A grande âncora rasgou os céus escuros como um arpão lançado por um titã morto. Correntes estremeceram no ar até se prenderem ao chão onde os heróis estavam. Então ele surgiu entre as nuvens de fumaça e pólvora: o Navio Mariposa.
Seu casco negro era iluminado apenas pela luz fosforescente de fantasmas animados voando pelo convés. Zumbis carregavam lanternas de chama verdeada enquanto goblins corriam entre cordas e canhões. Anões de armaduras sombrias ajustavam mecanismos de guerra, e no centro do navio erguia-se um pequeno templo de Tenebra, onde velas negras queimavam sem produzir calor.
Sir Finley estreitou os olhos anfíbios e deslizou a língua para fora num movimento rápido.
— “Que as sombras revelem o que a luz tenta esconder.”
Usando seus truques de ladino, ele simulou uma Visão Mística. Seus olhos ganharam um brilho azulado e passaram a enxergar rastros arcanos invisíveis no céu. Entre as correntes de vento e nuvens carregadas, ele finalmente encontrou o vulto distorcido dos navios puristas espectrais.
A perseguição começou imediatamente.
Sir Finley assumiu o leme do Mariposa enquanto Beleg permanecia no alto do mastro principal, observando o horizonte com olhar de falcão. O arqueiro apertou o arco contra o peito e respirou fundo.
— “Benhê… guia minha mira mais uma vez.”
A tatuagem do rosto de seu antigo companheiro brilhou em suas costas quando ele ativou sua Concentração em Combate. Seus olhos se aguçaram como os de uma águia predadora.
Foi então que o primeiro disparo veio.
Um relâmpago colossal atravessou as nuvens e explodiu contra o ar próximo ao navio. Sir Finley girou o leme violentamente e o Mariposa inclinou quase noventa graus no céu, desviando por muito pouco da descarga elétrica.
Kobta e Gyodai observavam atentamente o rastro invisível deixado pelo inimigo. O navio purista parecia surgir e desaparecer entre distorções mágicas.
Subitamente o Mariposa balançou com violência.
Glomer e Sir Finley foram jogados contra o convés. Outro disparo elétrico atingiu o casco e rachaduras começaram a surgir na madeira negra. Energia azul percorreu todo o navio.
Gyodai ergueu um dos braços monstruosos e rugiu:
— “A carne aberrante rejeita sua destruição!”
Um Campo de Força translúcido surgiu ao redor do lefou e absorveu parte da descarga.
Glomer estava gravemente ferido. Ossos rachados apareciam sob sua pele ressecada de osteon enquanto ele tentava desesperadamente enrolar bandagens em si mesmo. Com uma engenhoca improvisada, simulou um Campo de Força para evitar ser destruído naquele bombardeio.
Outro relâmpago veio logo em seguida.
O impacto fez o convés explodir em farpas e fogo azul.
Então Capitã Lislah ergueu sua mão envolta em sombras.
— “Tenebra, marque aqueles que ousam se esconder da noite.”
Uma runa negra surgiu ao longe, revelando finalmente o contorno espectral do navio purista.
O Hidra Helicóide.
Um monstruoso navio voador purista equipado com uma gigantesca hélice de mitral girando sob o casco. Raios multicoloridos escapavam de suas engrenagens enquanto canhões elétricos carregavam nova munição arcana.
Gyodai então abriu parte de sua carne aberrante. Um muco viscoso, fedorento e quente escorreu de seu corpo. A substância grotesca foi aplicada sobre os ferimentos de Glomer e Sir Finley, fechando parcialmente suas feridas.
Sem hesitar, Gyodai estalou os dedos.
— “O espaço se curva diante da evolução do Devorador.”
O Salto Dimensional rasgou o ar.
Gyodai, Kobta e Glomer apareceram instantaneamente sobre o convés do Hidra Helicóide.
No mesmo instante, Beleg puxou a corda do arco até o limite.
— “Benhê… que minha flecha encontre o coração da máquina.”
A tatuagem brilhou novamente.
A flecha de aço-rubi atravessou o céu como um meteoro vermelho e atingiu diretamente a hélice de mitral. O impacto arrancou placas metálicas e fez as engrenagens gritarem num som agudo e desesperador.
Os puristas responderam imediatamente.
Dois canhões dispararam relâmpagos diretamente contra Beleg e Sir Finley. O tabrachi saltou para o alto usando suas patas elásticas de sapo, ficando suspenso no ar enquanto a eletricidade passava abaixo dele.
Então o verdadeiro terror começou.
Centenas de braços mecânicos surgiram das laterais do Helicóide. Hélices afiadas giravam em velocidade absurda enquanto eram disparadas como enxames assassinos.
Gyodai, Glomer e Kobta mal tiveram tempo de reagir.
Os servos mortos-vivos se sacrificaram.
O urubu cadáver de Gyodai avançou primeiro e foi triturado instantaneamente pelas lâminas. As múmias de Kobta e Glomer se jogaram na frente dos golpes seguintes. Corpos ressequidos foram dilacerados, braços arrancados e torsos reduzidos a tiras ensanguentadas antes que as hélices finalmente perdessem força.
As lâminas começaram então a emitir uma luz multicolorida hipnótica.
Sir Finley arregalou os olhos.
Glomer parou completamente.
Ambos ficaram fascinados pela rotação impossível das hélices brilhantes.
Enquanto isso, Kobta desapareceu.
O pequeno amontoado de kobolds ativou seus truques ventanistas e tornou-se invisível. Movendo-se furtivamente entre engrenagens e tubulações, começou a arquitetar uma sabotagem nas máquinas do Helicóide.
Agora o caos dominava completamente os céus.
Gyodai precisava decidir se libertaria sua Legião Aberrante para massacrar os puristas ou se ajudaria Glomer a sair do transe hipnótico.
No Mariposa, Sir Finley permanecia hipnotizado pelas luzes das hélices enquanto Beleg apertava o arco com o coração pesado, lembrando-se da distância que o separava de Benhê.
E acima de todos eles, os céus da guerra rugiam como se Arton inteira estivesse prestes a desabar.
Texto por Roberto Oliveira.
Revisão por Leandro Carvalho.
Imagens geradas por IA.

A me mi antoja esto relacto fresco a un plato vegetariano con risotto de champiñones y espárragos
ResponderExcluirDessa vez vocês se lascaram
ResponderExcluirMuuuuito booooooom. Adorei o Beleg. Quero ver mais dessa história dele e seu muso inspirador, kkkkkkk
ResponderExcluirQue nojo esse muco viscoso, quente e fedorento do Gyodai. Só o Bolgg deve ser cheiroso 😘
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