e onde fui já não importa.”
O Salto Dimensional o reposicionou, mas Aaron não perdeu tempo. Girou, atravessou as imagens ilusórias de Aric como se fossem vidro e reapareceu diante do mago com um segundo ataque ainda mais preciso. O golpe vinha perfeito, calculado para atravessar defesas e matar.
A lâmina encontrou carne.
Mas não a que ele esperava.
A múmia de Zanzertein se lançou na frente no último instante. O impacto rasgou seu corpo ressecado, ossos estilhaçaram e fragmentos foram lançados ao ar, mas o golpe fatal foi absorvido. O mago permaneceu vivo.
Aaron recuou apenas o suficiente para aceitar uma poção entregue por um aliado. Seus músculos tensionaram, sua postura mudou; havia algo novo ali, algum reforço que o tornava ainda mais perigoso.
Enquanto isso, o restante do campo de batalha se resolvia com brutalidade.
Larson ainda permanecia preso à fascinação de Jalin, completamente vulnerável. Bolgg não desperdiçou a oportunidade. Avançou e cravou sua espada executora diretamente no peito do capitão, atravessando carne, ossos e saindo pelas costas. O sangue jorrou quente, cobrindo a lâmina e o braço do bárbaro. O corpo tombou sem reação. Bolgg puxou a espada de volta e, sem qualquer cerimônia, passou a língua pelo aço ensanguentado.
Ao redor, piratas tentavam conter Brawar, conseguindo apenas danificar sua picareta enquanto eram esmagados em resposta. Os canhões do navio voltaram a rugir; projéteis cortaram o ar em direção ao grupo. Jalin se esquivou com agilidade, enquanto Bolgg simplesmente recebeu o impacto sem recuar, sua resistência absorvendo a maior parte da força.
Jalin respondeu com um disparo certeiro, atingindo Capitã Alurra ainda atordoada, mantendo-a fora de combate por mais tempo.
Foi então que Aric avançou.
Não havia hesitação, não havia estratégia refinada naquele momento — apenas execução. Sua espada de adamante descreveu cortes rápidos e brutais, atingindo Aaron repetidas vezes. O purista ainda tentou resistir, usando sua experiência para reduzir o impacto dos golpes, desviando o que podia, suportando o restante. Mas Aric não parou. Cada ataque abria mais carne, mais sangue, mais falhas na defesa.
Até que o corpo de Aaron falhou.
A respiração cessou.
E ele caiu.
Sem cerimônia, sem últimas palavras, apenas morto no convés que começava a ruir.
Zanzertein não perdeu tempo. Assim que a morte se confirmou, ergueu a mão e rasgou o espaço mais uma vez.
— “Distâncias são ilusões quando a vontade é absoluta.”
O Salto Dimensional levou ele, Aric e o corpo de Aaron para longe no instante seguinte. Logo após o desaparecimento, o navio explodiu em uma onda de fogo e destroços, consumindo o que restava da tripulação. Brawar continuou lutando entre as chamas até ser destruído junto dos inimigos.
Mas o combate ainda não havia terminado.
Anastácia ergueu a mão e invocou sua magia com precisão fria.
— “Dos ossos esquecidos… levanta-te para o terror.”
O Crânio Voador de Vladslavi avançou e se chocou contra Larson, espalhando energia sombria que corroeu sua coragem e o lançou ao pânico. Ainda assim, ele conseguiu reagir e disparar contra Bolgg. O tiro abriu carne, mas não foi suficiente para deter o bárbaro.
Bolgg avançou.
Sem pressa.
Sem dúvida.
E Larson percebeu tarde demais que aquele seria seu fim.
O retorno a Vectora foi marcado por silêncio e propósito. O corpo de Aaron Sauer não seria enterrado.
Seria utilizado.
Zanzertein iniciou o ritual diante dos aliados.
— “A morte não é o fim… é obediência sem escolha.”
O cadáver se contorceu, reagindo à magia, até se erguer novamente, agora sem vontade própria. A antiga mente brilhante dos puristas havia se tornado apenas mais uma ferramenta.
Enquanto isso, Dermug trabalhava sobre o Parvatar, entoando cânticos antigos que ecoavam com o poder dos elementos. Zanzertein auxiliou, canalizando energia arcana diretamente no artefato. Aos poucos, o poder retornou. Fogo, terra, ar e água voltaram a responder.
O Parvatar estava completo novamente.
Pronto para o que viria.
As despedidas foram rápidas. Raisenzan observou em silêncio, como se já soubesse o desfecho daquele caminho.
E então, partiram.
Não os mesmos heróis, mas ainda assim, heróis.
Quando alcançaram Yuvallin, não encontraram a cidade que haviam deixado para trás. O que viram foi um território ocupado. Exércitos puristas marchavam pelas ruas, máquinas de guerra avançavam e bandeiras inimigas dominavam o horizonte.
A guerra não era mais uma ameaça distante.
Ela já havia começado.
E desta vez, não havia retorno.
Texto por Roberto Oliveira.
Revisão por Leandro Carvalho.
Imagens geradas por IA.


















