segunda-feira, 22 de junho de 2026

Apenas um Navio



O combate sobre a Diligência Dracocérbera continuava enquanto o navio purista, mesmo sem os dragões escravizados, permanecia suspenso por mecanismos internos e energia acumulada. O objetivo agora era claro: desmontar aquela monstruosidade peça por peça antes que ela pudesse voltar a disparar contra Yuvallin.

Beleg observou rapidamente as estruturas internas e percebeu que os tubos e conexões que serpenteavam pela embarcação eram o verdadeiro sistema circulatório do navio. Não bastava destruir canhões — era preciso cortar o fluxo de energia e munição.

Firmando os pés sobre a estrutura metálica, o arqueiro puxou a corda do arco de aço-rubi.

A tatuagem em suas costas brilhou.

Dessa vez não havia rosto de homem algum.

A imagem inteira da deusa Valkaria surgiu desenhada em luz dourada sobre sua pele — armadura, cabelos ao vento e olhar de quem empurra os mortais rumo ao impossível.

Beleg respirou fundo e pronunciou:

— Valkaria… guia meu olhar para onde a liberdade precisa nascer.

Concentração em Combate.

A flecha partiu.

Ela cruzou o ar e atingiu exatamente uma junção vulnerável do tubo principal. O impacto abriu uma rachadura profunda e fez energia azulada começar a escapar.

Os Vigias do Sangue Puro perceberam imediatamente quem era a maior ameaça.

Bestas dispararam.

Os projéteis acertaram Beleg, mas ele endureceu os músculos, suportando os impactos sem perder posição. Sangue escorreu por seu braço, porém o seteiro permaneceu firme.

Sir Finley tentou aproveitar a abertura e lançou uma chicotada envenenada contra um dos vigias.

Errou.

O chicote estalou no metal.

Gyodai então abandonou qualquer aparência de equilíbrio.

Seu corpo deformou.

Conjurou Transformação de Guerra.

Membros extras surgiram. Músculos se distorceram. Braços aberrantes cresceram enquanto o lefou avançava como uma máquina viva.

Seus golpes começaram a atingir os tubos em sequência.

Cada soco arrancava placas metálicas.

Cada impacto deformava conduítes.

Um dos canais principais explodiu em uma cascata de energia e estilhaços.

Os Kobtas viram Beleg ser alvejado.

Aquilo bastou.

Os cinco pequenos pistoleiros ficaram furiosos.

Dispararam juntos.

Uma sequência brutal de tiros acertou o Vigia do Sangue Puro no peito. O impacto foi tão violento que o corpo foi lançado para fora do navio e desapareceu nas nuvens.

Beleg pegou uma poção e despejou diretamente sobre os ferimentos para continuar lutando.

Sir Finley finalmente encontrou ritmo.

Seu chicote estalou e atingiu um dos tubos restantes.

Uma rachadura se espalhou.

Gyodai então secretou aquele muco viscoso, ácido e fedorento característico da Tormenta e o lançou sobre Beleg.

As feridas começaram a fechar.

Revigorado, o arqueiro voltou à posição.

Enquanto isso, Gyodai despedaçava o restante dos tubos com golpes sucessivos até que o sistema inteiro entrou em colapso.

Kobta correu para a região equatorial e percebeu cristais energéticos alimentando o mecanismo central.

Disparou.

O cristal explodiu.

A explosão detonou outros dois.

Beleg imediatamente entendeu.

Puxou outra flecha.

A tatuagem de Valkaria voltou a iluminar suas costas.

— Onde houver prisão… que o caminho seja aberto.

Disparou.

A flecha atravessou outro cristal.

A reação em cadeia começou.

Explosões sacudiram o casco.

Sir Finley aproveitou e disparou sua bazuca.

A explosão seguinte foi tão grande que partes inteiras do interior da Diligência Dracocérbera começaram a ruir.

Mesmo assim os canhões restantes conseguiram disparar.

Ao longe, o Mariposa foi atingido.

A embarcação estremeceu violentamente.

Kobta recarregou suas armas.

Beleg destruiu os últimos cristais restantes.

Sir Finley avançou sobre outro Vigia do Sangue Puro.

O chicote envolveu o pescoço do purista.

Num puxão brutal arrancou parte da orelha, rompeu o equilíbrio e drenou parte de seu vigor.

Gyodai abriu caminho até o núcleo principal.

Lá dentro o aguardava Vassok.

Veterano.

Arcanista de guerra.

Ele lançou uma orbe azul.

Ela explodiu em fogo.

As chamas envolveram Gyodai.

Mas o lefou já vinha em velocidade absurda.

Golpes.

Sequências.

Múltiplos punhos.

Vassok ergueu Campo de Força.

Gyodai o agarrou mesmo assim.

Vassok pronunciou:

— Que os ventos devorem sua existência! Sopro das Uivantes!

O frio sobrenatural explodiu.

Gyodai desprezou a realidade.

Continuou avançando.

Mesmo queimando.

Mesmo deformado.

Olhou diretamente para o arcanista e sorriu.

— Matei Milla. Você vai seguir o mesmo caminho.

Kobta chegou.

Disparou.

Campo de Força absorveu parte.

Não foi suficiente.

As defesas de Vassok se quebraram.

Sir Finley apareceu por trás.

Seu chicote girou.

Golpe perfeito.

Enrolou no pescoço.

Puxou.

Vassok apagou.

A orbe azul caiu.

Flutuou.

E desapareceu.

Gyodai desfez sua Transformação de Guerra.

Conjurou Salto Dimensional.

Num instante todos retornaram ao Mariposa.

Do convés observaram.

A Diligência Dracocérbera perdeu sustentação.

Primeiro inclinou.

Depois caiu.

A esfera colossal atravessou as nuvens e atingiu o solo com violência inimaginável.

Uma onda de destruição se espalhou.

Puristas morreram.

Máquinas foram esmagadas.

Mas junto deles também havia inocentes.

E enquanto o fogo subia ao horizonte de Yuvallin…

ninguém comemorou.

Porque restava apenas um navio.

E a guerra ainda não havia terminado.


Texto por Roberto Oliveira.

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA. 

2 comentários:

  1. Neste combate usei 100% do meu poder máximo. Que venham mais desafios desafiadores como este.

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  2. Promovido de Cabo eleitoral para Sargento eleitoral22 de junho de 2026 às 08:39

    No início deste combate parecia ser um desafio acima do nível deste grupo. Atacar um navio armado com 3 dragões negros, canhões, atiradores e batedores ao mesmo tempo enquanto se sabotava parecia impossível. Estes aventureiros estão de parabéns por superá-lo.

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