segunda-feira, 17 de novembro de 2025

📚 Três elfos, três cicatrizes





Raisenzan observou o Parvatar pulsar em nossa posse, agora carregado com três das quatro energias primordiais. Sua expressão, sempre severa, vacilou por um instante.

— O último vestígio  — repousa nas Montanhas Uivantes… — disse ele, com a voz pesada. — E para encontrá-lo, precisarão da orientação de alguém muito… especial. Procurem Beluhga.

O salão ficou em silêncio.

Até os aventureiros mais calejados se entreolharam, atônitos.

Alguns juravam que o Beluhga havia desaparecido séculos atrás. Outros diziam que ele morrera. Mas, segundo Raisenzan, algo de sua essência ainda vagava naquelas montanhas sombrias e ululantes.


⚙️ Preparativos e cirurgias improváveis

Enquanto os Cobra Véia se preparavam para a nova missão, Gyodai, de forma muito peciar, marchou até o Centro Médico dos Monstros.

Carregava consigo um braço de orc mutante, ainda rígido e marcado por veias escuras, e uma carta assinada por ninguém menos que Diamante Orihalcon.

O lefou exigiu — com a naturalidade de quem pede um polimento — uma cirurgia de enxerto. Os médicos apenas suspiraram, acostumados às suas excentricidades.

Enquanto isso, o resto do grupo comprava itens, reabastecia estoques, preparava bombas, pergaminhos, poções e engenhocas. Era a calmaria tensa antes da próxima tempestade.


🐡 A missão inesperada de Takifugo


Foi então que surgiu Takifugo, o misterioso tritão mensageiro de Ezequias Heldret.

— Antes das Uivantes, há algo que precisam fazer.

Seu tom indicava urgência — e quando Takifugo falava assim, era porque Ezequias tinha um interesse real.

Ele não nos deu tempo para discutir.

Em vez disso, apresentou-nos Professora Sheestella, da Academia Arcana.

Zanzertein a reconheceu imediatamente. Ambos haviam sido tutores da Academia em épocas diferentes.

Sheestella olhou demoradamente para o mago, tentando encaixar o rosto na memória.

Quando Anastacia se aproximou, uma estranha e triste sinergia tomou forma:

Os três elfos haviam passado por Tapista — haviam sentido o peso da escravidão — e todos carregavam as cicatrizes visíveis e invisíveis que apenas quem viveu em Lenórien realmente entenderia.

Foi um reencontro silencioso, mas poderoso.


🧪 A missão da professora

Sheestella explicou que precisava de escolta para uma pesquisa arcana — algo delicado, quase secreto.

O pagamento era baixo.

Muito baixo.

Mas Takifugo havia recomendado a missão pessoalmente.

E quando alguém tão influente recomenda algo… os Cobra Véia sabem que aquilo tem importância maior do que parece.

Aceitamos.


🐍 O guia nagah

Após atravessrem um portal para o Deserto da Perdição, Sheestella nos apresentou seu companheiro de viagem: um nagah, de fala calma e movimentos ondulantes.

Zanzertein imediatamente ficou tenso — nagahs costumam ser devotos de Sszzaas, deus dos mistérios e traições.

E Sszzaas tinha interferido no destino de Zanzertein no passado, roubando-lhe o que poderia ter sido uma vida inteira como arqueiro — desviando-o para o caminho da magia.

O mago ficou atento.

Desconfiado.

Sempre com uma mão próxima ao grimório.

Mas durante a viagem pelo deserto, o nagah se mostrou um guia hábil.

Desviou-nos de emboscadas, atalhos perigosos e tempestades de areia invisíveis.

Não demonstrou hostilidade, nem ocultou segundas intenções.

Ao cair da noite, paramos em um ponto de repouso natural.

Zanzertein ergueu um Refúgio Arcano, garantindo proteção para o descanso.

Foi então que percebemos a tatuagem do nagah.

Uma pena e um pergaminho.

Brilhando suavemente.

O símbolo de Tanna-Toh, deusa do conhecimento.

Zanzertein relaxou pela primeira vez desde que o vira.

O nagah não era servo de Sszzaas.

Era um estudioso, um buscador da verdade.

Dormimos tranquilos.


🐺 Chacais na noite

Ou melhor… tentamos.

No meio da madrugada, o uivo seco dos chacais ecoou do lado de fora.

As sombras bateram contra o campo arcano do Refúgio.

Kobta acordou primeiro — ou os Kobtas — sacando as três pistolas com a fluidez de um único movimento ensaiado.

Não eram pistolas, eram mini canhões!

Três tiros cortaram a noite.

Um chacal caiu antes de tocar o chão.

Sir Finley levantou-se com o chicote já estalando no ar.

Um golpe rápido entre chicotadas e linguaradas, preciso.

E o segundo chacal foi reduzido a silêncio.

A ameaça dissipou-se tão rápido quanto chegara.

Voltamos a dormir, embora com um olho meio aberto.


🌬 E agora?

Nas primeiras horas da manhã, quando o sol tocava o deserto com seu calor cruel, todos sentimos a mesma coisa:

O próximo passo seria perigoso. Muito perigoso.

Takifugo havia dito que ainda precisávamos de mais conhecimento, mais experiência…

Mas que tipo de desafio exigiria isso antes mesmo de chegarmos às Montanhas Uivantes?

Que forças se movem no deserto?

E o que a professora Sheestella realmente procura?


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA pelo Copilot. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A Queda de Thalliathos



O ar tremia sob o rugido de Thalliathos. As chamas de seu hálito dracônico crepitavam contra o campo de força invisível que tremeluzia diante dos heróis, enquanto o medalhão rubro preso ao peito da criatura pulsava como um coração maligno.

Anastacia ergueu as mãos, os olhos brilhando em um azul necromântico. As palavras de Mente Divina ecoaram como um cântico sagrado invertido, elevando o raciocínio do grupo — e então ela tentou quebrar o foco arcano do medalhão. O poder dela colidiu com a energia do artefato, mas o dragão rugiu e resistiu. O medalhão permaneceu vivo, irradiando poder.

Gyodai, ainda envolto pela fúria arcana da Transformação em Guerra, desfez seu efeito e, num movimento fluido, invocou o Punho de Mitral. O chão rachou quando seus múltiplos braços golpearam em uníssono, martelando as escamas do dragão como o toque de um deus ferreiro.

Sir Finley avançou sem hesitar. A fé em Valkaria o blindava do medo ancestral. Seu chicote sibilou no ar, serpenteando com precisão até atingir os olhos do monstro. Um rugido ensurdecedor sacudiu as pedras — o dragão estava cego.

Kobta, o quinteto de kobolds oculto sob uma única máscara, girou sobre si com graça ventanista. Suas três pistolas cantaram juntas, cuspindo relâmpagos de pólvora e truque. Os tiros ricochetearam no campo de força do dragão, mas forçaram-no a recuar.

Glomer girou um frasco fumegante, riu com dentes de ossos e lançou uma bomba agitada. A explosão iluminou o salão, forçando Thalliathos a erguer outro escudo mágico — as chamas refletiram em suas escamas avermelhadas como se o mundo derretesse ao redor.

A cada feitiço do dragão, Anastacia o interceptava com contramágicas certeiras, desmanchando encantamentos no ar antes mesmo que se formassem.

Gyodai retornou à forma de guerra e desferiu um combo devastador com seus múltiplos membros — o som metálico dos impactos ecoou como sinos de destruição.

Furioso, Thalliathos contra-atacou. Suas garras falharam ao atingir o lefou, distorcidas pela aura de Desprezar Realidade, e ao morder, deixou a mandíbula vulnerável a um contragolpe titânico — o punho de Gyodai acertou em cheio, quebrando escamas.

O dragão, em um último ato de desespero, lançou seu sopro flamejante. O inferno se abriu. Gyodai escapou com um salto dimensional, desprezando a realidade, mas Anastacia, envolta em névoa sombria, ergueu um campo de força e sacrificou seu servo morto-vivo para conter parte das chamas.

As balas de Kobta e o chicote envenenado de Sir Finley rasgavam o ar — o veneno corroía, o ácido de Glomer fervia nas feridas abertas.

Anastacia invocou as trevas de Profanar, e o chão tremeu sob o peso da necromancia. Num gesto final, tocou o corpo de Thalliathos com Infligir Ferimentos, e o poder da morte percorreu as veias do dragão.

O medalhão rachou. O rubi no peito do monstro brilhou em chamas líquidas antes de se dissolver em fumaça incandescente. O corpo colossal tombou, e do coração queimado emergiu uma energia elemental do fogo, que o grupo canalizou para dentro do Parvatar.

Quando a luz cessou, Sidom, o profeta de Thyatis, surgiu entre as cinzas. Sua voz ressoou grave:

“Este feudo, agora livre, será restaurado.”

Schaven assentiu, e os heróis, exaustos mas vitoriosos, invocaram sua nuvem voadora. Partiram rumo a Vectora, onde seriam recebidos por Raisenzan — e onde novos ventos de guerra já aguardavam.


Raisenzan, surpreso, admite:

“Vocês sobreviveram ao impossível.” 


Gyodai é o primeiro a falar e diz que provou o seu valor. Raisenzan engole seco e está surpreso em ver que o Lefou voltou vivo. Ele nos parabeniza e prepara a próxima missão, para as Uivantes.

Gyodai apenas sorri.

A próxima missão — nas Uivantes — já os aguarda.


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagens geradas por IA pelo Copilot. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Banquete da Queda



No horizonte, erguia-se um castelo magnífico, como um trono esculpido para desafiar os céus. À sua frente, surge uma figura sagrada: um sacerdote de Thyatis, envolto em mantos brancos e dourados que ardiam com chamas divinas e símbolos de fênix. Seus olhos proféticos pareciam atravessar almas — não julgando, mas prevendo.

Suas palavras nos alcançam como brasa e consolo:

“Estamos em Tyros… e os olhos das divindades estão sobre vocês. Perseverem, e renascerão em glória.”

Sentimos uma força sagrada reforçar nosso espírito — como se cada fé ali fosse reconhecida e posta à prova sob o olhar dos deuses.


Fomos conduzidos ao coração do castelo de Thalliathos.

O salão de jantar mais parecia um templo arcano dedicado à supremacia dracônica:

Tapeçarias carmesim bordadas em ouro formando escamas vivas

Um lustre em forma de garra monstruosa segurando um rubi pulsante.

Estantes repletas de tomos proibidos, reagentes alquímicos e escamas verdadeiras.

Faíscas mágicas no ar, como ecos de rituais que jamais cessam.

O ar tinha cheiro de incenso e enxofre — poder e obsessão misturados.

Então ele entrou.

Thalliathos.

Meio-dragão. Meio-homem. Cem por cento ambição.

Escamas vermelhas e negras, olhos de tirano arcano, um rubi vivo cravado ao peito, pulsando com magia e destino. À sua sombra, seu guia espiritual — Varzokh, o clérigo de Megalokk, marcado em carne e espírito pela devoção aos monstros.

A tensão ruiu quando Schaven tomou a palavra:

“Vim cobrar os tributos. Ou pagará com a vida.”

Thalliathos sorriu com gelo e fogo nos olhos:

“Então será com a vida. E não a minha.”

As cadeiras arrastaram. O ar vibrou. O banquete tornou-se campo de batalha

Gyodai, tomado pelo sussurro da Tormenta, perde-se em visões. Anastacia o desperta — e naquele instante, o próprio Aharadak invade sua mente, sua voz como trovão engolido por carne:

“Sou o Deus da Tormenta. Não apenas use meu poder. Reverencie-me.”

O dom divino se derrama. Gyodai desperta — com fome de combate e diz que oferece esses inimigos como vitimas de Aharadak.

Sombras tomam parte do salão pela magia de Anastacia, cegando Varzokh. O chicote de Sir Finley pinga toxinas e esporos mortais; seu frasco alquímico explode contra o clérigo, paralisando-o.

Thalliathos ergue as mãos para conjurar — mas Anastacia rasga sua magia antes de nascer.

Então, o príncipe ruge um nome proibido:

“Edauros — me conceda o Talho Invisível!”

Um corte invisível atravessa o salão.

Glomer cambaleia, ossos expostos quase rompendo. Gyodai e Anastacia levantam campos de força. Finley esquiva como uma flecha de carne. Kobta, do outro lado da mesa, emerge já com sorrisos e pólvora.

Três pistolas, três braços, três disparos.

O cajado de Varzokh flutua, interceptando, e o sangue do clérigo jorra em sacrifício involuntário.

Glomer ergue sua engenhoca defensiva — engrenagens, luz arcana e coragem mecânica.

Varzokh tenta curar, mas Anastacia responde com trevas e velocidade: Gyodai torna-se meteoro de carne e Tormenta.

Ele rasga sua própria realidade, conjura Transformação em Guerra, asas de barata surgem como blasfêmia e ele investe.

Golpe após golpe — mas o dano se desvia, caindo sobre Varzokh, o receptáculo devoto.

Sir Finley chuta o destino: venenos raros, cogumelos assassinos, um golpe furtivo e uma lambida mortal. Carne rasgada, veneno infiltrado — e Varzokh cambaleia, prisioneiro do próprio dogma.

Thalliathos tenta subjugar Gyodai com amendontrar — mas novamente Anastacia corta o destino com contramágica afiada como ódio.

Kobta, invisível, dispara — e o sangue continua a cair do clérigo.

Glomer responde com fogo, óleo e engenho — explosões iluminam o salão.

Quando a fumaça se dissipa, Varzokh ergue o rosto ensanguentado, sorriso de fanático quebrado:

“O ritual… está pronto…”

E então cai morto.

...

...

O rubi no peito de Thalliathos pulsa como coração divino.

Rachaduras rubras.

Luz infernal.

Um grito que é fome, magia e legado.

O rubi se rompe.

O ar treme.

Carne e escamas se fundem, ossos se alongam, asas se rompem em labaredas.

Diante de nós, ergue-se não mais um príncipe.

Mas um Dragão Vermelho.

Gigantesco.

Colérico.

Coroado pela monstruosidade de Megalokk e pela ambição.

O combate… está longe de terminar...


Texto por Roberto Oliveira. 

Revisão por Leandro Carvalho. 

Imagem gerada por IA pelo Copilot, prompt pelo Claude.