O céu de Arton rugia em meio à guerra aérea enquanto o Hidra Helicoide cortava as nuvens como uma fera metálica agonizante. Raios elétricos percorriam suas enormes hélices de mitral e o som das engrenagens parecia o uivo contínuo de uma criatura condenada.
Gyodai observou o navio purista à distância e ergueu os braços deformados pela Tormenta. Sua carne aberrante pulsava em tons rubros enquanto energia dimensional se acumulava ao redor do lefou.
— “A realidade é apenas carne esperando para ser rasgada.”
Com um movimento brusco, Gyodai conjurou Salto Dimensional e arrastou Glomer consigo.
Durante o teleporte, os dois sentiram os próprios corpos sendo desintegrados em nível molecular. Ossos, músculos e mana pareciam dissolver-se enquanto atravessavam o espaço entre os planos. Naquele breve instante fora da realidade, ambos enxergaram algo impossível: os deuses observavam o combate.
Muito acima de todos, o olhar serpentino de Sszzaas atravessava o vazio. Mais abaixo, Arsenal fitava a batalha como um general analisando um campo de guerra. Valkaria também observava em silêncio, majestosa e soberana.
Então a magia desviou.
A interferência divina alterou completamente o destino do teleporte. Em vez da cabine principal, Gyodai e Glomer surgiram violentamente em uma cabine lateral do Hidra Helicoide. Os deuses haviam impedido que chegassem facilmente ao coração do navio.
Enquanto isso, Beleg sentia uma poderosa aura de Valkaria emanando do interior da embarcação purista. Mesmo desconfiado, puxou lentamente a corda do arco e lembrou-se das palavras de Benhê, seu antigo tutor, sobre acertar exatamente onde mais dói.
A tatuagem em suas costas brilhou intensamente.
— “Benhê… guie meus olhos. Valkaria, faça este navio voar livre mais uma vez!”
A Concentração em Combate tomou conta do arqueiro.
A flecha de aço-rubi atravessou o céu como um raio dourado e atingiu diretamente uma das hélices. O impacto arrancou placas metálicas e enfraqueceu os sistemas de armas do Hidra Helicoide. A Marca da Presa transformou o próprio navio em alvo do ódio de Beleg. Madeira, aço e engrenagens eram tratados por ele como se fossem carne purista.
Partes inteiras do casco foram destruídas.
O capitão inimigo respondeu imediatamente.
O Hidra Helicoide iniciou uma manobra defensiva brutal, girando de um lado para o outro em movimentos violentos que criaram um gigantesco campo de energia estática ao redor do casco. Marinheiros foram arremessados ao vazio enquanto correntes e cordas se partiam no ar.
Kobta saltou no exato momento em que o convés inclinou. Seus quatro corpos ocultos sob a manta giraram em perfeita sincronia, evitando o impacto graças à sua evasão sobrenatural.
Gyodai simplesmente ergueu a mão.
— “A deformidade transcende o impacto.”
Seu Campo de Força absorveu a violência da colisão.
Glomer, porém, foi lançado contra as paredes da cabine. Seus ossos estremeceram e rachaduras percorreram sua estrutura osteon.
Mesmo invisível, Kobta continuava avançando furtivamente rumo à cabine principal. Pequenas ferramentas surgiam entre os dedos kobolds enquanto ele analisava engrenagens e condutores mágicos.
Então a porta da cabine lateral explodiu.
Diversos marinheiros puristas invadiram o local empunhando sabres e pistolas elétricas. Ao mesmo tempo, mais puristas surgiam próximos da cabine principal sem perceber que Kobta já estava entre eles, invisível como um fantasma.
Do lado de fora, Beleg e Sir Finley perceberam o resultado da sabotagem e dos disparos certeiros. Uma das hélices começou a despencar lentamente.
Sir Finley abriu um enorme sorriso anfíbio e girou sua bazuca improvisada.
— “Agora vai, cambada de lata voadora!”
A Power Bazuca disparou.
O projétil atingiu outra hélice em cheio, arrancando partes inteiras das engrenagens. A estrutura começou a ranger perigosamente.
Dentro da cabine, Glomer respirou fundo e ativou uma engenhoca com a velocidade de um estalar de dedos.
— “Encontrando fraquezas… pronto.”
Diagramas luminosos apareceram diante do inventor. Ele identificou os pontos exatos onde bombas causariam danos catastróficos. Em seguida, ativou outra engenhoca de Campo de Força. Bandagens metálicas envolveram seus ossos, reforçando sua estrutura.
Seu Olho de Dragão analisou o ambiente e revelou o melhor ponto para destruir o navio: o convés superior, acima da sala de máquinas.
Gyodai abriu um sorriso monstruoso.
— “Hora de alimentar a guerra.”
Sob efeito de Velocidade, o lefou avançou sobre os marinheiros puristas. Seus múltiplos braços deformados desferiram uma sequência absurda de golpes de visco rubro. Mandíbulas explodiram, costelas afundaram e dentes foram arrancados junto com pedaços de carne. Um marinheiro teve o pescoço quebrado ao contrário enquanto outro foi atravessado pelos membros aberrantes do lefou.
Logo depois, Gyodai começou a esmurrar as paredes da cabine. Rachaduras grotescas se espalharam pela estrutura metálica.
Do lado de fora, Beleg respirou fundo novamente. A tatuagem de Benhê brilhou mais uma vez.
— “Benhê… guie meu braço.”
A flecha seguinte atravessou exatamente a parte enfraquecida pela bazuca de Sir Finley.
A segunda hélice explodiu.
O Hidra Helicoide começou a perder altitude.
As defesas do navio purista dispararam seus últimos relâmpagos desesperados contra Beleg e Sir Finley. Ambos desviaram no ar com movimentos quase impossíveis.
Então veio o desastre.
A cabine onde Gyodai e Glomer estavam começou a implodir. As paredes se retorciam para dentro enquanto energia dimensional rasgava o ambiente.
Gyodai desprezou a realidade. Para um servo da Tormenta, aquilo parecia apenas mais uma deformação do mundo.
Glomer, porém, foi violentamente atingido pelos destroços. Seus ossos vibraram dolorosamente.
Luzes multicoloridas surgiram por toda parte: as mesmas luzes hipnóticas das hélices.
O olhar de Gyodai perdeu o foco.
O lefou ficou fascinado.
Foi então que Kobta concluiu sua sabotagem final.
Engrenagens explodiram. Tubulações arrebentaram. Peças metálicas voaram pelos céus.
O Hidra Helicoide começou a cair.
Enquanto bebia uma poção de Queda Suave, Kobta olhou para o lado e viu Gyodai e Glomer presos na cabine implodindo.
Sir Finley acelerou o Mariposa na direção do navio inimigo, tentando resgatar os aliados antes da queda definitiva.
Glomer, quase destruído, ativou novamente sua engenhoca de Campo de Força. Bandagens reforçadas envolveram seu corpo esquelético.
Então Beleg voou.
Usando sua Capa de Arsenal, o arqueiro avançou pelos céus até alcançar o casco do Hidra Helicoide. Ao passar por uma das janelas da cabine principal, viu algo inesperado.
Uma sacerdotisa diante de um altar de Valkaria.
Um de seus olhos era negro.
O outro, dourado.
Ela era a capitã do Hidra Helicoide.
Beleg puxou a corda do arco.
O tempo parou.
As divindades observavam novamente.
Desta vez, Valkaria estava acima de todos, soberana como líder do Panteão.
Algo mudou dentro de Beleg naquele instante, como se parte de sua antiga vida tivesse sido arrancada. Seu olhar amadureceu. Seu comportamento pareceu diferente. A barba começaria a crescer dali em diante e seus olhos passaram a enxergar o mundo de outra forma.
Então a própria Valkaria falou:
— “Estou guiando sua flecha. O que deseja que eu faça?”
Beleg respondeu sem hesitar:
— “Se ela for purista, que a flecha liberte os inocentes da opressão. Se não for, destrua meu disparo.”
A flecha partiu.
Instantaneamente atravessou a testa da sacerdotisa.
Ela caiu morta diante do altar.
Uma onda colossal de eletricidade percorreu todo o Hidra Helicoide. As máquinas morreram ao mesmo tempo.
O navio começou a despencar.
Glomer despertou Gyodai do transe e pegou o misterioso olho dourado que agora flutuava no ar. Gyodai abriu outro Salto Dimensional e ambos retornaram em segurança ao Mariposa.
Kobta, sob efeito da poção de Queda Suave, desceu lentamente dos céus até alcançar o navio aliado.
Mais tarde, já em segurança, Glomer analisou o olho dourado. Descobriu que o artefato precisava substituir um olho verdadeiro para funcionar plenamente. Como era um osteon, removeu parte da órbita e implantou o olho mágico sem hesitar.
Imediatamente começou a enxergar visões do antigo reino de Collen: ruínas, guerras e memórias perdidas.
Mas a verdadeira revelação veio depois.
O artefato despertaria totalmente apenas caso Glomer se convertesse à fé de Valkaria. Caso recusasse, precisaria buscar respostas na lendária Caverna do Saber.
Glomer permaneceu firme. Não abandonaria Tanna-Toh.
Então ofereceu o olho a Beleg.
O arqueiro segurou o artefato dourado em silêncio, sabendo o preço que precisaria pagar para utilizá-lo.
Enquanto isso, Capitã Lislah conduzia novamente o Mariposa pelos céus.
Outro navio purista os aguardava adiante.
E a guerra aérea estava longe de terminar.
Texto por Roberto Oliveira.
Revisão por Leandro Carvalho.
Imagens geradas por IA.

Está batalha foi épica, primeira vez que eu testemunhei uma luta dos cobra Veia, chega a ser um desafio descrever tamanho perícia em combate deste grupo, uma simples flecha nas mãos do Beleg causa danos maiores que um tiro de canhão! Agradeço a Gazeta por me proporcionar está oportunidade de estágio remunerado
ResponderExcluirA gente quer saber quando os heróis vão humilhar o Homeland?
ResponderExcluirBeleg teve a honra de chamar atenção da líder do panteão.
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