quarta-feira, 1 de abril de 2026

Silêncio

 



O grande salão dos esgotos era um cenário de horror ritualístico.

No centro da câmara jaziam os corpos dos desaparecidos.

Jorik Passosilente, o jovem que denunciara extorsão.

Greta Pedracantada, comerciante que testemunhara corrupção.

Valdrik, o Corcunda, o mendigo que vira guardas entrando nos esgotos.

Seus corpos estavam dispostos em círculo.

A pele havia sido aberta em incisões brutais. As costelas estavam expostas e símbolos da Tormenta haviam sido entalhados diretamente na carne.

Ao redor deles, três cultistas entoavam cânticos profanos enquanto aranhas de gelo rastejavam pelas paredes úmidas.

Então o líder ergueu o rosto.

Sua pele era rubra e escamosa.

Os olhos, escarlates e fanáticos.

Ele sorriu.

— Abracem Aharadak.

Uma aura carmesim explodiu ao redor dele.

“Que a carne se abra para o infinito rubro!”

Do ar surgiram simbiontes vivos, massas pulsantes de carne alienígena que voaram em direção ao peito dos heróis.

Mas antes que pudessem penetrar suas carnes—

O Olho de Sszzas brilhou.

Uma luz verde serpentina explodiu do artefato.

Os simbiontes foram arrancados do ar e repelidos, como se uma vontade arcana maior os expulsasse.

Talvez Sszzaas tivesse planos maiores para aqueles mortais.

Talvez aqueles heróis fossem peças em um jogo muito maior.


As Primeiras Magias

Jalin avançou um passo, abrindo os braços dramaticamente.

“Que até o horror pare para ouvir!”

Sua Apresentação Impactante ecoou pelo salão.

Os cultistas vacilaram por um instante.

Foi o suficiente.

O líder então ergueu as mãos, olhos queimando em loucura.

“Que o sangue desperte o enxame carmesim!”


Enxame Rubro.

Uma nuvem de insetos monstruosos começou a se formar—

Mas Zanzertein ergueu o Olho de Sszzas.

“Que o mistério se oponha ao caos.”

A contramágica esmagou o feitiço antes que ele pudesse nascer.


O Véu da Morte

Anastácia deslizou para frente.

“O corpo é apenas uma lembrança.”

Seu Manto das Sombras envolveu seu corpo, tornando-a translúcida, quase espectral.

Ela atravessou o campo de batalha até o centro do círculo ritual.

Então ergueu a mão.

“A luz mente. A treva revela.”

Anular a Luz.

As energias mágicas que sustentavam o ritual dos cultistas se desfizeram como fumaça.

Um dos cultistas reagiu com fúria.

Ele ergueu um símbolo grotesco da Tormenta e gritou:

“Respirem o sopro da decomposição eterna!”

Miasma Mefítico.

Mas Anastácia o interrompeu imediatamente.

“Nem mesmo a podridão desafia minha vontade.”

A contramágica destruiu o feitiço.

Outro cultista, porém, completou sua conjuração.

“Que os pulmões se encham de morte!”

O Miasma Mefítico explodiu sobre o grupo.

O ar tornou-se pesado, venenoso e pútrido.

Mesmo tossindo e com os olhos ardendo, os heróis avançaram.


Carnificina

A partir daí, o combate mergulhou em violência.

Zanzertein apontou para a última aranha.

“A forma é apenas uma escolha.”

Metamorfose.

A monstruosidade virou um verme grotesco.

Jalin não hesitou.

Um disparo.

O verme explodiu em uma massa viscosa de órgãos esmagados.

Espadas abrindo corpos.

Balas atravessando carapaças.

Magia contra magia.

Fúria contra horror.

E tudo isso culminaria naquilo que os cultistas realmente pretendiam trazer ao mundo…


O Avatar de Aharadak.

Uma massa de tentáculos pulsantes surgiu da poça rubra.

Uma bocarra monstruosa, cheia de dentes irregulares, abriu-se no centro da criatura.

Olhos escarlates se abriram por toda a superfície do corpo.

O Avatar de Aharadak nasceu.

O terror mental esmagou o grupo.

Bolgg e Aric sentiram parte de sua energia vital sendo drenada.


A Última Investida

Aric gritou:

— Destruam antes que se fortaleça!

Ele avançou.

Golpe após golpe, sua espada cortava tentáculos, espalhando muco branco e sangue rubro.

Anastácia respondeu com necromancia.

“O corpo apodrece… mesmo que não esteja vivo.”

Infligir Ferimentos.

Miasma Mefítico.

A criatura resistiu parcialmente, carne aberrante recusando-se a morrer.

Um tentáculo atingiu Bolgg.

O impacto quase quebrou suas costelas.

Mas graças à Libertação, ele não foi agarrado.

Bolgg rugiu.

Seu golpe arrancou fileiras inteiras de dentes da bocarra do avatar.

A criatura vomitou muco ácido e pedaços de si mesma.

Ela estava enfraquecendo.


O Golpe Final

Zanzertein ergueu o Olho de Sszzas.

“Que a vontade arcana seja inevitável.”

A Lança Infalível de Talude surgiu como um raio de pura destruição.

O projétil perfurou o crânio grotesco da criatura.

A cabeça do avatar explodiu em fragmentos de carne e ossos deformados.

O corpo colapsou.

Tentáculos se debateram por alguns segundos… e então ficaram imóveis.


O Silêncio

O salão estava coberto de sangue, pedaços de aranha, membros humanos e restos da aberração.

Os heróis recolheram as armas dos cultistas.

Zanzertein então enviou uma mensagem telepática ao chefe da milícia.

Os cultistas restantes nos esgotos foram presos.

Aquele ninho da Tormenta havia sido destruído.

Mas todos sabiam uma coisa.

Servos de Aharadak dessa vez não agiram sozinhos.

...


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas pelo Copilot. 

4 comentários:

  1. Hello darkness, my old friend
    I've come to talk with you again
    Because a vision softly creeping
    Left its seeds while I was sleeping
    And the vision that was planted in my brain
    Still remains
    Within the sound of silence
    In restless dreams I walked alone
    Narrow streets of cobblestone
    'Neath the halo of a street lamp
    I turned my collar to the cold and damp
    When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
    That split the night
    And touched the sound of silence
    And in the naked light I saw
    Ten thousand people, maybe more
    People talking without speaking
    People hearing without listening
    People writing songs that voices never share
    No one dared
    Disturb the sound of silence
    "Fools" said I, "You do not know
    Silence like a cancer grows
    Hear my words that I might teach you
    Take my arms that I might reach you"
    But my words like silent raindrops fell
    And echoed in the wells of silence
    And the people bowed and prayed
    To the neon god they made
    And the sign flashed out its warning
    In the words that it was forming
    And the sign said, "The words of the prophets
    Are written on the subway walls
    And tenement halls
    And whispered in the sounds of silence"

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  2. Sorte que o Bolgg não usou o poder Cabeça quente contra mim quando um dos Tentáculos das Trevas o torturou.

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  3. Quanto mais nós aproximamos de nosso objetivo os desafios se tornam cada vez mais mortais. Parabéns a equipe que foi cirúrgica nesta masmorra. Agora é se preparar para subir as Uivantes rumo ao Templo da Verruga, ops, Beluga.

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